Luísa Prior
o interesse da Associação Mulher Migrante.
BERTA FERNANDA DE SOUZA GUEDES SANTANA
Nasci em Lisboa em 1964 onde vivi até Janeiro de 1976, tendo depois ido para o Brasil (Recife) com meus pais e irmãos. Recife é a terra natal de minha Mãe e onde vive a grande parte da sua família. Aqui passei a viver até agora, onde prossegui todos os estudos e desenvolvi as minhas atividades profissionais; onde casei.
Fiz o ensino primário e os primeiros anos do secundário em Lisboa, no Colégio Moderno (dirigido pela Drª Maria Barroso), que tiveram continuidade no Recife, no Colégio das Damas.
Fiz uma Licenciatura em Fonoaudiologia (1986) na Universidade Católica de Pernambuco (Recife) e depois em Psicologia (2000), na Universidade Católica de Pernambuco Em 2002 fiz um curso de Pós-graduação em Dependência Química na Universidade Federal de São Paulo (Escola Paulista de Medicina). Acrescem alguns outros cursos de formação: MBA Executivo em Gestão de Pessoas (2008), Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro); Curso Saúde e Qualidade de Vida (2010), na Universidade de Brasília/INSS; Curso Violência contra a mulher e o papel da notificação (2012), na Universidade Católica de Pernambuco em parceria com a Secretaria Estadual da Mulher (Recife); Curso Diversidade Sexual e Políticas Públicas: Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (2015), na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Rio de Janeiro/RJ.
Desde os primeiros dias de Novembro (2018) estou a viver em Espinho com o meu marido, para a realização dos nossos estudos de doutoramento. Eu, em Psicologia, na Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação, na Universidade do Porto. Ele, em E Planeamento, no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e de Território, na Universidade de Aveiro.
A minha atividade profissional teve início em 1986, com desempenhos distintos:
Fonoaudíóloga (Terapia da Fala) no Hospital Agamenon Magalhães (Recife) - Atendimento a pacientes com as seguintes patologias: gagueira, dislexia, dislalia e afasias (1994 a 2006);
Desde 1986 e até agora (aposentada), no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no Recife (funcionária pública federal, admitida por concurso público), com desempenho de diversas atividades nos vários níveis da instituição, desde a análise de processos e reconhecimento de direitos dos utentes da Previdência Social, às ações de planeamento estratégico e capacitação, com participação em diversos programas institucionais, integrando grupos de trabalho e coordenando outros, dos quais destaco o programa de Apoio aos Servidores Vítimas de Violência (Brasília), a implementação do sub sistema integrado do SIASS (Subsistema Integrado de Atendimento à Saúde do Servidor da Administração Pública Federal) no nordeste brasileiro e acompanhamento psicológico a servidores na Superintendência Nordeste e nas 23 Gerências existentes nos 9 estados que compõem a região (trabalho apresentado num Congresso em Brasília). Destaco também a realização de uma pesquisa na região nordeste sobre as causas da doença dos servidores públicos federais ( trabalho apresentado em Congresso dos Orgãos da Administração Pública Federal em Brasília), a colaboração na pesquisa sobre Eficiência da Área Meio e Agências da Previdência Social do INSS, na Administração Central em Brasília/ Diretoria de Atendimento do INSS(DIRAT) (Brasília), bem como no Programa de Redução de Gastos com Material de Consumo no Serviço Público (programa premiado em Brasília dentro do programa Esplanada Sustentável).
Para além da minha atividade profissional no INSS desenvolvida até agora, sou Psicóloga, integrando um equipe multidisciplinar do Serviço de Apoio à Mulher Vítima de Violência Wilma Lessa, no Hospital Agamenon Magalhães (Recife).Este serviço, que é pioneiro no Brasil e funciona desde 2002, 24/24 horas, é composto por médicos ginecologistas e obstetras, enfermeiras, psicólogas e assistentes sociais, para apoio à mulher vítima de violência (física, sexual ou moral), que é posteriormente encaminhada à Delegacia da Mulher e ao Instituto Médico Legal. O atendimento psicológico que integro desde 2006, não se limita ao acolhimento inicial, mas a posterior acompanhamento, de forma a propiciar o fortalecimento da auto-estima da mulher e a transformação da sua vida.
2004/05 – Psicóloga,na Comissão da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal do Recife - Coordenadora Clínica do Centro de Atenção Psico Social para adolescentes usuários de álcool e outras drogas - CAPSad Prof. Luiz Cerqueira. Desde 2000 – Psicóloga, com consultório particular: abordagem psicanalítica no atendimento a pacientes com diversos transtornos psíquicos: pacientes adolescentes e adultos com depressão, transtorno afetivo, dependentes químicos (redução de danos).
