JOAN MARBECK
Name: Joan Margaret MARBECK
Sex: Female
Date of Birth: 26th. June 1944
Place of Birth: 322 Jalan Bandar Hilir Melaka
Present Address: No.1 Jalan RK5/13 Rasah Kemayan, 70300 Seremban
Negri Sembilan D.K.
ID. No. 440626 04 5032
Profession: Kristang Language writer since 1990
Retired Government Pensioner since 1990
Specialist Music Teacher for Primary and Secondary Schools
from 1965 – 1990
Main Activities: 1990 – 2011
2011
Updated Website and launched www.joanmarbeck.com on 29th October 2011 in
commemoration of the 500th. Anniversary Celebrations.
Promoting ‘ Simply Mel’s ‘ a typical Melaka-Kristang Restaurant in Bangsar South,
Kuala Lumpur. Papiah Kristang Lessons take place once every
Month in conjunction with their High Tea Promotion. Next lesson on 19th. November
from 4pm.
Currently completing ‘ The Serani Series Set’ -1. Commemorative 500th Anniversary
Bahasa Serani Dictionary 2. Speak Serani 3. Bersu Serani
Proposed Launch for Serani Series January 2012
Proposed Internationa Creole Congress in collaboration with Federal University of Rio
de Janeiro to be held in Melaka tentatively June 2012
Proposed Kristang Language Workshops in collaboration with Melaka Museums
Corporation and Tourism Malaysia tentatively Dec. 2011
Visiting the Singapore Eurasian Association, to promote the Revival and use of the
Papiah Kristang Language among its members. July 2011
Invited to different households to speak and laugh at the 500 year old voice of the
Eurasians and enjoy the food and camadarie. It was overwhelming.
Translating a few Christmas Carols from English to Kristang for the Selangor
Philharmonic Choir for a Christmas performance in Perth. October 2011 and in Lutheran
Hall , Petaling Jaya, December 2011
2010
Campaigned for space in the Muzium Rakyat, Melaka Town Centre to set up Malacca-
Eurasian Community Muzium. August 2010. Engaged as Eurasian consultant by
PERZIM- Melaka Museums Corporation in May 2011
Organised Marbeck Family Meet – July 2010
Proposed to the Embassy of Brazil, Malaysia, the staging of the Kristang Musical ‘
Kazamintu na Praiya’ in Kuala Lumpur, Jan/ Feb.2010
2009
Entered Scripts of Kristang Monodrama ‘ Seng Marianne’ ( Without Marianne) again to
Lusophonia Festival Macau 2009
2008
Initiating the Celebration of the 500th. Anniversary of the Arrival of the Portuguese to take place between 2009 -2011.
A Conference on the Revival and study of the Malacca Creole Portuguese Language and
a Subscription Dinner and Dance to support the Development of the Eurasian Heritage
in Malaysia has been proposed.
Printed brochures for distribution to create awareness in Dec. 2008
2007
Honoured as Digi Amazing Malaysian and named 'The Kristang Poet of Melaka'
Wrote and directed the Musical 'Kazamintu na Praiya' for 60 schoolchildren of different races in Melaka who participated in the Digi Showcase on the 24th. Nov. 2007. Children not of Kristang origin learnt the lyrics of songs written in the Kristang language without difficulty and were able to perform and sing almost professionally only after 3 months training.
2006
Wrote Kristang Monodrama ' Seng Marianne' ( Without Marianne) to enter for
Lusophonia Festival in Macau
2004
Published 'Linggu Mai' ( Mother Tongue) a set of 3 pedagogical items to revive the
Kristang Language. This set included a Reader, A Kristang Phrasebook and Finderlist as well as a CD. This initiative was supported by the Fundacao Calouste Gulbenkian
2000
Published Mini-Conference Report on the preservation and development of the Malacca-
Portuguese Creole Language and Heritage. Publication
Supported by Fundacao Oriente- Macau.
1999
Attended UNESCO Conference in Melaka. Commended by Richard Engelhart on my
initiative to preserve the Language and Heritage of the Malacca-Portuguese creoles.
1997
Invited to speak to Masters students at the Universidadi Catholica, Rio de Janeiro, Brasil on the ‘Papiah Kristang’ Language and its Survival and Revival In Melaka.
1996
Organised a Mini – Conference on the preservation and development of the Malacca-
Portuguese Creole Language and Heritage in Malaysia. Jan.1996
Organised the Production of the Play ' Mind your own Business' as Secretary of the
Malacca Theatre Group.
Was invited to script and direct the Musical ' St. Francis Xavier- Patron Saint of the Indies for the 100th. Anniversary of the Church of St. Francis Xavier, Melaka
1995
Published ' Ungua Adanza' ( An Inheritance ). 1st. Book to be written in the Kristang
Language and in an orthography similar to Bahasa Malaysia. This was also published
with a Grant from the Fundacao Calouste Gulbenkian.
1994
Attended a Symposium on Spanish and Portuguese- based Creoles held in Brasilia,
Brasil. Paper presented ‘ Experiencia unga Kristang na Malaka’ is recorded in Papia
Vol.3 No.2 1994
From 1970s –
Have been involved with Community Service Projects of the YWCA at Local and
National levels focusing on programs for Women and Girls of the Portuguese Settlement
as well as for marginalized families and Senior Citizens.
Member of the Selangor and Federal Territory Eurasian Association, The Malacca Portuguese Eurasian Association, frequent Guest of the Singapore Eurasian Association and Eurasian Association of Western Australia. Member of the Melaka Theatre group.
CUSTÓDIA DOMINGUES
Especialista em Estratégia de Comunicação /Gestão de redes de influência /
Assessoria de Imprensa. Business Development / Experiência na internacionalização.
Experiência
profissional
Desde 2003
Assessoria em estratégia de comunicação
Estratégia de comunicação B to B, B to C, institucional incluindo União Europeia
Acompanhamento dos projectos (medias, benchmarking, imprensa)
Selecção, nedociação, gestão dos fornecedores e compra de espaço publicitário
Elaboração de suportes de comunicação Imprensa/ Redes Institucionais/ Eventos
Gestão de parcerias internacionais e acompanhamento instittucional ( nacionais & europeus). Assessoria de imprensa, seguimento das campanhas mediáticas & organização de evento (conferências de imprensa, colóquios, …) Clipping - análise quantitativa e qualitativa -
Consultora Independente Lisboa, Paris
Conteúdos & redacção de documentos. Press kit, press-release. Criação de conteúdos para suportes de comunicação.Conteúdos especificos para comunicação interna
Parceiros: Ideia Certa, Formiga Luminosa, imprensa portuguesa ( todos os meios) e lusofona ( Brasil, Angola,Mocambique), imprensa espanhola ( meios generalistas), imprensa francesa ( todos os meios) e ligada as questões europeias.
Referências : Unesco, Ordem dos Economistas, Grupo de saúde nacional, Universidade Lusófona, Makro, Simafi-Sociedade gestora de fundos de pensões, BG Presse (Paris), Association Française pour la Formation d´Adultes (AFPA), Administração do Porto de Lisboa.
2000-2003
Responsável de clientes - Área da Comunicação Institucional - Responsável de clientes para a agência de comunicação Agenda Estratégica , Lisboa (sector
privado e institucional e internacional ). New- business e gestão o de fornecedores : responsável pelo acréscimo de cerca de 90 Keuros/ ano na facturação - novos clientes : Bouygues Immobiliária, Air France, Norscut, LPM, McLane ... ).
1998-1999
Responsável operacional
Interface operacional entre a administração da Expo´98 e os pavilhões da França, dos paises francofonos, de Espanha e da Liga Arabe. (24 paises).
§ Gestão da logistica e coordenação de uma rede de fornecedores internationais em situação de urgência/crise, Responsável pelo bom cumprimento das normas (segurança, construção, pagamentos, respeito dos prazos)§ Negociação e gestão dos contratos juntos dos representantes oficias dos pavilhões ( Embaixadores/ Comissários)Representante oficial em cerimonias institucionais e diplomáticas
§ Reporting junto da administração da Expo´98
1996-1998
Directora de comunicação & relações exteriores (DCRE)§ Responsável da comunicação e das relações exteriores do Gattel, gabinete encarregue pelo 1ro Ministro
do controlo da construção da ponte Vasco da Gama. Definição e implementação da comunicação §Gestão da parceria com o consorcium internacional encarregue da obra
§.Coordenação do concurso internacional relativo a cobertura audiovisuaL durante a obra§ Agenda Estratégica
Lisboa Exposição Mundial de de Lisboa 1998 (Expo´98)
Lisboa GATTEL –Ponte Vasco da Gama
Lisboa § Assessoria mediatica & gestão dos contactos institucionais ( nacionaius & internacionais- visita oficiais, imprensa internacional,…)Representante oficial em eventos oficiais §Reporting junto do presidente do Gattel
1995-1996
Chefe de projecto
Interface entre a Universidade Autónoma, o Ministério do Trabalho e da Segurança Social portuguê e o seu homologo em França, juntando a Associação dos Empresários Portugueses de França (Paris para a organização de um coloquio em Paris – Centro Gulbenkian e salle Gaveau – sobre « o êxito do empresariado português de França » - 200 participantes Colaboração no estudo/ inquérito apresentado durante o evento
1991- 1994
Universidade Autónoma
Lisboa, P Confederação Mundial dos Empresários das Comunidades Portuguesas
(CMECP)
Lisboa Secretária – Geral Secretária – Geral da CMECP, organismo associativo independente cujo o objectivo em colaboração o Ministério dos Negócios Estrangeiros era o da implementação de uma política de internacionaliza da economia portuguesa baseada nos empresários das comunidades portuguesas ( sede Lisboa representações em França, Espanha, Reino-Unido, Luxemburgo, Suiça, Brasil, Angola, Mocambique, U Canada, Argentina, Venezuela, Africa do Sul, Austrália).
Implementação da estrutura operacional inicial em Lisboa internacional de associados mediante a realização de mis económicas e diplomaticas, acompanhadas de uma estratégia de comunicação específica.
• Implementação de serviços correspondentes as necessidades dos associados ( base de da
• Acções de formação ponctuais para empresários e outros públicos adultos em Comunicação-Marketing (MFormação- Lisboa)
1991 DEA (Diplôme d’Etudes Approfondies – Master 2) – Histoire du XXème siècle
Institut d´Etudes Politiques – Paris.
1988 Maîtrise Es-Lettres em Langues Etrangères Appliquées (LEA) Universidade Paris IV Sorbonne – Paris
1986 Licence Es- lettres em Langues Etrangères Appliquées (LEA)
1986 Diploma de tradução ( francês-português) da Chambre de Commerce & d´Industrie de Paris
1985 Diploma de língua e civilização portuguesas
Universidade Nova – Lisboa
1982 Baccalauréat Série A - Littérature
Lycée Marie Curie - Sceaux
Conhecimento e prática na óptica do utilizador de: Word, Excel, Powerpoint e internet
4 línguas Línguas maternas: Francês, Português / Línguas de trabalho: Inglês, Espanhol
Forte empenho nas questões associativas e europeias:
Membro do Conseil da « Fondation Jean Monnet » - Lausanne – Bruxelles
Membro do Conseil d´administration da «Association Jean Monnet»- Paris- Bruxelles
Membro da Association «Europe&Entreprises»- Paris
Sócia Fundadora da Associação «Mulher Migrante»-Lisboa
Colaboração regular junto de alguns suportes tais como :
• « Métiseurope » , jornal europeu online que se dedica as questões laborais na Europa dos 27.
• «La Critique Parisienne»
• « le Petit Journal de Lisbonne » (jornal online com actualidade local e internacional em língua francesa)
Participação regular em seminários de desenvolvimento pessoal e em acções de coaching na área
profissional
• Publicações : Artigos na imprensa portuguesa e francesa
3 - CRISTINA RODRIGUES
Nom/prénom:Rodrigues Cristina
Age :44 ans
Nationalité: Portugaise
Etat Marriée
Téléphone
022/793.47.90
077/458.95.60
Adresse e-mail bboutiquecristy@bluewin.ch
Expérience professionnelle
2009/2011
2000/2011
1996/2011
2000/2010
2001/2011
1992:
Mars/ nov. 1990:
Mars/ nov. 1989:
Chroniques « fait divers » dans le journal « Gazeta Lusofona » en Suisse
Création, organisation d’événements tel que Miss Portugal Suisse à Genève, Mini-Miss « Alma Lusa », foire d’exposition culturel et artisanal sur Portugal en Suisse, et d’autres événements privés Indépendante, commerce de meubles et décoration
Indépendante, commerce de robes de cérémonie Responsable et locutrice à la radio « Alma Lusa » « Arremesso » et « Camões »
Aide bibliothécaire à l’IES
Serveuse au restaurant « La marmite »
Serveuse au restaurant « La marmite »
Scolarité
Scolarité obligatoire, 12 ème année du secondaire .
Manitoba, école privé d’anglais
Ecole Hôtelière
Aptitudes et compétences :
Langue maternelle : portugais/français
Très bonnes connaissances en anglais parlé et écrit.
Bonnes notions d’espagnol.