2014/16 – Conselheira Representante de Governo do Conselho de Recursos da Previdência Social do Ministério da Previdência Social.
2013 – À disposição do Tribunal de Justiça de Pernambuco para compor o Conselho de Sentença como membro do Tribunal do Júri (agosto a dezembro de 2013).
1999 até à presente data – Sócia fundadora, Vice-Presidente e Tesoureira da Associação Folia das Deusas: associação sem fins lucrativos, que tem por objetivo promover ações de apoio às mulheres em suas lutas por equidade de género, autonomia, oportunidades e justiça social. Expressa-se socialmente através de um bloco carnavalesco, instrumento enraizado na cultura pernambucana, escolhido pela riqueza, vigor e vitalidade com que o Carnaval permeia, penetra e se espalha em todas as camadas da sociedade, propiciando uma forma lúdica de acesso aos diversos meios sociais.
1. Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os objetivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já dada a iniciativas da AMM e/ou a novas propostas.
Conheci a Associação Mulher Migrante e a sua dinâmica em Buenos Aires (2005), quando a convite da minha tia, Graça Sousa Guedes, me fez vir de S. Paulo (Brasil), onde me encontrava a fazer a pós -graduação na Universidade de S. Paulo, para assistir ao Encontro para a Cidadania, organizado pelo núcleo da Argentina. Adorei tudo o que vi e a sua extensão atlântica!. Adorei rever a minha querida diretora do Colégio Moderno, Drª Maria Barroso, com quem passei momentos fantásticos. Ainda se lembrava de mim e dos meus outros dois irmãos, também seus alunos.
Desafiada pela minha tia e pela Drª Manuela Aguiar, organizei no Recife, em Novembro de 2013 o Encontro EXPRESSÕES FEMININAS DE CIDADANIA – A MULHER PORTUGUESA NO RECIFE, que teve lugar no Salão Nobre do Gabinete Português de Leitura. Este Encontro integrou-se numa série de iniciativas sobre a mesma temática que comemoraram ao longo de 2013, o 20º aniversário da Associação de Estudos Cooperação e Solidariedade " Mulher Migrante" e que ganharia no Recife um especial significado por se associar às comemorações do Ano de Portugal no Brasil.
Não pretendendo personalizar esta organização, atribuí-a à Associação Folia das Deusas, que havia fundado e da qual sou membro da direção. Uma associação, sem fins lucrativos, que tem como objetivo pro mover ações de apoio às mulheres a às lutas pela igualdade de género, de oportunidades e de justiça social.
Dirigido à comunidade portuguesa e luso-brasileira, a autoridades brasileiras, a universitários e especialistas de questões de género, este Encontro pretendeu dar visibilidade à contribuição da Mulher Portuguesa na disseminação da Ciência, Literatura, Arte, Cultura, Saúde, Educação, Justiça, Segurança Social, Desporto, Economia e Empreendedorismo na cidade do Recife e, por extensão, em outras comunidades do País, refletindo a sua projeção social e profissional neste espaço da diáspora portuguesa.
No Brasil, eventos desta natureza ganham especial contorno, não apenas pelos laços históricos que unem os dois Povos, mas também pelo relevante desenvolvimento económico do Brasil no cenário internacional, e pelo papel de crescente importância da mulher portuguesa e brasileira neste espaço da nossa lusofonia, com a identificação dos diversos caminhos que têm e vêm traçando.
Neste Encontro apresentei uma comunicação intitulada Mulheres vítimas de violência: um serviço modelo de atendimento no Recife, publicada Edição da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante (p.23). Espinho, 2015.
Em 2016 participei nas Comemorações do dia da Comunidade Luso-Brasileira (organização da Associação Mulher Migrante) na Biblioteca Municipal Dr. Marmelo e Silva em Espinho, com um elato do Encontro EXPRESSÕES FEMININAS DE CIDADANIA - A MULHER PORTUGUESA NO RECIFE,
Sou sócia da Associação Mulher Migrante e a partir de Agosto deste ano, tive a honra de ser eleita Vice-Presidente desta Associação.
2. " A AMM propõe-se, desde as origens, ser uma plataforma de encontro de dois mundos - o do estudo e o da ação no terreno das comunidades, da solidariedade e da cooperação com o movimento associativo, em diálogo e debate contínuo."
Como vê as possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação e/ou planos de ação no domínio das migrações e da Diáspora, com enfoque especial no feminino.
Agora a viver em Portugal para desenvolver os meus estudos de doutoramento em Psicologia na Universidade do Porto e que iniciei há semanas atrás, estou em condições logísticas para apoiar a Associação Mulher Migrante e também científicas que irei necessariamente desenvolver, que se enquadram nos objetivos desta associação.
Efetivamente, o tema da dissertação que irei elaborar nos próximos três anos (proposta apresentada na candidatura ao programa doutoral), propiciará o aprofundamento científico de uma problemática que tenho vivenciado como Psicóloga no Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa, a funcionar no serviço de emergência do Hospital Agamenon Magalhães, um dos principais hospitais públicos do Recife. A investigação baliza estudar as condições de saúde física, psíquica e de segurança da vítima de violência doméstica, decorrente do apoio recebido, bem como as repercussões posteriormente registadas.
O contexto académico em que passo a estar inserida, facilitará a realização de outras investigações que sejam do interesse da Associação Mulher Migrante.
GUILHERME VENANCIO SANTANA
Nasci em 1963, no Rio de Janeiro, onde vivi até aos 7 anos, altura em que mudamos para Brasília (Pais e irmãos) e onde vivi até ao meu casamento em 2011. É a partir desta data que passei a viver no Recife.
Fiz o ensino primário no Rio de Janeiro e em Brasília todos os restantes momentos formativos e profissionais.
Sou Bacharel em Administração (1990) pela União Pioneira de Integração Social – Brasília e em Direito (2010), pelo Centro Universitário Euroamericano (UNIEURO) – Brasília/DF.
Complementando a minha formação universitária (Formação Complementar), possuo o MBA em Gestão de Pessoas Baseada em Competências (2004) realizado na Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (UNIDF) e a Licenciatura em Administração na Universidade de Brasília (Brasília). Também em Gestão em Projeto Social (1997), realizado pela Casa Civil/Presidência da Republica do Brasil, na ENAP.
Desde os primeiros dias de Novembro (2018) estou a viver em Espinho com o minha esposa (Berta Fernanda de Souza Guedes Santana), para a realização dos nossos estudos de doutoramento. Eu, em E Planeamento, no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e de Território, na Universidade de Aveiro. Ela em Psicologia, na Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação, na Universidade do Porto.
A minha atividade profissional teve início em 1982, no Ministério da Defesa. Secretaria da Aeronáutica, Praça Militar em Brasília, até 1994.
Desde 1994 e até à presente data (agora autorizado a realizar em Portugal os estudos de doutoramento na Universidade de Aveiro ) sou servidor público, concursado, do Instituto do Seguro Social (INSS), com o cargo de Administrador., destacando diferentes desempenhos: Administração Central do INSS. Assessoria de Planejamento Estratégico em Brasília (1994/2000); Diretoria de Orçamento,Finanças e Logística (DIROFL) da Administração Central do INSS. Chefe da Seção de Logística ( Brasília – 2000/2011).
Desde 2011, com a minha mudança para o Recife (casamento), integro a Superintendência Nordeste do INSS, na Divisão de Orçamento, Finanças e Logística (DIVOFL) do INSS (Chefe de Divisão).
Para além da minha atividade profissional no INSS, tenho desenvolvido ações sociais diversificadas:
Desde 1979 - Comunidade Eclesial de Base do Negro – Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB).
Desde 1993 - Comité de Entidades no Combate a Fome e pela Vida – COEP (Projeto Betinho. Parceria com Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, Estatais e Empresas Privadas). Voluntário Social Federal - Brasília.
Desde 1990 - Voluntário /Empreendedor Social – Projeto Cooperativo de Produção Rural – ASPROFIC – Brasília.
Desde 1990 - Voluntário Social – Igreja Católica e Entidades Religiosas
Desde 1990 - Voluntário /Empreendedor Social – Projeto Cooperativo de Habitação Popular – ASSING e ASPROL – Brasília.
Desde 1993 – Comité de Entidades no Combate a Fome e pela Vida – COEP (Projeto Betinho. Parceria com Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, Estatais e Empresas Privadas). Voluntário Social Federal - Brasília.
Desde 2000 - Multiplicador em Projeto Social – Projeto: Capacitar o Terceiro Setor – Brasília.
Desde 2014 tenho colaborado com o Gabinete Português de Leitura do Recife, coordenando a realização de eventos, exposição, exibição de filmes e captação de recursos para projetos.
1. Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os objetivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já dada a iniciativas da AMM e/ou a novas propostas.
Conheci a Associação Mulher Migrante e a sua dinâmica através das suas publicações oferecidas pela minha tia (Graça Sousa Guedes) e pela minha mulher, que já havia estado em Buenos Aires no Encontro para a Cidadania, organizado pelo núcleo da Argentina.
Anos mais tarde, ajudei a minha esposa a organizar no Recife, o Encontro EXPRESSÕES FEMININAS DE CIDADANIA – A MULHER PORTUGUESA NO RECIFE, que teve lugar em Novembro de 2013 no Salão Nobre do Gabinete Português de Leitura. Este Encontro deveu-se ao desafio feito pela minha tia e pela Drª Manuela Aguiar, integrando-se numa série de iniciativas sobre a mesma temática que comemoraram ao longo de 2013, o 20º aniversário da Associação de Estudos Cooperação e Solidariedade " Mulher Migrante". No Recife, este Encontro ganharia no Recife um especial significado por se associar às comemorações do Ano de Portugal no Brasil.
Dirigido à comunidade portuguesa e luso-brasileira, a autoridades brasileiras, a universitários e especialistas de questões de género, este Encontro pretendeu dar visibilidade à contribuição da Mulher Portuguesa na disseminação da Ciência, Literatura, Arte, Cultura, Saúde, Educação, Justiça, Segurança Social, Desporto, Economia e Empreendedorismo na cidade do Recife e, por extensão, em outras comunidades do País, refletindo a sua projeção social e profissional neste espaço da diáspora portuguesa.
No Brasil, eventos desta natureza ganham especial contorno, não apenas pelos laços históricos que unem os dois Povos, mas também pelo relevante desenvolvimento económico do Brasil no cenário internacional, e pelo papel de crescente importância da mulher portuguesa e brasileira neste espaço da nossa lusofonia, com a identificação dos diversos caminhos que têm e vêm traçando.
Não pretendendo personalizar esta organização, atribuí-a à Associação Folia das Deusas, que havia fundado com a minha esposa e da qual sou membro da direção. Uma associação, sem fins lucrativos, que tem como objetivo pro mover ações de apoio às mulheres a às lutas pela igualdade de género, de oportunidades e de justiça social.
Em 2016 estive presente nas Comemorações do dia da Comunidade Luso-Brasileira (organização da Associação Mulher Migrante) na Biblioteca Municipal Dr. Marmelo e Silva em Espinho, com um elato do Encontro EXPRESSÕES FEMININAS DE CIDADANIA - A MULHER PORTUGUESA NO RECIFE,
Sou sócio da Associação Mulher Migrante a partir de Novembro deste ano.
2. " A AMM propõe-se, desde as origens, ser uma plataforma de encontro de dois mundos - o do estudo e o da ação no terreno das comunidades, da solidariedade e da cooperação com o movimento associativo, em diálogo e debate contínuo."
Como vê as possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação e/ou planos de ação no domínio das migrações e da Diáspora, com enfoque especial no feminino.
Agora a viver em Portugal para desenvolver os meus estudos de doutoramento em E Planeamento, no Ciências Sociais, Políticas e de Território, na Universidade de Aveiro e que iniciei há semanas atrás, estou em condições logísticas para apoiar a Associação Mulher Migrante e também científicas que irei necessariamente desenvolver, que se possam enquadrar nos objetivos desta associação.
O contexto académico em que passo a estar inserido, facilitará a realização de outras investigações que sejam d
o interesse da Associação Mulher Migrante.
NARRATIVA
Humberta Araújo
Não me vejo como uma exceção, mas quando se nasce numa planície branca, e onde as memórias mais queridas te transportam para a ilha, é sem dúvida difícil dizer-se de onde se é, ou de onde se veio.
Eu sou filha de pai e mãe dos Açores, ilha de S, Miguel. A família emigrou em 1960 e eu nasci em 1961, em Vanderhoof,, British Columbia. Não me perguntem pormenores da vila onde nasci, porque dela tenho muito poucas recordações. As primeiras memórias mais vivas são de Montreal, para onde a família se mudou após 4 anos, em diversas localidades na Columbia Britânica.
Mais tarde, o pai com saudade do mar – era pescador de profissão – e contra os amuos de minha mãe, que como muitas mulheres engolira todas as lágrimas que tinha de engolir, fazendo-se a pouco e pouco aos braços do Canadá, - regressa às ilhas, comigo “à tiracola”.