DEPUTADO CARLOS GONÇALVES
Nome Completo
Carlos Alberto Silva Gonçalves
Data de Nascimento
20-10-1961
Habilitações Literárias
Licenciatura em Geografia e D.E.A. Pluridisciplinar Geografia, Sociologia e
Agronomia ( Diplôme d’Études Approfondies – Université Paris X)
Profissão
Técnico de Serviço Social e Cultural
Cargos que desempenha
o Deputado na XII Legislatura
o Presidente da Comissão Política do PSD em Paris
o Membro da Delegação da AR à APCE
Cargos exercidos
o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
(XV Governo Constitucional)
o Deputado na IX, X e XI Legislaturas
o Presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – França
o Vice-Presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Luxemburgo
o Membro da Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica
o Secretário-Geral Adjunto e Presidente da Mesa da Assembleia Geral do
Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas
o Membro da Comissão de Assuntos Europeus e Política Externa
o Membro da Subcomissão das Comunidades Portuguesas
Condecorações e Louvores
o “Chevalier de la Légion d’Honneur” - França
o Grã-Cruz da Ordem de Mérito do Grão Ducado do Luxemburgo
Comissões Parlamentares a que pertence
o Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas
o Comissão de Defesa Nacional [Suplente]
o Comissão de Assuntos Europeus [Suplente]
DR. NUNO ARAÚJO
Formador e consultor
Jornalista
Licenciado em Psicologia pela FPCE da Universidade de Coimbra
Frequenta o Mestrado em Economia e Gestão de Recursos Humanos pela FEP – Universidade do Porto
Até 2008 responsável pela publicação mensal Revista Portugal, vocacionada para as Comunidades Portuguesas
Jornalista durante 12 anos na imprensa regional e comunidades portuguesas
Organização de diversos colóquios, seminários e encontros sobre lusofonia, imprensa regional e comunidades portuguesas
Membro de diversas instituições e colectividades de carácter cultural, filantrópico e recreativo
MESTRE LOURDES DE ALMEIDA
Cédula: 6.076.098
Nombre: María de Lourdes De Almeida De Almeida
Dirección habitación
Calle: Calle Los Pinos
Casa o Edificio: Qta. Pardilhó- Nº58
Ciudad: El Junquito
Urbanización: El Tibrón
Información de Contacto:
Teléfonos habitación: 0212-6380783
Celular: 0412-3297785
Correo electrónico: milu1804@gmail.com
Estado: Vargas
Informação adicional:
ESTUDOS REALIZADOS
Institución:
Año de graduación:
Título obtenido:
Trabajo de investigación: Barreras Psicológicas en el Aprendizaje de un
Segundo Idioma
CURSOS REALIZADOS Universidad Metropolitana, Caracas 1977.Licenciado en Idiomas Modernos. Secretaria Bilingüe – Academia Londres, Caracas, 1973. Curso Avanzado de Inglés - Bristol Community College, Mass - 1974.Traducción e interpretación - Centro de Idiomas Berlitz, Escuela deIntérpretes y Traductores , Caracas, 1991.Super Learning – Instituto Lozanov, Caracas- 1983. Ventesol - Annual Meeting of English
Teachers1985,1986,1991,1992,1994,1997,1999,2002- Venezuela.Master in Educational Planning- Instituto Internacional de Andragogía-Universidad del Zulia.Língua e Cultura Portuguesas, Universidad de Lisboa, Portugal, 1995
EXPERIÊNCIA PROFESSIONAL
Centro Docente Católico – Chuao - 1974/1976 – Profesora de Inglés. Oficina Central de Asesoría Técnica – 1977 – Secretaria Bilingüe la gerencia ejecutiva. Instituto Universitario Francisco de Miranda-Caracas – 1978 - Profesora de Inglés. Ministerio de la Defensa- Escuela de Idioma de las Fuerzas Armadas- 1979/2006 - Coordinadora Académica, Profesora de Inglés y Portugués Traductora – Portugués, Español e Inglés.
Escuela Superior de la Guardia Nacional - 1991/1994 – Coordinador.Académico para los cursos de Inglés para el Major Staff.CBC English Effective Center 1998/2002-Profesora de Inglés para los cursos empresariales de Inglés para PDVSA CIED, dictando todos los niveles, desdeintroductorio hasta niveles conversacionales.
RECONHECIMENTOS
BOTON ESCUELA DE IDIOMAS GENERALÍSIMO FRANCISCO DE MIRANDA
INSIGNIA ESCUELA DE IDIOMAS GENERALÍSSIMO FRANCISCO DE MIRANDA
MEDALHA MÉRITO AL TRABAJO DEL EJÉRCITO VENEZOLANO EN TERCER GRADO
MEDALHA NACIONAL
INSIGNIA VENEZOLANAS.
ORDEN JUAN MANUEL CAJIGAL,EL 12 DE FEBRERO DEL IMPUESTA POR EL PRESIDENTE DE LA REPUBLICA DE VENEZUELA, EN LA VICTORIA. CON MOTIVO DEL DIA DE LA JUNVENTUD.
ORDEN MERITO AL TRABAJO DEL ESTADO PORTUGUES, AÑO 2005. POR SU ACTIVIDAD EN PRO DE LA COMUNIDAD PORTUGUESA ENVENEZUELA. MÉRITO AL TRABAJO EN SU ÚNICA CLASE GUARDIA
SIMÓN RODRIGUEZ DE LAS FUERZAS
PROFª DOUTORA ROSA NEVES SIMAS
Estudos de Género
(2011)
Dept. de Línguas e Literaturas Modernas
Universidade dos Açores
9500 Ponta Delgada, AÇORES
telefone: 296-650-188/9
fax: 296-650-186
PhD, Literatura Comparada, University of California, Davis e Berkeley.
Especialidade: Literatura das Americas - Estados Unidos, Hispano-América & Brasil.
Dissertação: Circularity in Three Twentieth-Century Novels of the Americas by
William Faulkner, Gabriel García Márquez and Osman Lins.
Orientador: Professor Robert Torrence.
Aprovação: 15 Junho 1990
Coordenadora, Asas da Igualdade, página mensal sobre questões de género no jornal
Açoriano Oriental, 2007-presente.
Coordenadora, Nas Asas da Igualdade, 12 meses de eventos para assinalar 2007, Ano
Europeu da Igualdade de Oportunidades, nos Açores, UMAR-Açores, 2007.
Professora, “O Género na Língua e na Literatura” – Primeiro Curso Estudos do Género
na Universidade dos Açores, 2001.
No prelo: “Formação e Trabalho no Feminino: Educação, Actividade e Identidade,”
Departamento de Ciências da Educação, Universidade dos Açores, org. Susana Leal.
“O Género na Língua: O Caso do Português e do Inglês” in Quem Tem Medo dos
Feminismos? Volume I, Actas do II Congresso Feminista, Funchal: Nova Delphi, 2010:
197-206 www.umar.org
A Mulher e o Trabalho / Women and Work, Volumes V e VI de A Mulher nos
Açores e nas Comunidades / Women in the Azores and the Immigrant Communities.
Coordenação e Tradução. Ponta Delgada: UMAR-Açores, 2008. www.uac.pt/mulher
Agenda da Igualdade 2008, Ponta Delgada: UMAR-Açores, 2007.
“A Colectânea A Mulher nos Açores e nas Comunidades” in A Vez e a Voz da Mulher
Imigrante Portuguesa: Actas do 1º Congresso Internacional / The Voice and Choice of
Portuguese Immigrant Women: Proceedings. University of Toronto, 2005: 187 - 191.
A Mulher nos Açores e nas Comunidades / Women in the Azores and the Immigrant
Communities, (4 Volumes) Coordenação e Tradução. Ponta Delgada: Empresa Gráfica
Açoreana, 2003. www.uac.pt/mulher
“Uma 'story' chamada Mariana: O romance de Katherine Vaz” in Arquipélago: Línguas
e Literaturas, Universidade dos Açores. Volume. XV, 1998: 389 - 401.
"A Pérola Nemesiana II: Margarida em “Mau Tempo no Canal” in Vitorino Nemésio:
Vinte Anos Depois, Lisboa: Edições Cosmos, 1998: 255 - 262.
"A Pérola Nemesiana: Margarida em “Mau Tempo no Canal” in Insulana: Instituto
Cultural de Ponta Delgada, Vol. L, Nº 1, 1994: 125 - 37.
"A Mulher: De Portugal aos Estados Unidos" in Comunicações do III Congresso das
Comunidades, Angra do Heroísmo: Gabinete de Emigração, 1991, 427 - 430.
"Pescando a Entrelinha: Virginia Woolf & Clarice Lispector" in Arquipélago: Línguas e
Literatura, Universidade dos Açores, Volume IX, 1987: 95 - 112.
CONFERÊNCIAS/WORKSHOPS/EVENTOS:
“Generational Dynamics in Migration: Shifting the Gender and Environmental Issues”
– 16th Internation Metropolis Conference, Azores, 12-16 Setembro 2011
“Azorean-California Women: Diversity within a Common Heritage” – 16th Internation
Metropolis Conference, Azores, 12-16 Setembro 2011
“Formação e Trabalho no Feminino: Educação, Actividade e Identidade” – Jornadas
sobre Formação e Trabalho, Deptº de Ciências da Educação, UAç, 18 Junho 2010.
“Contra a Violência Doméstica: 3 Estórias para Jovens” – Esc. Sec. das Laranjeiras,
Ponta Delgada, Dia Internacional contra Violência Doméstica, 25 Nov 2009.
“A Mulher e o Trabalho” – Seminário Empreender Mulher ’09, Cresaçor: Cooperativa
de Solidariedade Social, Ponta Delgada, 21 Out 2009.
“A Mulher Açoriana nas Comunidades” – II Encontro Multiculturalismo Açoriano,
Museu da Emigração e Câmara Municipal da Ribeira Grande, 4-5 Dez 2008.
“O Género na Língua: O Caso do Português e Inglês” – II Congresso Feminista em
Portugal, UMAR, Lisboa, 26-28 Junho 2008.
Organização de Conferência Internacional A Mulher e o Trabalho: Europa, Portugal,
Açores e Comunidades, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, 5-6 Maio 2008.
Coordenação do projecto Nas Asas da Igualdade da UMAR-Açores para 2007, Ano
Europeu para a Igualdade de Oportunidades para Todos, Jan-Dez 2007.
“Gerações em A Mulher nos Açores e nas Comunidades / Women in the Azores and
the Immigrant Communities” – Associação Mulher Migrante, Lisboa, 26-27 Nov 2004.
“A Mulher no Mundo do Trabalho nos Açores e nas Comunidades” – IIº Seminário de
Mulheres Empresárias da Macaronésia, Funchal, Madeira, 27-28 Nov 2003.
“A Colectânea A Mulher nos Açores e nas Comunidades – I Encontro A Vez e Voz da
Mulher Imigrante Portuguesa, University of Toronto, Canada, 19-21 Set 2003.
“O Género na Língua: O Caso do Português e do Inglês” – Comemorações do Dia
Internacional da Mulher, Câmara Municipal de Ponta Delgada, 9 Março 2002.
Organização da I Conferência Internacional A Mulher nos Açores e nas Comunidades:
Educação, Saúde e Assuntos Legais – Universidade dos Açores, 16-18 Julho 2001.
Tradução em simultâneo (Português/Inglês) Workshop Mulheres Vítimas de Violência
e Violação, UMAR e União Europeia – Ponta Delgada, 27-29 Out 1998.
"A Pérola Nemesiana II: Margarida em Mau Tempo no Canal” - Congresso
Internacional de Estudos Nemesianos - Ponta Delgada, 18-21 Fev 1998.
"A Pérola Nemesiana: Margarida em Mau Tempo no Canal” - Encontro Comemorativo
dos 50 Anos da Publicação de Mau Tempo no Canal - Ponta Delgada, 23 Junho 1994.
"On the Road to Tijucopapo: A Feminist Analysis of Marilene Felinto's As Mulheres
de Tijucopapo" - Conferência Anual da AATSP (American Association of Teachers of
Spanish and Portuguese) - New York, NY, 11-13 Dez 1992.
"A Mulher: De Portugal aos Estados Unidos" - III Congresso das Comunidades,
Gabinete de Emigração e Apoio às Comunidades - Ponta Delgada, 28-30 Nov 1991.
Organização de Simpósio Bilingue A Mulher: De Portugal aos Estados Unidos (Vozes
femininas na Lit. Port. Idade Média ao Presente), California, 27-28 Abril 1991.
PROFESSORA DOUTORA
MARIA DA CONCEIÇÃO PEREIRA RAMOS
E-mail - cramos@fep.up.pt
Faculdade de Economia - Universidade do Porto
Rua Dr. Roberto Frias - 4200-464 Porto - Tel.: 351 225571100/279
CV Resumido
Professora na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, onde foi responsável pela disciplina “Economia das Migrações Internacionais” do mestrado em Economia.
Investigadora no Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), Universidade Aberta, onde foi responsável, desde 1995, pela disciplina “Grandes Diásporas” do mestrado em Relações Interculturais.
Doutorada em Ciência Económica - Economia dos Recursos Humanos pela Universidade de
Paris I, Sorbonne. Tese de Doutoramento: "Marchés du Travail et Migrations Internationales: Croissance, Crise et Marché Unique. Cas du Portugal et de la France", 1990.
As suas áreas de docência e pesquisa incidem sobre as Migrações Internacionais e Diásporas, nomeadamente o caso português, domínios em que tem publicado, orientado numerosas teses, organizado eventos científicos, realizado comunicações e conferências e coordenado projectos académicos e de investigação internacionais.
Foi consultora da OCDE e do Conselho da Europa para as migrações internacionais. Coordenou e organizou o Simpósio Diásporas e Mobilidades – Desafios Multidisciplinares e de Género no Seminário Internacional Diásporas, Diversidades e Deslocamentos, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 23-26/08/2010. Coordenou em Portugal o Projecto Científico financiado pela Comissão Europeia (2002-2006) Dual Citizenship, Governance and Education - A Challenge to the European Nation State (DCE).
Algumas publicações dos últimos anos sobre migrações e diásporas:
- “Migrações internacionais e género – dinâmicas de participação das mulheres portuguesas imigrantes”. In R. Boschilia e M. L. Andreazza (Orgs.) Portuguesas na diáspora: histórias e sensibilidades, Curitiba, Ed. UFPR, 2011, p. 137-160.
- “Mondialisation, Citoyennetés, Cultures”. In I. Constantinescu et al. (Org.) Crossing boundaries in culture and communication – Au delà des frontières de la culture et de la communication, Bucareste, Universidade Romeno-Americana, 2011.
- “Migrações e Género – Trabalho, Empreendedorismo e Discriminações”. Seminário
Internacional Fazendo Género 9 – Diásporas, Diversidades,Deslocamentos,U.F.S.C.,
23-26/08/2010,(http://www.fazendogenero.ufsc.br/9/)
1278297633_ARQUIVO_ComunicacaoFlorianopolisMCPR(1).pdf - Adobe Reader.
- “Migração, dinâmicas associativas e culturais”. In Seminário Internacional A Voz dos Avós: Migração e Património Cultural, Universidade Aberta/CEMRI, Universidade de Toronto, Universidade dos Açores, Lisboa, 26-28/7/2010.
- “Migrações, desenvolvimento e dinâmicas locais e regionais”. In V Jornadas de Estudo sobre as Grandes Problemáticas do Espaço Europeu, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 28-29/5/2010.
- Economic Migration, social cohesion and development: an integrated approach. Migrations économiques, cohesion sociale et développement: vers une approche intégrée. Strasbourg, Conseil de l'Europe, 2009, 214 p. (co-autora).
- "Mulheres Portuguesas na Diáspora - Inserção Laboral e Papel nas Redes Sociais". In L. D. Seabra, M. A. Espadinha (eds) A vez e a voz da mulher portuguesa na diáspora: Macau e outros lugares. Macau, Universidade de Macau, 2009, p. 305-330.
- “Mulheres portuguesas na diáspora – mobilidades, trabalho e cidadania”. In M. Aguiar(coord.) Cidadãs da diáspora – Encontro em Espinho, ed. Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade, 2009, p. 44.
- “Migrações qualificadas, internacionalização dos recursos humanos e gestão intercultural”. In Olhares Portugueses sobre a Contemporaneidade, Universidade Federal da Bahia, 18-20/8/2009.
- “Impactos demográficos e sociais das migrações internacionais em Portugal”. In N. Ramos (coord.) Saúde, Migração e Interculturalidade. Perspectivas teóricas e práticas. João Pessoa, EDUFPB, 2008, p. 11-44.
- “Gestão da diversidade e da educação nas sociedades multiculturais e do conhecimento”. In N.Ramos (coord.) Educação, Interculturalidade e Cidadania, Bucareste, ed. Milena Press, 2008,
p. 6-29.
- "Globalização, Políticas Sociais e Multiculturalidade". In A. Rubim, N. Ramos (Org.) Estudos da Cultura no Brasil e em Portugal, Salvador, EDUFBA, 2008, p. 145-182.
- "Dual Citizenship, Governance and Education: Survey Among National Policy Makers and Authorities in Portugal". In D. Kalekin-Fishman, P. Pitkanen (eds.) An Emerging Institution ? Multiple Citizenship in Europe Views of Officials, Bern, Peter Lang Publishers, 2008, p.187-222 (co-autora).
- "Travail et Circulations Migratoires – Le Portugal pays relais des migrations en Europe". In E. M. Mouhoud, J. Oudinet (dir.) L’Europe et ses Migrants – Ouverture ou Repli ? Paris, L’Harmattan, 2007, p. 215-270.
- "Imigração, Desenvolvimento e Competitividade em Portugal". Revista Economia e
Sociologia, nº 84, 2º semestre 2007, p. 71-108.
- « Diásporas, culturas e coesão social ». In R. Bizarro (coord.) Eu e o outro. Estudos multidisciplinares sobre identidade(s), diversidade(s) e práticas interculturais, Porto, Areal Editores, 2007, p. 78-95.
- "Multiple Citizenship - Case-Studies Among Individual Citizens in Portugal". In P.
Pitkanen, D. Kalekin-Fishman (eds.) Multiple State Membership and Citizenship in the Era of Transnational Migration. Rotterdam, Sense Publishers, 2007, p. 41-65 (co-autora).
- “Rôle économique des femmes dans la famille: le cas de chefs de famille en milieu
urbain, au Brésil et au Portugal » in XI èmes Journées Internationales de Sociologie du Travail, « Restructuring, precarisation and value », workshop 7 « Genre, ethnicité, division du travail et carrières ; Gender, ethnicity, the division of work and of careers » London, Metropolitan University, Working Lives Research Institute, 20-22/6/2007 (co-autora), (www.jist2007.org/).
- «Le Portugal, de l’Emigration à l’Immigration ». Revue Santé, Société et
Solidarité, «Immigration et Intégration», nº1, 2005, p.203-215. (http://revue.persee.fr/prescript/
revue/oss).
- "Dupla Cidadania, Governação e Educação: um Desafio para o Estado Nação Europeu",
Revista Portuguesa de Pedagogia, ano 39, nº 1, 2005, p. 240-245.
- "Immigration in the Portuguese Demography and Some Impacts of Emigration and Return". In Ch.Dienel (Hrsg.), Abwanderung, Geburtenruckgang und Regionale Entwicklung. Wiesbaden, VS VERLAG, 2005, p.305-323.
- "Immigration, Construction Européenne et Globalisation". In Economie Teoreticã si Aplicatã, vol. I, Universitatea Romãno Americãna, Bucuresti, Universul Juridic, 2005, p. 363-392.
- "Dual/Multiple Citizenship in Portugal". In Y. Schröter, Ch.Mengelkamp, R. Jäger (ed.) Doppelte Staatsburgerschaft, Landau, Verlag Empirische Padagogik, 2005, p. 309-335 (co-autora).
- «Nouvelles dynamiques migratoires au Portugal et processus d’intégration». Revue Française des Affaires Sociales, nº 2, avril-juin 2004, Paris, p. 111-144.
- “Le Portugal, pays relais de la migration en Europe”. Revue Migrations – Études, nº 116, août- septembre 2003, Direction de la Population e des Migrations (DPM), Paris, ed. ADRI, 16 p (www.adri.fr).
- "Dinâmicas e estratégias socioeconómicas relativas à emigração portuguesa". In Porto de Partida – Porto de Chegada. A Emigração Portuguesa. Lisboa, Âncora Editora, 2003, p. 57-78.
- "Dinamiche Economiche Nell’ Europa Dell’ Euro, Immigrazione e Lavoro". In L. Sommmo e G. Campani (dir.) L’Euro - Scenari Economici e Dimensione Simbolica, Milão, Guerini Studio, 2001, p. 101-118.
- "Economic integration of Portugal in the European Union: effect on direct investment, migration and employment". In Globalisation, Migration and Development, Paris, OECD, 2000,
JACQUELINE CORADO DA SILVA
CV artístico
Representando no seio de uma companhia portuguesa implementada em Paris. Em paralelo, estuda harpa e dança clássica durante 8 anos no Conservatório Francis Poulenc.
Efectua várias digressões longe do teatro e multiplica as viagens, nomeadamente na América latina, antes de regressar a Paris para seguir o curso da Belle de Mai e da Escola Claude Mathieu. Assim que acaba o curso, volta a viajar após ter atuado em várias peças, muitas vezes bilingues ou estreitamente ligadas a outras culturas.
Representa nomeadamente em « almoço em casa de Wittgenstein », dirigida pelo Paulo Castro no teatro do Campo Alegre, no Porto, antes de se instalar em Nova Iorque e de trabalhar com Marcia Haufrecht do Actor’s Studio. Volta ao Teatro no Porto para uma encenação do Júlio Cardoso antes de se estabelecer definitivamente em Paris. Continua no entanto a participar com regularidade em experiências de formação e pesquisa no estrangeiro (Larry Moss, Michael Margotta, Simon Mc Burney, Philippe Adrien, Joël Pommerat…). Falando fluentemente quatro línguas, trabalhou com diretores de teatro e de cinema de numerosas e variadas nacionalidades e origens em várias curtas-metragens, filmes ou séries para a televisão a nível internacional, em Inglês, Francês, Espanhol ou Português. Nomeadamente sob a direção de Thomas Gilou, Tony Gatliff, Gilles Béhat, Oscar Sisto, Frédéric Auburtin, Martin Valente, Sofia Papakristou, Meyar Al Roumi, etc. e contracenou com Gérard Depardieu, Antonio Fonseca, François Berleand, Simone de Oliveira, Pierre Richard… Desde 2007, participou regularmente em mais de vinte peças radiofónicas para France Inter ou France Culture. Cantou também com vários grupos de música (jazz, bossa, fado, pop…) e participou em espetáculos misturando canto, dança e teatro. Em 2007 foi convidada pelo CHARLEMAGNE ORQUESTRA na Bélgica, para ser a recitante do Midsummer Nigth’s Dream de Mendelssohn sob a direção do maestro Bartholomeus Henri Van derVelde.
Desde 1995, paralelamente à sua carreira de actriz, intervém com certa regularidade nos liceus e colégios ditos « difíceis», dando aulas de teatro e dirigindo os alunos.en cena. Intervém também como coach junto de adultos, actores ou não.
Enfim, em 2007, cria a sua própria companhia de teatro « VIDA VIVA », cujo objectivo é de montar peças e espetáculos multiculturais, e de suscitar encontros e intercâmbios entre artistas de horizontes diversos. É com esta companhia que cria, em 2010, o monólogo « BERTHA M., uma outra história de amor » da autora ontemporânea Sueca Malin Lindroth, e em 2011 no Centro Calouste Gulbenkian em Paris, O MOVIMENTO DO MUNDO, montagem à volta dos poemas do Nuno Júdice, que ela própria encena e na qual participa juntamente com dois outros actores.
CV
Bartolomeu, concelho da Lourinhã, imigrados em França desde 1968.(Uma irmã, Joaquina Corado Da Silva, nascida em Portugal em 1965, começou os estudos demedicina em França mas decidiu regressar a Lisboa em 1985, casada com um Lacobrigense
(Lagos), duas filhas, exerce como médica dentista.)
Estudou na escola Francesa e paralelamente na escola Portuguesa, rue Boissièrre (até ao 12°ano).
Diplomas:
• Baccalaureat C (matemática, Física) ;
• DEUG em política económica e negócios internacionais da universidade PARIS I –
PANTHEON SORBONNE ;
• ESCP ( École Supérieure de Commerce de Paris), opção finanças ;
• MBA exchange program com ITESM (Instituto Tecnoligico y de Estudios Superiores de
Monterrey), Monterrey, Mexico ;
• Vencedora do concurso em economia política da Universidade de Saint Gall (Suiça) (1995).
Paralelamente ao colégio e liceu, começou o teatro aos nove anos de idade no grupo de teatro amador « A PEDRINHA», composto por imigrantes Portugueses em França, dirigido porAntonio Cravo. Foi o primeiro contacto com o público, visto que a companhia fazia digressões em toda a França, perto das comunidades portuguesas.
Conservatório Francis Poulenc (Paris 16) em Harpa e dança classica durante oito anos.
Viveu seis meses no México no âmbito do MBA exchange program, seis meses na Venezuela
(1994), como estagiária, perto da vice presidência do Banco Provincial, primeiro banco do país, no programa de desenvolvimento de novos produtos financeiros, no âmbito de uma parceria entre o governo Francês e Venezueliano. Regressou a França em 1995 para acabar o curso na área de finanças, e tomar a decisão de voltar à primeira paixão: o teatro. Recusa então a proposta do grupo internacional Mac Kinsey, para integrar a sua sucursal emFrança, para trabalhar num pequeno teatro privado em Paris, «le théatre de la Main d'or». Rapidamente é aceite na Escola Claude Mathieu, onde passa dois anos antes de voltar a trabalhar em projectos Luso-franceses.
Em 1999 / 2000 vive entre Nova Iorque (onde trabalha com Marcia Haufrecht, do ACTOR5S STUDIO) e o teatro da Seiva Trupe no Porto, onde foi convidada para participar numa peça de Thomas Bernardh, encenada por Paulo Castro. Volta a trabalhar com a Seiva Trupe em MARLENE, onde tem como parceira Simone de Oliveira. Regressa depois a França, que será a sua base, mas continua a participar em projectos em vários países (Belgica, Grécia, Portugal, Espanha) e regularmente em projectos directa ou indirectamente ligados a Portugal (cf Curiculo em anexo).Durante três anos (2005/2007) intervem regularmente na AMERICA'S CUP, como apresentadora de eventos ou como coach para os vários managers.
Paralelamente à sua carreira profissional, anima aulas de teatro com crianças e adolescentes:nos anos 90, interviu em colégios em Bobigny com alunos em dificuldades escolares e /ou sociais; de 2000 a 2006 tratou de aulas com jovens adolescentes com problemas de aprendizagem, em zonas rurais, utilizando o teatro como ferramenta de integração - experiência muito enriquecedora junto a jovens sofrendo de problemas comportamentais, que graças ao teatro recuperam a confiança e o respeito e conseguem ultrapassar os seus «bloqueios».
Em 2007 cria a companhia VIDA VIVA, com sede em Paris mas virada para o intercâmbio
entre França, Portugal e não só. Com essa companhia, encena Bertha M., da autora Sueca Malin Lindroth e dirige a sua primeira encenação à volta dos poemas de Nuno Judice, O MOVIMENTO DO MUNDO, apresentado no Centro Calusto Gulbenkian em Paris em Maio de 2011. Actualmente a procura de fundos para poder desenvolver os projectos em carteira.