Aos 7 anos, e no segundo dia de escola primária na freguesia do Pico da Pedra, a minha avó Beatriz, ainda com cheiro a farinha de milho acabada de escaldar, leva-me ao pequeno estabelecimento escolar, situado no lombo da rua 24 de Agosto, para ter uma conversa com a professora, que me havia mandado para casa no dia anterior, porque não ensinava a estrangeiras.
Não sei o que lhe disse a minha avó, mas sei que fiquei na escola e, seria da varanda da mesma escola, que me apaixonei pela primeira vez. Histórias à parte, completei mais tarde os estudos secundários no Liceu Antero de Quental, em Ponta Delgada. Por acaso, dei há dias com a minha caderneta escolar, e vi que aos 16 anos - quando completava o último ano no Liceu - já escrevia com um pseudônimo (Ojuara) para o Jornal Correio dos Açores, em Ponta Delgada.
O que escrevi – estava-se nos meses quentes depois da revolução - teve um tal impacto, que muitas respostas vieram em outros jornais de S. Miguel. As respostas atacavam o impostor (não sabiam que o autor eu era uma jovem de 15 anos), que tinha tido a ousadia de contrariar as tradições religiosas e patriarcais da ilha.
Esta colaboração valeu-me um desafio do então diretor do jornal para experimentar o jornalismo. Meses mais tarde estava eu, como assistente de redação na RTP/Açores, ela também a dar os seus primeiros passos.
Mas a ilha, com todos os seus encantos e a solidão que nela se experimenta, empurrava-me para o lugar onde nasci. Nos anos 80, e numa jornada difícil e muito dura, decidi regressar ao Canadá. Após ter trabalhado em fábricas, em restaurantes, em limpezas, e cuidando de crianças “live-in nanny”, acabei por reencontrar o jornalismo em Montreal, no jornal a Voz de Portugal.
Vou para a Universidade de Concordia: Estudos de Comunicação e mais tarde para a Queen’s: Relações Internacionais e Interculturais. Estudos acabados e, com a saudade a matar, regresso às ilhas. Sou jornalista no Açoriano Oriental, regressando depois à casa mãe, a RTP/Açores e RDP. Passo 3 anos na rádio do Clube Asas do Atlântico, na ilha de Santa Maria, como chefe de redação.
Mãe solteira regresso ao Canadá onde me encontro desde 2004.
Atualmente sou Curadora na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, artista têxtil, escritora com 4 livros infantis publicados, assim como poesia e contos em inglês e português. O jornalismo continua uma paixão no MilenioStadium em Toronto. Agora, com um novo projeto, o Baú da Avó, um museu do brinquedo artesanal em Toronto, regresso ao mundo maravilhoso das infâncias das nossas avós.
QUESTIONÁRIO
1 - Eu vejo a AMM como uma organização que pode ter um papel importante na exposição da cultura feminina na diáspora, através da divulgação de estudos já existentes, incentivando a investigação em temas que lhe são relevantes e ainda através do apoio de atividades artísticas e outras, que caracterizem o ambiente das mulheres na diáspora canadiana.
Acho que pode ter também um papel mais ativo nas áreas que dizem respeito às mulheres portuguesas/luso canadianas, na divulgação de apoios, programas ou outros do governo português, que possam ter um papel positivo e pratico nas suas vidas.
Neste aspeto e dada a minha experiência como escritora, artista, jornalista e curadora da Galeria dos Pioneiros Portugueses e fundadora do Museu do Brinquedo Português em Toronto o Baú da Avó, posso apoiar em algumas iniciativas de divulgação de programas e apresentando propostas de intercâmbio e promoção da organização.
2. Como referi, acho que a instituição pode ter um papel ativo junto das mulheres, para que seja reconhecida como parceira importante nas políticas e ações que reflitam a situação atual da mulher migrante. Os problemas que as mulheres atravessam no Canadá são muito peculiares, e vão desde o emprego precário, salários abaixo do salário mínimo, falta de participação ativa na vida do país e do seu munícipio, questões relacionadas com a documentação, assedio e violência sexual no meio familiar e no emprego, isolamento das mulheres idosas, para além de muitas outras questões, que afetam as suas vidas.
Concretamente: ações práticas de divulgação junto de organizações que trabalham com mulheres, nos media e nas celebrações culturais que abundam pela comunidade; incentivar o interesse das investigadoras/es tanto em Portugal como nas diásporas pelo estudo, in loco, da condição da mulher imigrante e a divulgação de apoios e outros, através da AMM, do estado português.