Professora NATÁLIA M RENDA CORREIA
Presidente da Associaçâo da Mulher Migrante na República Argentina e Socia Fundadora
Voluntaria do Hospital Bernardo Houssay de Vicente Lopez Bs. As. Argentina
Artista Plástica
Ex.Secretaria de la Sociedad Portuguesa de Socorros Mútuos de Buenos Aires
Ex. Miembro de Comisión Directiva del Club Portugués
Ex. Miembro de C. Directiva del Centro Patria Portuguesa
Ex. Conductora del Programa Radial Saudade de Portugal
Participó em diferentes Seminarios em Argentina e Portugal
Estudos Cursados:
Escola em Portugal até 4ta. Classe.
Argentina: Escola Primaria
Argentina Escola Secundaria Normal de Banfield
Argentina Escola Secundaria Nacional de Adrogué
Escola de Música Conservatoria Breyer em Bs.As.
Curso de Faturista: Nomenclador Nacional do Hospital Italiano.
Administrativa de 1° classe na Área da Saúde em Clínica Espora
Adrogué.
Artista Plástica : com Obras no Museo Jorge Luis Borges
Presentando suas Obras em diferentes mostras de arte:
Em Brazil, Uruguai Argentina.
Diretiva da Sociedade Portuguesa de Socorros Mútuos
Diretiva do Clube Portugués: Comisäo de Cultura
Diretiva do Centro Patria Portuguesa
Condutora do Programa Radial: Saudade de Portugal
Pte. Da Associacäo da Mulher Migrante Portuguesa
Socia Fundadora da Mulher Migrante Portuguesa
Voluntaria Dama Cör de Rosa do Hospital Dr. Bernardo Houssay de Vte. Lopez , desde o ano 1994.
Ornanizou o Seminario no ano 2005, na Biblioteca Nacional Jorge L. Borges, com a participacäo de Delegacöes de varios Paises.
Participou em diferentes Seminarios falando de diferentes Temas.
Participa em diferentes mostras de Teatro no festejo do Día do Emigrante.
No Día Internacional da Mulher participa em diferentes palestras.
No ano 2004 participou do Seminario “Mulheres Migrantes das
Diversas Geracöes” em Portugal.
Recebeu a Medalla ao Mérito pelos trabalhos realizados dentro da Comunidade Portuguesa de parte do Conselho das Comunidades Portuguesas na Rep. Argentina
Recebeu a Plaqueta ao Mérito no ano 2007 pelo seu Trabalho na Comunidade Portuguesa, durante 30 anos de actividade.
Ano 2007 representou A Associacäo em Portugal nos “Premios Talentos 2007”.
Representou no Cono Sul á Associacäo em diferentes oportunidades, também informando do trabalho realizado.
Participou em Diferentes Seminarios da Casa da Rúsia convidada Especial.
Participa nos Aniversarios dos Clubes Portugueses da Argentina.
GRAÇA FRAZÃO
Maria da Graça Martins Frazão Pires
Rua Nilo Torres, 238 apto: 44
Telefones: 5687 0854 cel. 8335 4018
Data de Nascimento: 20/07/61
grafrazao@hotmail.com
Escolaridade:
Ciências Sociais- PUC (incompleto)
Experiências Profissionais:
.Beka Beaut- Salão de cabeleireiro -Assistente de Maquiador
.Teens Comércio de Roupa - Loja com exclusiva da Marca Levis. -Vendedora
Marshall Lester- Loja com exclusividade de Marcas importadas. Moda Masculina
-Vendedora
Emília Borges Depilação- Salão especializado em depilação e manicure, com seis filiais e atendimento para mulheres. -Recepcionista
.Círculo do Livro- Empresa de vendas de livros em domicílio. -Recepcionista
Jeans Store- Loja exclusiva da Marca Levis -Subgerente e Gerente
Bizarre- Loja de moda jovem e com fabricação própria. -Gerente
Revista Naus's- Revista voltada a divulgação das tradições com circulação de 10 mil exemplares -Conselho Editorial
. Perfumaria Polimaia- Exclusiva na venda de produtos Importados.
-Diretora de loja
.Simone e Frazão Tratamento de Beleza- salão de cabeleireiro na Vila Mascote.
-Proprietária
.Bizarre. -Loja de moda jovem e com fabricação própria.
-Área administrativa, DP, contas a pagar e controle de arquivos, E-commerce
-Menta Evento-responsável pelos Eventos corporativos-atual
Cursos:
.Instrumentação Cirúrgica. Colégio Santa Marta- 200 h de estágio.
. Maquiagem: Givenchy, Lâncome, YSL, Pupa, Art. Deco, Dior, Boujouir.
.Perfumes: A escolha de fragrâncias, notas, vidros e seus criadores. Armani, Dior, Chanel, Calvin Klein, Paco Rabanne, Kenzo, Sisley, entre outros.
.As marcas e seu poder de venda.
.Decoração de ambientes
.Decoupage, Scrap- book, Pintura a óleo
.Inglês básico: Yazigi nível três, School Hart Ford - Newington- USA
MARIA DO CÉU CAMPOS
Emigrei para a Alemanha em 1975,quando casei mas nunca desisti de aprender,não na escola, porque não houve tempo para isso, mas para me formar conhecendo culturas,integrando-me e trabalhando em alguns sectores do voluntariado.
Depois de ter feito de tudo um pouco, sou funcionária numa firma do sector automóvel.
No voluntariado:
-dirigente associativa,durante vinte anos -1985-2005
-Membro do Conselho Pastoral da Missão Católica Portuguesa de Ulm desde 2000,ano em que foi criado o Conselho pela Diocese e, anteriormente, ajudei sempre o nosso missionário, desde que cheguei em 1975- cinco anos vice-presidente
-representante desse Conselho no Conselho de Decanato de Ulm-Ehingen
-Membro do Conselho para questões de integração da Câmara Municipal de Ravensburg desde 1989-mandato até 2014
-Membro do Conselho Municipal para a terceira idade durante 10 anos,1995-2005
-Membro do forum da cultura de Ravensburg durante 5 anos.
-Membro da direcção do partido Cristão Democrata Alemão-CDU,secção de Ravensburg,1999 até hoje
-Presidente da Assembleia-Geral do PSD na Alemanha
-Candidata âs eleições autárquicas e distritais,em Ravensburg,em 1999-2004-2009
-Candidata pelo PSD no círculo da Europa às eleições legislativas de 2009
-Membro do Conselho Consultivo do Consulado-geral de Portugal em Estugarda
-Membro da Comissão orgnizadora das semanas dos estrangeiros desde 1985-da responsabilidade da Câmara
-Agraciada com a medalha se S: Martinho pela Diocese de Rotemburgo-Estugarda em 2002
-Convidada pela sra. Chanceler Angela Merkel para uma recepção na chancelaria em Berlim, Alemanha diz Obrigado, em 1 de Outubro de 2008,onde foram distinguidos 200 emigrantes de todas as nacionalidades,entre eles dois portugueses, eu e um colega de Augsburg.
-Colaborei na organização do projecto para a integração da Câmara Municipal,dando ideias e desenvolvendo experiências.
MESTRE EMMANUELLE AFONSO
emmanuelle.afonso@gmail.com
Tel: 964325503
Rua das Musas, lote 3.07.01,2B. 1990-165 Lisboa. Portugal
Nascida a 28/01/69. União de facto. Dupla nacionalidade: Luso-Francesa
CURSOS SUPERIORES
MBA em Gestão (parte lectiva), pelo ISEG -Instituto Superior de Economia e Gestão
Universidade Técnica de Lisboa. 1993
Diploma EDHEC (Lille), pela EDHEC -École De Hautes Études Commerciales-, uma das
mais prestigiadas "Grandes Écoles" de gestão em França (5ª no ranking nacional). 1991
B.A. Honours in Business Studies, pela Escola Politécnica de Brighton, na Inglaterra. 1991
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
Desde 2002
BLUE IMPACT – Empresa própria - Sócia-Gerente e trabalho de Freelancer desde
2006
• Consultora, auditora e Formadora nas áreas de Marketing e comunicação
• Empresas clientes nos sectores farmacêutico, ambiente, imobiliária, estudos de
mercado,...
2000-2001
Kemin Foods Europe (Multinational Americana, 10 emp., 105M) - Marketing Manager,
Europe
• Actividade Business to Business
• Lançamento pan-europeu de um novo conceito para prevenir e combater a DMI:
Degenerescência Macular relacionada com a Idade
• Definição e implementação de uma estratégia para 6 países Europeus, com a
respectiva adaptação local: coordinação das conferências de imprensa e de toda
a comunicação, em conjunto com as agências de Relações Públicas e Publicidade
dos vários paises
• Acompanhamento comercial das empresas clientes, nas áreas alimentar,
farmacêutica e cosmética, pela negociação de co-marketings
1996-2000
Laboratórios AZEVEDOS Ind. Farmacêutica, S.A (Empresa nacional, 140 emp.,16M)
Responsável de marketing OTC (MNSRM-Medicamentos não sujeitos à receita médica)
• Portfolio com 14 marcas: emagrecimento, otorino, dietéticos, dermatológicos,...
• Análise e gestão do cíclo de vida de cada um dos produtos
• Definição da estratégia de promoção dos produtos, desde a concepção em
conjunto com criativos e/ou agências de publicidade até a definição da táctica a
ser seguida no terreno pela força de vendas
• Análise e lançamento de extensões de gama e novos produtos
1994-1996
MERCK Farma e Química, S.A. (Multinacional Alemã, 180 emp., 90M)–Prod. Manager
OTC
• Portfolio composto por 3 marcas (produtos novos): Femibion, Fibion e Ilrido
• Responsável pelos lançamentos de novos produtos
• Gestão dos produtos desde a concepção, o lançamento, a estratégia integrada de
promoção até à implementação e seguimento no terreno.
• Análise do lançamento de extensões de gama e novos produtos
1993-1994
L'ORÉAL Portugal (Multinacional Francesa, 365 emp., 175M)– Prod. Manager Junior
Gemey
• Acompanhamento nacional da força de vendas, 3 meses: Gemey, Eau Jeune, Bien-
Être
• Apoio no lançamento de uma nova marca, estratégica para a Business Unit: Vital
• Responsável por 2 marcas de cosmética / perfumaria e novas oportunidades
ESTÁGIOS CURRICULARES
1. Na área internacional
1991 - 1 mês - RENAULT (Paris, França)
Estudo sobre a campanha de lançamento do modelo CLIO em vários países europeus.
1990-1 mês-CÂMARA de COMÉRCIO E INDÚSTRIA LUSO-FRANCESA
(Lisboa)
Estudo de viabilidade de um projecto europeu de plataforma de transporte multimodal
1989 – 2 meses - MICHELIN (Clermont-Ferrand, França)
Assistente comercial de exportação: gestão das encomendas com a Argélia; realização
de um
estudo sobre a concorrência no mercado do pneumático na África do Norte.
2. Na área comercial e de marketing
1991 - 3 meses - DID PRESS´COM (Paris, França)
Venda de espaços publicitários num anuário profissional -l'Abécédaire Parlementaire- e numa revista da especialidade -Urbanistes et Cités- .
1990 - 3 meses - AIR-FRANCE (Paris, França)
Audit marketing da agência piloto (CNIT-La Défense) : estudo sobre consumidores e
organização baseado num questionário que elaborei, administrei e tratei numa amostragem de 660 clientes
1988/90 - 2 anos - COURSE-CROISIÈRE EDHEC (Lille, França)
Actividade associativa : 1ª organização estudante de vela na Europa (2500 participantes/edição) ;1ª empresa estudante de França, em volume de negócios. Em 1989, criei o servidor Minitel e em 1990, consegui um orçamento superior a 50.000€ pela angariação de patrocínios de prestigiadas empresas para a recompensa das equipas vencedoras de cada classe.
3. Na área de produção
1988 - 1 mês - BOEHRINGER-INGELHEIM (Reims, França)
Estágio laboral numa cadeia semi-automatizada de acondicionamento de medicamentos
HABILITAÇÕES COMPLEMENTARES
Compreensão
Línguas
Escrita
Língua
Francês
Português
Inglês
Alemão
Espanhol
Italiano
Informática e Formação
Informática na óptica do utilizador: pacote Microsoft, Access e FactuPlus
2005: CAP, Formação de Formadores em “Igualdade de Oportunidades”, certificado pelo
IEFP.
Oral
Língua maternal
Bilingue
HOBBIES e INTERESSES
Observatório dos Luso-descendentes. Desde 2010. Fundadora
e presidente dessa associação inovadora dedicada à gestão da Diáspora
portuguesa. Contactos políticos e de RP, implementação da estrutura
organizacional.
UFE Portugal (União dos Franceses no Estrangeiro). Desde 2003. Vice-Presidente
Organização da vida associativa. Contactos com empresas e entidades públicas
Ser mãe, teatro, fotografia, pintura em azulejos e tecidos, vela e actividades ao ar
livre.
PROF DOUTOR JORGE MACAÍSTA MALHEIROS
Nome: Jorge da Silva Macaísta Malheiros
Local de nascimento: Lisboa
Data de nascimento: 28-3-1966
Nacionalidade: Portuguesa
Morada institucional:
Instituto de Geografia e Ordenamento do Território
Ed. da Faculdade de Letras
Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade
1600-214 Lisboa
Telefone: 21792000
Graus académicos:
2001 - Doutor em Geografia (Geografia Humana) pela Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, com a classificação de Aprovado com Louvor e Distinção (tese
de doutoramento: “Arquipélagos Migratórios: Transnacionalismo e Inovação”).
1993 - Mestre em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local, pela Faculdade
de Letras da Universidade de Lisboa, com a classificação de Muito Bom (tese de
mestrado: "Comunidades Indianas na Área Metropolitana de Lisboa - Geografia de um
Reencontro").
1988 - Licenciado em Geografia, variante de Planeamento Regional e Local, pela
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com média final de 16 valores.
Email: gatomaltes@netcabo.pt
Cargo actual: Professor associado do Instituto de Geografia e Ordenamento do
Território (IGOT) da Universidade de Lisboa desde Janeiro de 2010. Coordenador do
Núcleo de Estudos Urbanos (NETURB) do Centro de Estudos Geográficos do IGOT-UL.
Principal área científica de investigação: Geografia (migrações)
Outras áreas científicas de interesse: Geografia da população, Geografia social e
Geografia Urbana.
Alguns Projectos realizados (participação em equipas, coordenação e consultoria):
Membro da equipa do Centro de Estudos Geográficos (Universidade de Lisboa)
do projecto “Re-inventing Portuguese Metropolis: migrants and urban governance”
(financiado pela FCT/POCTI), coordenado por Lucinda Fonseca (2002-2004).
Coordenador da equipa do Estudo sobre a Identificação de Factores de Exclusão
das Famílias de Jovens Envolvidos no Projecto do Escolhas em 5 Bairros da Área
Metropolitana do Porto. GEOIDEIA, 2003.
Coordenador da equipa do projecto de investigação sobre Espaços e Expressões de
Conflito e Tensão entre Autóctones, Minorias Migrantes e Não-migrantes na AML. CEG-
UL, PROJ. IME/GEO/49837/2003 (financiado pela FCT/POCTI)
Coordenador da equipa do Estudo de Caracterização da Imigração no Concelho de
Cascais, CMC-GEOIDEIA (2006-2007).
Membro da equipa do Estudo sobre Reagrupamento Familiar em Portugal, CEG-UL para
ACIME (2003-2005) (coord. Lucinda Fonseca).
Membro da equipa do projecto de investigação LINKS - capital social e inovação, as
redes na promoção do desenvolvimento local Projecto apoiado pela FCT (POCTI/GEO/
45951/2002) (coord. Isabel André) (2007-2009).
Coordenador-adjunto do cluster de investigação nº5 (integração e mobilidade social:
habitação, saúde, educação) da Rede de Excelência Europeia IMISCOE, International
migration, integration and social cohesion in Europe. Coord. Geral IMES-Amesterdão,
coord. portuguesa do CEG-UL Lucinda Fonseca (2004-2010).
Animador da Rede Temática 2 (Integração social e profissional de imigrantes, refugiados e minorias étnicas) do Programa EQUAL em Portugal (2003/2004 e 2006/2008).
Consultor do Projecto Migrações e Desenvolvimento (Programa EQUAL) (2003/2004).
Coordenador (com Catarina Oliveira) da area regional da Europa do Sul do Projecto
Examination and Evaluation of Good Practices in the Promotion of Ethnic Minority
Entrepreneurs to EU DG Enterprise. General Coordination of FACET/IMES (2007)
(University of Amesterdam - Jan Rath and Mies van Niewkerk).
Coordenador da equipa portuguesa do projecto Recomposições dos Espaços Periféricos
em Mutação (Recompositions of Changing Peripheral Spaces) (bilateral Portuguese –
French Cooperation – University of Lisbon – Université de Bordeaux) (2005-2006).
Co-coordenador do projecto Access and Housing Situation of Immigrants in Portugal
(Componente Nacional) e consultoria a Building Inclusion (housing) para o ACIDI (2007-2009, Centro de Estudos Geográficos – University of Lisbon).
Membro da Equipa da EU Coordination and Support Action (CSA) Social Polis (Social
Platform on Cities and Regional Cohesion) of the 7th Framework Programme (2008-
2010). General coordination of Frank Moulaert from Newcastle University; CEG
coordination - Isabel André.
Membro da equipa do Projecto Project GEITONIES (Generating Interethnic Tolerance
and Neighbourhood Integration in European Urban Spaces) - EC, FP 7, 2008-2011.
General Coord. M.L. Fonseca (CEG-IGOT) (2008-2011).
Coordenador das equipas temáticas que elaboraram os estudos demográficos da revisão
do PROT-AML (2009-2010) e das projecções demográficas da revisão do PDM de
Lisboa (2010).
Coordenador do Projecto BELTS-W (Brazilian Entrepreneurial Links and Transnational
Strategies – Women) do Centro de Estudos Geográficos (financiamento FCT e CIG)
(2009-presente).
Coordenador do Projecto REHURB (Regeneração e reestruturação urbana) do Centro de
Estudos Geográficos (financiamento FCT) (2010-presente).
Correspondente português SOPEMI (Sistema de Observação Permanente das
Migrações Internacionais) – OCDE. Responsável pela elaboração do Relatório português
enquadrado no âmbito da consultoria à Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e
Comunidades Portugueses, Ministério dos Negócios Estrangeiros (2002-presente).
Publicações (últimos 10 anos)
- 2010, “Inmigración y dinámica de las ciudades de acogida: prácticas urbanísticas y
innovación socio-espacial” in UNESCO, Como potenciar la inclusión social y espacial
de los migrantes internacionales en nuestras ciudades: el punto de vista de los varios actores, 61, UNESCO, Paris, pp. 178 - 187.
- 2010, “Comunidades Indias en Lisboa”. Revista CIDOB d’Afers Internacionals, n.92,
Diciembre 2010, pp.119-138.
- 2010, « Cova da Moura (Portugal) » in Labour Market, Employment Strategies and Social Economy (Cahiers du Centre de Recherche sur les Innovations Sociales - CRISES)
(coord. Isabel André e Alexandre Abreu, ET 1004, Quebec (Canada), 62-64.
- 2010, Mulheres Imigrantes Empreendedoras. Lisboa, CIG. (com Beatriz Padilla e
Frederica Rodrigues)
- 2010, “Imigrantes e reconstrução identitária em contexto pós-colonial: o caso dos
hindus de Lisboa e Roterdão” in Trovão, S. & Rosales, M. V., Das Índias: Gentes.
movimentos e pertenças transnacionais, Lisboa, Colibri, pp.129-168.
- 2010, “De-Segregation, Peripheralisation and the Social Exclusion of Immigrants:
Southern European Cities in the 1990s”. Journal of Ethnic and Migration Studies,
vol.. 36, nº 2, February 2010, pp.227-256 (with Sónia Arbaci).
- 2009, “Tendências actuais das migrações internacionais: construir a cidade intercultural –ideologia, prática política e acção aplicadas ao caso de Lisboa” in Rocha-Trindade, M.B. (ed.) – Migrações: Permanências e Diversidades, Porto, Afrontamento, pp.17-36.
- 2009, “Vulnerabilidade residencial e segregação espacial dos imigrantes em Portugal
e na Área Metropolitana de Lisboa – o papel das políticas de habitação”, in
Hernàndez Borge, J. and Gonzalez Lopo, D.L. (eds.) - Movilidad de la poblacion
y migraciones en áreas urbanas de España y Portugal - Actas del Coloquio
Internacional - Cátedra UNESCO 226 sobre Migracións santiago de Compostela,
27-28 noviembre de 2008, pp.237-262.
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Lisbon, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge-Portugal 2007-
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e co-editor conjuntamente com Manuela Mendes).
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- 2006, ‘Social capital and migrants' political integration: the case study of Cape Verdean associations in the Greater Lisbon Area’ in Finisterra – Revista Portuguesa de Geografia, vol. XLI (81), pp. 143-170. (with Ana Paula Beja Horta).
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Europeia – IMISCOE, Séries: Estudos para o Planeamento Regional e Urbano
n.º 67, Publicado por: Centro de Estudos Geográficos (EPRU) – Universidade de
Lisboa.
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Fonseca, Meghann Ormond, Miguel Patrício e Filipa Martins, Colecção: Estudos e
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colaboração com Ana Paula Beja Horta.
- 2004,”A problemática da segregação residencial de base étnica – questões conceptuais e limites à operacionalização: o caso da Área Metropolitana de Lisboa, em
colaboração com Francisco Vala, Revista Estudos Demográficos, 2.º Semestre
2004, n.º 36, responsável INE.
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management of immigration – Comparative Perspectives, Migration Policy Group,
Bruxelas, pp. 433-459 (com Alina Esteves e Lucinda Fonseca).
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em colaboração com A. Esteves, M.L. Fonseca, publicado por Migration Policy Group, Brussels.
- 2003, “Revisitar a ilha do Corvo: diálogos entre a Geografia Regional Clássica e a(s) Nova(s) Geografia(s) Regional(ais)” in AAVV. Olhares sobre o Território e a
Espacialidade. EGHR/CEG, nº45, 2002, pp. 127-151.
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pp. 457-488. (em colaboração com Maria José Boavida). (Também publicado na Revista Saeculum do Departamento de História da Universidade Federal de João
Pessoa, Paríba, Brasil).
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de Relações Exteriores, Público/Universidade Autónoma de Lisboa, pp. 62-63.
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em Portugal, (editor, em conjunto dom Maria Ioannis Baganha e João Ferrão).
Lisboa, Observatório do Emprego e Formação Profissional, IEFP, (Estudos e Análises 14).
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João Ferrão e Jorge Malheiros Os Movimentos Migratórios Externos e a sua Incidência no Mercado de Trabalho em Portugal, Lisboa, Observatório do Emprego e Formação Profissional, IEFP, (Estudos e Análises 14), pp. 316-354.
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Abril, Maio e Junho de 2002. (em colaboração com Maria José Boavida).
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Économie, Société, Revue Scientifique Internationale, vol.4, nº2.
- 2002, “O transnacionalismo dos migrantes e a cooperação descentralizada: aspectos
prometedores de uma internacionalização desenvolvida a partir da base”, comunicação apresentada na Conferência/Debate A Europa, o desafio demográfico e o espaço de liberdade, segurança e justiça, Lisboa, Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, Centro Cultural de Belém, 18 de Outubro de 2002.
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colaboração Maria Ioannis Baganha, in: Janus, anuário de relações exteriores: [org. do] Público, [e da] Universidade Autónoma de Lisboa. - Lisboa: Público, pp.190-191.
- 2001, “Os cidadãos estrangeiros nas prisões portuguesas” in Pinheiro, M., Baptista,
L.V. e Vaz, M.J. - Cidade e Metrópole, Centralidades e Marginalidades. Celta, Oeiras, pp. 95-114.
- 2001, "Imigração Ilegal em Portugal: padrões emergentes em inícios do século XXI",
Janus 2001 – Anuário de Relações Exteriores, Público e UAL, Lisboa, pp.190-191.
LEONOR XAVIER
Jornalista e escritora, licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, viveu no Brasil entre 1975 e 1987.
No Rio de Janeiro foi correspondente do Diário de Notícias de Lisboa, colaboradora da revista Manchete e do Jornal do Brasil, redactora no jornal Mundo Português. Por duas vezes recebeu o Prémio de Melhor Jornalista da Comunidade Portuguesa no Rio de Janeiro. Participou em congressos com trabalhos apresentados sobre emigração portuguesa no Brasil. Pela Secretaria de Estado da Emigração, teve publicado o ensaio Contributo para a História dos Portugueses no Brasil (s.d. Coleção 10 de Junho)
Em Lisboa foi nove anos redactora da revista Máxima, escreve no Jornal de Letras, nas revistas Egoísta e Sábado, na Vogue.
É autora das biografias Maria Barroso, Um Olhar Sobre a Vida (1995- Difusão Cultural, Lx), Raul Solnado, a Vida Não Se Perdeu (1991,Difusão Cultural, 2003, Lx e 2009, Oficina do Livro, Lx)), Rui Patrício, A Vida Conta-se Inteira (2010, Temas e Debates, Lx).
Dos romances Ponte Aérea (1983 Nórdica,RJ)), E Só Eram Verdade Os Que Partiram (1988, Difel-Bertrand RJ), editado em Portugal com o título Botafogo(2004, Oficina do Livro, Lx), O Ano da Travessia (1994, Oficina do Livro, Lx) e em co-autoria com cinco escritoras, do romance Treze Gotas ao Deitar (2009- Oficina do Livro) e dos livros de contos Chocolate, Histórias para Ler e Chorar por Mais (2010, Casa das Letras, Lx) e Histórias Picantes (2011, Casa das Letras, Lx).
De artigos nas coletâneas Um Papa entre Dois Séculos (2004, Editora Livros do Brasil, Lx) e Ser Igreja (2007, Ariadne, Lx)
Do livros de entrevistas Entrevistas(1983- ed Autor) e Falar de Viver(1986 Difel-Bertrand RJ).
Dos ensaios Atmosferas (1980- Nórdica. RJ) e Portugal Tempo de Paixão (2000, Círculo de Leitores, Lx).
Do livro de crónicas Colorido a Preto e Branco (2001Oficina do Livro, Lx), colectânea de textos publicados na imprensa, no Brasil e em Portugal.
Da autobiografia Casas Contadas (2009, Asa, Lx), livro distinguido pelo Prémio Máxima de Literatura 2010.
Do livro de viagens Uma Viagem das Arábias (Clube do Autor, 2011, Lx)
Acaba de publicar Doze Mulheres e Um Almoço de Natal (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2011,Lx), uma narrativa em torno de mulheres e vidas, livros e imaginação, em tempo de crise.
MESTRE CUSTÓDIO PORTÁSIO
Autor: Custódio Portásio, 33 anos, viveu em Portugal até 2001 e em França até 2006, nos últimos 5 anos tem vivido no Luxemburgo. Estudou gestão e organização de empresas, têm um mestrado em auditoria financeira e actualmente prepara um doutoramento em ciência política. É um professional do sector finananceiro lulxemburguês, onde exerce actualmente um cargo de direcção. Dirigente associativo, participa há 16 anos em diferentes projectos associativos, sociais, culturais, políticos e de promoção da cultura e língua portuguesas. Político amador nas horas vagas, curioso de espírito, “vagabundo das comunidades” por adopção e cidadão
do mundo por natureza.
MESTRE AIDA BAPTISTA
Licenciada em História (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), Pós-Graduada em Estudos Europeus (Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra) e Mestre
em Literatura e Cultura Portuguesa – Época Moderna (Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa).
Aposentada desde Outubro de 2006, exerceu sempre a actividade docente, tendo leccionado em vários níveis de ensino. Nos últimos anos de docência, desempenhou o cargo de Leitora de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro, ao serviço do ICALP e do Instituto Camões.
Em 1989, cumpriu uma primeira missão de oito anos, na Universidade de Helsínquia,
Finlândia, a que se seguiu uma segunda de cinco anos na Universidade de Toronto, Canadá, de 1998 a 2003. De 2004 a 2006, dirigiu o Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões, em Benguela (Angola) e leccionou no Instituto Superior de Ciências de Educação de Benguela, Pólo da Universidade Agostinho Neto de Luanda.
Obras publicadas: Passaporte Inconformado, Edições MinervaCoimbra, 2004; Chão da
Renúncia, Edições MinervaCoimbra, 2008; Entre Margens de Afectos (c/ Gabriela Silva), Liga Portuguesa Contra o Cancro, Ponta Delgada, 2009; Passos de Nossos Avós (c/ Manuela Marujo), Ponta Delgada, Publiçor, 2010; Abraço de Mar entre Ilhas e Continentes (c/ Gabriela Silva), Ponta Delgada, Publiçor, 2011.
Colabora com alguns jornais e revistas, onde publica artigos ligados às questões da e/imigração.
Dr. CÉSAR GOMES DE PINA
APRESENTAÇÃO DO ORADOR
Para nos falar deste interessante tema e deste curioso movimento filantrópico, genuinamente português, nascido há quase meio século na África do Sul e hoje espalhado pelos quatro cantos do mundo vamos conversar com Dr. César Gomes de Pina, Gestor Empresarial, que desde 2006 é o Presidente da Academia do Bacalhau do Porto e sem dúvida o seu grande impulsionador ao longo destes 22 anos de existência.
Homem determinado e amigo do seu amigo, considera que a Presidência da Academia, nunca foi um simples “hobby”, mas sim uma verdadeira paixão e a experiência mais gratificante e enriquecedora da sua vida. Com a muita dedicação, amor e entusiasmo contagiante, conseguiu através duma correcta Gestão Por Objectivos e num esforço
colectivo com todos os associados, fazer da Academia do Bacalhau do Porto, uma Academia “exemplar em Portugal e no Mundo”, bem como uma referência cultural e de solidariedade do Distrito do Porto, tendo sido recentemente distinguida com o Troféu Portugalidade e Solidariedade.
O Dr. César Gomes de Pina, foi Capitão Miliciano em Moçambique e findo o seu serviço militar, professor do Ensino Secundário em Lourenço Marques e Gestor duma multinacional americana. Após a descolonização e depois duma breve passagem pela África do Sul, ao serviço daquela empresa, regressou definitivamente a Portugal com sua esposa e dois filhos, tendo exercido como professor do ensino secundário nos Liceus de Guimarães, Gaia e Espinho, antes de ingressar como Gestor Comercial e de Marketing no Grupo Amorim durante cerca de 20 anos, ao fim dos quais se reformou, dedicando-se a tempo inteiro de “alma e coração” à Academia do Bacalhau do Porto em particular e ao movimento das Academias do Bacalhau no mundo em geral.
PROFª DOUTORA MARIA BENEDICTA MONTEIRO
Nota Biográfica
Maria Benedicta Vassalo Pereira Bastos Monteiro é natural de Lisboa onde completou os estudos superiores em Filologia Germânica (1964) e em Psicologia (1974). Obteve o grau de Doutor em Psicologia Social na Universidade de Lovaina, na Bélgica (1984), e a Agregação em Psicologia Social no ISCTE (1995), onde é professora catedrática desde 1996.
Desenvolve investigação em diversas áreas da Psicologia Social da Educação e das Relações Interculturais, nomeadamente sobre Efeitos da exposição à TV em comportamentos de agressão, Crenças dos educadores sobre desenvolvimento e educação das crianças, Desenvolvimento e redução do preconceito racial na infância, Discriminação de minorias sociais e acção colectiva e Processos de aculturação de minorias migrantes, sobre os quais apresentou Conferências
e Comunicações em dezenas de Universidades e publicou livros, capítulos de livros e artigos científicos em Editoras e Revistas portuguesas e estrangeiras.
Foi professora convidada nas Universidades de Paris, Cambridge, Roma, Pádua, Liège, Barcelona, Sergipe, Paraíba e Recife e em várias universidades portuguesas. Desempenhou vários cargos de consultoria e de direcção, tais como, Presidente do Departamento de Psicologia Social e das Organizações do ISCTE (1999-2006), Presidente do Centro de Investigação e de Intervenção Social (ISCTE, 1999-2002), Presidente da Associação Portuguesa de Psicologia (2000-2006), Directora da Revista Psicologia (2002-2010), Directora dos Estudos Doutorais em Psicologia no ISCTE (2002- 2006), Consultora da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em Avaliação de Projectos de Investigação Científica (2002-2005), Consultora do Ministério da Educação (GAVE) em Avaliação de Programas de Psicologia (2001-2005), Consultora da Comissão Europeia em avaliação de candidaturas Marie Curie (1998-2001).
Por convite de instituições educativas e de saúde e de Associações privadas e municipais, fez intervenções públicas sobre violência na escola, racismo e políticas públicas, delinquência, educação multicultural e sucesso escolar, negociação de conflitos e situação dos grupos migrantes em Portugal.
Lisboa, Março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Carlos Gonçalves O PAPEL DAS MULHERES DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS (síntese)
O papel das mulheres nas Comunidades Portuguesas
No Congresso da Mulher Migrante tive a oportunidade, na minha intervenção, de destacar o papel das mulheres migrantes, realçando o papel que tantas portuguesas tiveram, através das mais variadas áreas, na afirmação cívica e política das Comunidades Portuguesas no estrangeiro.
No meu círculo eleitoral, em que as Comunidades Portuguesas emigrantes datam dos anos 60 e 70, foram as mulheres que assumiram, de forma clara, o papel da gestão administrativa da família, foram elas que acompanharam os processos escolares dos filhos e, foram elas também que, no plano local, se envolveram em diversos projectos, sozinhas ou em parceria com as autoridades locais que acabaram por promover o envolvimento das nossas comunidades nas sociedades de acolhimento.
Dessa forma, é absolutamente natural terem sido essas mulheres a integrar as comissões de pais e as associações ligadas às paróquias locais que apoiavam os novos emigrantes na altura em que chegavam a um novo país e passavam por dificuldades de adaptação a um novo país e a uma nova sociedade.
Podemos mesmo dizer que todas estas mulheres, através do aprofundamento das suas redes familiares, contribuíram para a própria integração da comunidade portuguesa, ao mesmo tempo que iam construindo novos laços nas sociedades onde agora estavam integradas.
Este papel de destaque das mulheres emigrantes portuguesas ganhou uma nova dimensão quando alguns países de acolhimento deram o direito de voto aos portugueses aí residentes e quando as alterações legislativas permitiram uma paridade de direitos cívicos e políticos à nossa Diáspora.
Dou como exemplo a França país onde resido e sobre o qual tenho, naturalmente, um maior conhecimento sobre a comunidade portuguesa no seu todo e muito particularmente no papel que algumas mulheres portuguesas têm vindo assumir no plano local e nacional.
Pelo trabalho político e cívico que desenvolveram no país que as acolheu é hoje perfeitamente natural que sejam essas portuguesas de valor a surgir agora em destaque na vida política francesa, nomeadamente, com a inclusão de candidatas lusas às próximas eleições legislativas com verdadeiras possibilidades de chegar ao Parlamento francês.
Como disse numa outra ocasião, a escolha destas candidatas trouxe para o debate político francês uma componente de origem portuguesa que considero fundamental, ao mesmo tempo que são os instrumentos políticos de uma comunidade notável com uma capacidade de integração sem igual e que contribui, todos os dias, com o seu trabalho, para a vitalidade da economia do país em que residem.
É com verdadeiro orgulho que vejo estas portuguesas a participarem num acto eleitoral num país estrangeiro. Acredito que podem vir a alcançar um excelente resultado, permitindo que tenhamos uma deputada, ou deputadas, oriundas da comunidade portuguesa.
Na verdade, na política não impossíveis e penso que há sempre espaço para todos aqueles que acreditam em ideias e projectos e que trabalham neles para melhorar a vida dos cidadãos. A política tem em vista resolver os problemas dos cidadãos e nesse particular as mulheres, nomeadamente as emigrantes, pelas imensas dificuldades que tiveram de enfrentar, são verdadeiros exemplos de tenacidade e capacidade de vencer.
Carlos Gonçalves
No Congresso da Mulher Migrante tive a oportunidade, na minha intervenção, de destacar o papel das mulheres migrantes, realçando o papel que tantas portuguesas tiveram, através das mais variadas áreas, na afirmação cívica e política das Comunidades Portuguesas no estrangeiro.
No meu círculo eleitoral, em que as Comunidades Portuguesas emigrantes datam dos anos 60 e 70, foram as mulheres que assumiram, de forma clara, o papel da gestão administrativa da família, foram elas que acompanharam os processos escolares dos filhos e, foram elas também que, no plano local, se envolveram em diversos projectos, sozinhas ou em parceria com as autoridades locais que acabaram por promover o envolvimento das nossas comunidades nas sociedades de acolhimento.
Dessa forma, é absolutamente natural terem sido essas mulheres a integrar as comissões de pais e as associações ligadas às paróquias locais que apoiavam os novos emigrantes na altura em que chegavam a um novo país e passavam por dificuldades de adaptação a um novo país e a uma nova sociedade.
Podemos mesmo dizer que todas estas mulheres, através do aprofundamento das suas redes familiares, contribuíram para a própria integração da comunidade portuguesa, ao mesmo tempo que iam construindo novos laços nas sociedades onde agora estavam integradas.
Este papel de destaque das mulheres emigrantes portuguesas ganhou uma nova dimensão quando alguns países de acolhimento deram o direito de voto aos portugueses aí residentes e quando as alterações legislativas permitiram uma paridade de direitos cívicos e políticos à nossa Diáspora.
Dou como exemplo a França país onde resido e sobre o qual tenho, naturalmente, um maior conhecimento sobre a comunidade portuguesa no seu todo e muito particularmente no papel que algumas mulheres portuguesas têm vindo assumir no plano local e nacional.
Pelo trabalho político e cívico que desenvolveram no país que as acolheu é hoje perfeitamente natural que sejam essas portuguesas de valor a surgir agora em destaque na vida política francesa, nomeadamente, com a inclusão de candidatas lusas às próximas eleições legislativas com verdadeiras possibilidades de chegar ao Parlamento francês.
Como disse numa outra ocasião, a escolha destas candidatas trouxe para o debate político francês uma componente de origem portuguesa que considero fundamental, ao mesmo tempo que são os instrumentos políticos de uma comunidade notável com uma capacidade de integração sem igual e que contribui, todos os dias, com o seu trabalho, para a vitalidade da economia do país em que residem.
É com verdadeiro orgulho que vejo estas portuguesas a participarem num acto eleitoral num país estrangeiro. Acredito que podem vir a alcançar um excelente resultado, permitindo que tenhamos uma deputada, ou deputadas, oriundas da comunidade portuguesa.
Na verdade, na política não impossíveis e penso que há sempre espaço para todos aqueles que acreditam em ideias e projectos e que trabalham neles para melhorar a vida dos cidadãos. A política tem em vista resolver os problemas dos cidadãos e nesse particular as mulheres, nomeadamente as emigrantes, pelas imensas dificuldades que tiveram de enfrentar, são verdadeiros exemplos de tenacidade e capacidade de vencer.
Carlos Gonçalves
terça-feira, 6 de março de 2012
Maria Benedicta Monteiro MARIA LAMAS, UMA ESCRITORA, UMA LUTADORA, UMA MEMÓRIA
Maria Lamas - Uma mulher, Uma escritora, Uma lutadora, Uma memória
Evocação por Maria Benedicta Vassalo Pereira Bastos Monteiro
Maia, 24 de Novembro de 2011
Caros organizadores deste Encontro, é com imenso prazer que estou aqui hoje na Maia, irmanada convosco e com todos os participantes na celebração das Mulheres Portuguesas na Diáspora. Um agradecimento especial vai para a Drª Maria Manuela Aguiar, Presidente da Associação ‘Mulher Migrante’ que neste ano celebra os seus 15 anos de existência.
Evoco hoje aqui precisamente uma mulher migrante, a minha avó, Maria Lamas, na sua qualidade de Mulher, de Escritora, e de Lutadora Política. Junto a esta imagem a de peregrina e a de solidária. Peregrina duplamente: em busca das mulheres do seu país, qual jornalista-etnóloga, e através delas em busca de si própria.
Uma busca que sempre lhe conheci exaltada, inquieta, quase imatura na sua premência, não fora a doçura e a tranquilidade com que se abria a outros espaços de escuta e de empatia inefáveis. Assim parece que a perceberam também muitos dos que a ela se chegaram, no Jornal ‘O Século’, no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, no seu quarto de exilada em Paris, no Movimento Democrático de Mulheres, ou nas casas das suas três filhas, em Lisboa e em Évora, onde viveu durante longos anos.
Maria da Conceição Vassallo e Silva, Ribeiro da Fonseca pelo seu primeiro casamento e Lamas pelo seu segundo casamento foi, antes de tudo, uma mulher, como ao longo da vida se evocou a si própria. Nascida em Torres Novas em 1893, numa família burguesa, foi a mais velha de quatro filhos Vassallo e Silva: Maria (como lhe chamava já a família), Joana, Aurora e Manuel António. Numa cidade de província, como então se dizia, a sua educação foi conservadora e protegida: internada aos 10 anos num colégio religioso em Torres Novas para receber uma educação esmerada, é uma rapariga de 15 anos, cheia de fervor religioso e de sonhos, a que sai do Colégio para se vir a casar em regime civil, em 1910, com o Oficial de Cavalaria republicano Teófilo José
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Pignolet Ribeiro da Fonseca, meu avô, e com ele partir em seguida para Angola, onde ele estaria em comissão de serviço. Diz Maria Lamas que assim se cumpriu o que dela se esperava como mulher: casar, ter uma família e filhos, viver um grande amor. Nas suas palavras ‘o amor, uma perturbação suavíssima, um olhar demorado, uma carícia, um beijo’. A vida trocou-lhe as voltas: depois de sete anos de casamento e duas filhas, a sua angústia e sofrimento com uma relação falhada dá-lhe coragem para partir, aos 25 anos, para o divórcio e voltar para casa dos pais com as duas filhas.
Um segundo casamento em 1921 com Alfredo da Cunha Lamas, jornalista monárquico que conheceu na Agência Americana de Notícias, e o nascimento de mais uma filha, em 1922, estão na origem da sua decisão de consolidar a sua vida de trabalho. A sua vida familiar neste novo casamento viria, em breve, a revelar-se insustentável, e alguns anos depois é de novo uma jovem sozinha, agora com três filhas, que enfrenta uma nova fase da sua vida de mulher, onde a escrita virá ocupar um lugar central de realização pessoal e de sobrevivência familiar.
A vida afectiva e relacional de mulher de Maria Lamas não terminou, no entanto, aqui, embora os seus biógrafos mais não consigam contar. Ela continuou durante toda a vida a exprimir a sua paixão pelas relações humanas, pela busca de muitas formas de amizade e de amor, e foi com ligações amorosas fortes, e por vezes conturbadas, que atravessou a vida até ao fim e se afirmou como mulher inteira.
Mas falemos agora da segunda dimensão da sua vida que aqui queremos salientar: Maria Lamas Escritora. Em ‘O Despertar de Sílvia: Fragmentos de uma Confissão’, uma novela autobiográfica publicada em 1949, Maria refere que teve desde a infância uma paixão pela leitura e que desde cedo sentiu a escrita como uma vocação. Durante toda a década de 20, vai publicar, sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, uma diversidade de textos, que revelam a premência da escrita, mas também mostram a sua plasticidade expressiva. Inicia-se com a poesia, em 1923, com o livro ‘Os Humildes’, e no mesmo ano com o romance ‘Diferença de Raças’, enquanto cria e dirige sucessivamente revistas para a infância - ‘O Pintainho’ (1926), ‘O Correio dos Pequeninos’ (1927), ‘A Semana Infantil’ (1927) e ‘O correio dos Miúdos (1928) e publica a sua primeira novela para crianças – ‘Maria Cotovia (1929).
É em 1927 que publica o segundo romance ‘O Caminho Luminoso’, ainda sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, editado pela Sociedade Nacional de Tipografia ‘O Século’, em Lisboa. Esta fase da sua vida prolifera em contactos com Escritores, Editoras e Jornalistas que alargaram as suas oportunidades de afirmação como escritora e de militância cívica e política: ‘O jornalismo foi a minha grande escola. Foi ele que me fez tomar consciência da possibilidade de me exprimir escrevendo, dando-me confiança para o fazer’ diria ela mais tarde.
As décadas que se seguem assistem à continuação da sua actividade como escritora, tanto de livros infantis (As Aventuras de Cinco Irmãozinhos, 1931; ‘A
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Montanha Maravilhosa’, 1933; ‘A Estrela do Norte’, 1934; ‘Os Brincos de Cereja’, 1935; e ‘O Vala dos Encantos, 1942), como de romances.
‘Para Além do Amor’ (1935) foi o primeiro que assinou com o nome de Maria Lamas e onde inscreveu o seu ex libris ‘, desenhado por Júlio de Sousa, Sempre mais alto’, seguindo-se ‘A Ilha Verde’ (1938), passado em S. Miguel, nos Açores.
A par desta escrita intensa, de caracter romanesco, onde se entrecruzam o mito do amor romântico e pinceladas neo-realistas, Maria Lamas trabalhava para sobreviver e educar as filhas. Mas em 1929, ano em que o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, impulsionado por Adelaide Cabete, apoiava o ‘Congresso Abolicionista da Prostituição’, ela é convidada, através de Ferreira de Castro, a ingressar na revista ‘Modas & Bordados, suplemento do jornal ‘O Século’, que iria dirigir durante 20 anos. A partir desta data, a sua profissão central é o jornalismo orientado para a vida das mulheres. Chama colaboradores, cria uma coluna de correio com as leitoras, publica notícias, obras e fotografias de mulheres portuguesas e estrangeiras que escrevem, pintam, cantam, dançam, fazem desporto, ganham prémios, notabilizam-se como cientistas, artistas, empresárias, modelos e artesãs, propõe e ensina actividades domésticas de saúde, alimentação, lazer e de educação dos filhos.
É ao longo destes anos de direcção da Revista que toma consciência da pobreza educativa e do sofrimento calado em que muitas mulheres vivem, do seu estatuto cívico de menores (Salazar só aprova o decreto que concede o voto às mulheres, desde que tenham estudos secundários, em 1931), ignorando alternativas, amarradas a um destino que o fascismo e o catolicismo foram cristalizando em instituições que definiam claramente a função social da mulher: organização da casa, educação dos filhos, práticas
de caridade e de assistência social. E é para sacudir as mulheres desse torpor sem esperança que vai tendo mais e mais iniciativas – revistas, como ‘A Joaninha’, exposições, eventos, como a ‘Exposição da Obra Feminina’, de caracter científico, literário e artístico, que organiza nas instalações de ‘O Século’, ou um Ciclo de Conferências sobre ‘As mulheres’, que organiza com Manuela Porto, Sara Beirão e outras, ou ainda a exposição dos Tapetes de Arraiolos feitos por mulheres da ‘Cadeia das Mónicas’. Mas a que mais impacto político teve foi a ‘Exposição de Livros Escritos por Mulheres’, que organizou em 1947, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, enquanto presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), cujo catálogo incluía títulos de escritoras de 28 países da Europa, Ásia e Américas. A exposição terminou com uma conferência proferida por Maria Lamas, explicando os objectivos da exposição e da instituição promotora.
Quatro dias depois a o CNMP foi fechado por mandato do governo Civil de Lisboa, que se justificou: ‘Não precisa de se preocupar com a situação das mulheres portuguesas. O ‘Estado Novo’ já confiou à ‘Obra das Mães’ o encargo de as educar e orientar.’
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Mas a sua obra de maior fôlego e que a notabilizou, não só nos meios académico e literário, mas no meio político, foi ‘As Mulheres do meu País’.
A obra consistiu numa extensa ‘reportagem’ sobre a vida das mulheres portuguesas, publicada em 24 fascículos pela Editora Actualis (criada por Manuel Fróis de Figueiredo, Orquídea Fróis de Figueiredo e a própria Maria Lamas) entre 1947 e 1950, data em que aparece em livro.
A sua publicação, ‘nascida da urgência e da ofensa’, como a classifica a sua neta Maria José Lamas Caeiro no prefácio da obra, foi o culminar de um enorme esforço e determinação para superar, quer as dificuldades económicas, logísticas e de adaptação cultural que um trabalho etnográfico de amplitude nacional envolve, mas também a ameaça constante da censura do regime. Alguns chamaram-lhe ‘jornalismo de iniciativa’, ou ‘jornalismo-reportagem’, aquele que consegue trazer para a luz do dia as vidas esquecidas ou ocultas daquilo a que hoje chamamos ‘minorias’ – grupos humanos subordinados, com pouco controlo sobre o seu destino, normalmente ignorados e estigmatizados pelo grupo dominante na sociedade. Neste caso, as mulheres.
Sempre as mulheres. Em 1949 a Actualis edita os três primeiros volumes de um projecto de livro, ‘As Quatro Estações’, coordenado por Maria Lamas: a ‘Primavera’, o ‘Verão’ e o ’Outono’ (o ‘Inverno’ não chegará a ser editado). Com a experiência da direcção, durante 20 anos, do suplemento ‘Modas e Bordados’ do jornal ‘O Século’, este livro tem a marca do projecto de Maria Lamas: a educação das mulheres através da leitura. ‘Um bom livro é um companheiro indispensável na jornada da Vida’, escreve a autora na primeira página. ‘As ‘Quatro Estações’ deseja ser esse companheiro agradável e sincero, ajudando a preencher, com proveito, as horas em que o espírito procura alargar os seus horizontes, para além da rotina diária, das responsabilidades e dos cuidados materiais.’ Nele encontramos o seu romance autobiográfico ‘O Despertar de Sílvia: Fragmentos de uma Confissão’, bem como textos de muitas mulheres que a ela se juntaram neste projecto cívico, como Manuela Porto, Ilse Losa, Emília de Sousa Costa, Manuela de Azevedo, Maria Elvira Barroso, Graça Brosque, Matilde Rosa Araújo, Maria Lúcia Namorado, Tereza Águas e Lília da Fonseca. Mas também a colaboração de escritores, ilustradores e pintores, como Lima de Freitas, Estrela Faria, Fernando Carlos, Maria Keil, Julião Quintinha, Carlos de Oliveira, Manuel Avelar e Gaspar Santos.
Maria Lamas vai entretanto mudar de rumo e mergulhar na vida política. Mas publica ainda, em formato de fascículos, o resultado de velhos projectos: ‘A Mulher no Mundo’, editado como livro, em 2 volumes, em 1952, ‘O Arquipélago da Madeira, Maravilha Atlântica’, em 1956 e ‘O Mundo dos Deuses e dos Heróis: Mitologia Geral’, em 1961.
Chegamos a Maria Lamas, Mulher lutadora, pelas mulheres, pelos direitos cívicos, contra o regime da ditadura e pela Paz. É durante os anos 40, nomeadamente após a revitalização do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas sob a sua presidência, do impacto público da exposição de ‘Livros escritos por Mulheres’ na Sociedade Nacional de Belas Artes, do encerramento político do CNMP pelo Governo Civil de Lisboa e da sua demissão voluntária do jornal ‘O Século’ (´Senhora D. Maria, ou escreve no ‘Século’ ou faz política’, disse-lhe angustiado Pereira da Rosa, o Director do Jornal, sob ameaça da censura e de suspensão do jornal), e ainda do
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endurecimento da Ditadura após a 2ª Guerra Mundial, com um progressivo isolamento em relação às democracias europeias, que a sua consciência cívica e política está fortalecida, inabalável, e dedica a maior parte dos anos que se seguem a defender as causas da liberdade, dos direitos das mulheres e da paz no mundo. Ela própria recorda, ‘como o meu primeiro acto político’ a assinatura das listas para a formação do MUD juvenil, em 1945.
Aceita fazer conferências, escrever artigos em Jornais, adere a Associações para a paz, nacionais e estrangeiras, representa Portugal em conferências internacionais, faz crónicas para a ‘Rádio Moscovo’ (sob o pseudónimo de Helena Torres). Em 1946, por exemplo, representa Portugal, enquanto Presidente do CNMP, no I Congresso Mundial das Mulheres, que reuniu mulheres da Resistência, ex-detidas em campos de concentração nazis, como foi o caso de Eugénie Cotton.
Volta a representá-lo em 1948, no II Congresso da ‘Federação Democrática Internacional das Mulheres´ (FDIM), entretanto criada. Vêmo-la depois, em 1949, quando sai da prisão, ao lado de outros ex-presos políticos como Pinto Rodrigues, Rui Luís Gomes, Virgínia Moura, José Morgado, Albertino de Macedo, Pinto Gonçalves e António Areosa Feio, todos signatários de um ‘abaixo-assinado’ contra a instalação da Base Americana das Lages nos Açores.
Em 1950 faz a Conferência ‘A paz e a vida’ em Lisboa, no Museu João de Deus, e uma outra no Porto, no 15º aniversário da Associação Feminina para a Paz, onde afirma: ‘A batalha da vida é a batalha da Paz’. É de novo presa meses depois, em 18 de Julho, por sentença do Tribunal, sendo libertada em Janeiro de 51. Em 1952 participa no Congresso dos Povos para a Paz, em Viena, e em 1953, está de novo a representar Portugal no III Congresso Mundial das Mulheres em Copenhaga.
Nesse mesmo ano, ao regressar via Paris de uma reunião na União Soviética, onde fizera uma intervenção, é de novo presa no Aeroporto, com todos os que a esperavam, excepto a família, sendo depois libertada sob caução paga por um dos genros. Nos anos que se seguem é frequentemente instada pela PIDE para responder pelos seus actos políticos: pela sua participação no Conselho Mundial da Paz, em Ceilão, em 1956, pelo seu encontro com Mao- Tse-Tung em Pequim nesse mesmo ano, ou pela visita a Hiroshima bombardeada.
Até que em 1962 participa, em Moscovo, na ‘Conferência sobre Desarmamento Geral’, o que comprometeu definitivamente a sua segurança em Portugal. No regresso ao país a decisão está tomada: exilar-se-á em Paris, onde colaborará com outros expatriados na luta contra a Ditadura. Aí viveu no Quartier Latin, Rue Cujas, no Grand Hotel Saint Michel onde a visitei em 1967 e 1968, com o meu marida Gonçalo Monteiro. Descobrimos aí uma avó de 74 anos, a viver num pequeno quarto do hotel, onde preparava refeições simples e onde recebia ininterruptamente membros das oposições ao regime - do grupo de Argel aos membros do Partido Comunista na clandestinidade e aos desertores das guerras de África - jovens emigrados ao desamparo, amigos
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de Lisboa e pessoas sozinhas a precisar de uma palavra. Lembro-me de ver entrar Jorge Reis, António José Saraiva, Maria Nobre Franco, José Carlos Ferreira de Almeida, João Freire, a Miriam e a Teresa Rita Lopes, Helena Pato e Mário Neves, Eugénia Pereira de Moura e Helena Neves. Procuravam ajuda, mas também lhe escreviam cartas e lhe traziam notícias, coisas suas, como presentes: livros, pintura, gravura, desenho, escultura, fotografias, roupa, alimentos. Passavam, ficavam, partiam. Iam passear com ela para o Jardim do Luxemburgo. Às centenas. Era a ‘Avó Maria´. Que continuava a trabalhar nos intervalos nos seus projectos, na sua correspondência e nas suas traduções, na pequena mesa que tinha no quarto, dedilhando a máquina de escrever com estojo verde, qua ainda hoje guardo comigo. Quem não leu, por exemplo, a sua belíssima tradução de ´As Memórias de Adriano’, de Marguerite Yourcenar? Nós ficávamos também no Hotel. Tínhamos ido frequentar, através da Pragma, que a PIDE viria a encerrar algum tempo depois, primeiro um curso de formação em Animação Cultural, e no ano seguinte uma formação em Dinâmica de Grupos, ambos promovidos para sindicalistas da CFDT. Mas nos intervalos saíamos com a Avó, esfomeados de bons filmes, de teatro, jornais e livros a que não podíamos ter acesso em Portugal: Bunuel, Bergman, Nicholas Ray, Fellini, Jean Cocteau, Elia Kazan, Fritz Lang, Murnau, Claudel, Genet. Foi um deslumbramento que a companhia da Avó enriquecia com reflexões e comentários, de tal modo que a sua idade não era um peso, mas uma energia e uma boa surpresa.
Em Paris, Maria Lamas continuou a sua actividade política. Em 1963, estava na Mesa da Presidência do V Congresso Mundial das Mulheres, em Moscovo, que reuniu 1400 delegadas de todo o mundo. Ao seu lado, estavam Dolores Ibarrurri, a Passionária, Eugénie Cotton, Marie Claude Couturier, heroína da resistência francesa, Gusta Fuchikova, resistente checoslovaca e Valentina Teereskova, primeira cosmonauta a viajar no Cosmos. De regresso a Portugal em 1969, na ‘abertura’ da Primavera Marcelista, espera-a ainda muita actividade.
O seu entusiamo com a Revolução de Abril, em 1974, trouxe-a para a rua, a desfilar no 1º de Maio ao lado da multidão. E uma das actividades mais importantes foi o seu papel central, de novo em favor das mulheres portuguesas, na criação do Movimento Democrático de Mulheres, de que foi eleita Presidente Honorária em 1975. A sua posição de Directora da revista ‘Mulheres’ criada pelo Movimento em 1978 representou, antes de mais, para Maria Lamas, o regresso à imprensa feminina, onde a sua vida profissional começara.
Aos anos que se seguem chamei ‘Maria Lamas, uma Memória’. A par das suas intensas relações com os amigos de toda a vida, que a visitavam em Évora ou em Lisboa, em casa das filhas, sucedeu-se um sem número de apelos à sua presença nos mais variados eventos: conferências, visita a escolas, a fábricas, reuniões com
escritores, artistas, entrevistas na rádio, na televisão, em jornais.
De tal modo que se tornou difícil situá-la. Vivera? Vivia? Iria chegar ela mesma, em pessoa? Já não estava connosco?
1968 , À porta do G. Hotel Saint-Michel, Rue Cujas, Paris, com Mª Benedicta (neta) e João Pinto Correia
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Em 1974 Maria Lamas e Elina Guimarães foram homenageadas no programa da RTP ‘Nome-Mulher’, dirigido pelas jornalistas Maria Antónia Palla e Antónia de Sousa.
Em Maio de 1976 o MTI - Movimento Unitário de Trabalhadores Intelectuais -
Em 1982 o MDM organizou em Lisboa uma exposição evocadora da vida e obra de Maria Lamas, que ela visita, enquanto emocionadamente revisita a sua própria vida enquanto memória de outros. E o concelho de Torres Novas emite, nesse ano, uma medalha em sua homenagem com a sua efígie.
Maria Lamas morre em Lisboa em 1983, alguns dias depois de completar 90 anos.
Medalhas, evocações, nomes de ruas e de escolas, tapeçarias, desenhos, quadros e placas comemorativas multiplicam a sua memória: das Mulheres Democratas do Barreiro, da Sociedade Cooperativa Piedense, da Voz do Operário, do Coral Phydellius de Torres Novas, da Escola Preparatória de Maria Lamas, no Porto, de muitas mais.
Em 1993, a Biblioteca Nacional de Lisboa comemorou o centenário do seu nascimento com uma grande exposição do seu espólio literário e pessoal.
Em 2003 foi editada a sua primeira Biografia, escrita por Maria Antónia Fiadeiro, e em 2004 o MDM organizou no Porto o Congresso ‘A memória, a obra e o pensamento de Maria Lamas ‘, cujas intervenções foram posteriormente editadas no livro com o mesmo título, coordenado por Regina Marques. O reconhecimento cruza-se com a nossa memória da vida e trabalho de Maria Lamas. Reconhecimento também feito de gestos públicos: a medalha da Ordem da Liberdade, em 1980, que recebe pela mão do Presidente da República, General Ramalho Eanes; a primeira ‘Medalha de Honra’ do MDM, em 1982; e a ‘Medalha Eugénie Cotton’, em 1983, da Federação Democrática Internacional de Mulheres.
Evocar Maria Lamas neste contexto é para mim motivo de profunda comoção, mas também de honra, pela saudade que guardo da minha avó Maria, do seu nobre coração de mulher, da sua profunda empatia com o sofrimento dos outros, do seu valente afrontamento do poder ilegítimo, do seu feminismo que uniu homens e mulheres no mesmo abraço, da sua insaciedade em busca do amor. Nesta noite de evocação das escritoras Maria Archer e Maria Lamas, junto-me aqui convosco, mulheres portuguesas da diáspora, como membro da comunidade científica e como parte dessa ‘metade da humanidade’. E não sei qual dessas pertenças, que não consigo aqui separar, me ditou mais as palavras que aqui lhe dedico. Não importa. O registo de universalidade em que Maria Lamas inscreveu a sua vida e o seu trabalho farão deles, seguramente, uma obra sem tempo e sem pertenças.
Lisboa, Fevereiro de 2012
Evocação por Maria Benedicta Vassalo Pereira Bastos Monteiro
Maia, 24 de Novembro de 2011
Caros organizadores deste Encontro, é com imenso prazer que estou aqui hoje na Maia, irmanada convosco e com todos os participantes na celebração das Mulheres Portuguesas na Diáspora. Um agradecimento especial vai para a Drª Maria Manuela Aguiar, Presidente da Associação ‘Mulher Migrante’ que neste ano celebra os seus 15 anos de existência.
Evoco hoje aqui precisamente uma mulher migrante, a minha avó, Maria Lamas, na sua qualidade de Mulher, de Escritora, e de Lutadora Política. Junto a esta imagem a de peregrina e a de solidária. Peregrina duplamente: em busca das mulheres do seu país, qual jornalista-etnóloga, e através delas em busca de si própria.
Uma busca que sempre lhe conheci exaltada, inquieta, quase imatura na sua premência, não fora a doçura e a tranquilidade com que se abria a outros espaços de escuta e de empatia inefáveis. Assim parece que a perceberam também muitos dos que a ela se chegaram, no Jornal ‘O Século’, no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, no seu quarto de exilada em Paris, no Movimento Democrático de Mulheres, ou nas casas das suas três filhas, em Lisboa e em Évora, onde viveu durante longos anos.
Maria da Conceição Vassallo e Silva, Ribeiro da Fonseca pelo seu primeiro casamento e Lamas pelo seu segundo casamento foi, antes de tudo, uma mulher, como ao longo da vida se evocou a si própria. Nascida em Torres Novas em 1893, numa família burguesa, foi a mais velha de quatro filhos Vassallo e Silva: Maria (como lhe chamava já a família), Joana, Aurora e Manuel António. Numa cidade de província, como então se dizia, a sua educação foi conservadora e protegida: internada aos 10 anos num colégio religioso em Torres Novas para receber uma educação esmerada, é uma rapariga de 15 anos, cheia de fervor religioso e de sonhos, a que sai do Colégio para se vir a casar em regime civil, em 1910, com o Oficial de Cavalaria republicano Teófilo José
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Pignolet Ribeiro da Fonseca, meu avô, e com ele partir em seguida para Angola, onde ele estaria em comissão de serviço. Diz Maria Lamas que assim se cumpriu o que dela se esperava como mulher: casar, ter uma família e filhos, viver um grande amor. Nas suas palavras ‘o amor, uma perturbação suavíssima, um olhar demorado, uma carícia, um beijo’. A vida trocou-lhe as voltas: depois de sete anos de casamento e duas filhas, a sua angústia e sofrimento com uma relação falhada dá-lhe coragem para partir, aos 25 anos, para o divórcio e voltar para casa dos pais com as duas filhas.
Um segundo casamento em 1921 com Alfredo da Cunha Lamas, jornalista monárquico que conheceu na Agência Americana de Notícias, e o nascimento de mais uma filha, em 1922, estão na origem da sua decisão de consolidar a sua vida de trabalho. A sua vida familiar neste novo casamento viria, em breve, a revelar-se insustentável, e alguns anos depois é de novo uma jovem sozinha, agora com três filhas, que enfrenta uma nova fase da sua vida de mulher, onde a escrita virá ocupar um lugar central de realização pessoal e de sobrevivência familiar.
A vida afectiva e relacional de mulher de Maria Lamas não terminou, no entanto, aqui, embora os seus biógrafos mais não consigam contar. Ela continuou durante toda a vida a exprimir a sua paixão pelas relações humanas, pela busca de muitas formas de amizade e de amor, e foi com ligações amorosas fortes, e por vezes conturbadas, que atravessou a vida até ao fim e se afirmou como mulher inteira.
Mas falemos agora da segunda dimensão da sua vida que aqui queremos salientar: Maria Lamas Escritora. Em ‘O Despertar de Sílvia: Fragmentos de uma Confissão’, uma novela autobiográfica publicada em 1949, Maria refere que teve desde a infância uma paixão pela leitura e que desde cedo sentiu a escrita como uma vocação. Durante toda a década de 20, vai publicar, sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, uma diversidade de textos, que revelam a premência da escrita, mas também mostram a sua plasticidade expressiva. Inicia-se com a poesia, em 1923, com o livro ‘Os Humildes’, e no mesmo ano com o romance ‘Diferença de Raças’, enquanto cria e dirige sucessivamente revistas para a infância - ‘O Pintainho’ (1926), ‘O Correio dos Pequeninos’ (1927), ‘A Semana Infantil’ (1927) e ‘O correio dos Miúdos (1928) e publica a sua primeira novela para crianças – ‘Maria Cotovia (1929).
É em 1927 que publica o segundo romance ‘O Caminho Luminoso’, ainda sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, editado pela Sociedade Nacional de Tipografia ‘O Século’, em Lisboa. Esta fase da sua vida prolifera em contactos com Escritores, Editoras e Jornalistas que alargaram as suas oportunidades de afirmação como escritora e de militância cívica e política: ‘O jornalismo foi a minha grande escola. Foi ele que me fez tomar consciência da possibilidade de me exprimir escrevendo, dando-me confiança para o fazer’ diria ela mais tarde.
As décadas que se seguem assistem à continuação da sua actividade como escritora, tanto de livros infantis (As Aventuras de Cinco Irmãozinhos, 1931; ‘A
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Montanha Maravilhosa’, 1933; ‘A Estrela do Norte’, 1934; ‘Os Brincos de Cereja’, 1935; e ‘O Vala dos Encantos, 1942), como de romances.
‘Para Além do Amor’ (1935) foi o primeiro que assinou com o nome de Maria Lamas e onde inscreveu o seu ex libris ‘, desenhado por Júlio de Sousa, Sempre mais alto’, seguindo-se ‘A Ilha Verde’ (1938), passado em S. Miguel, nos Açores.
A par desta escrita intensa, de caracter romanesco, onde se entrecruzam o mito do amor romântico e pinceladas neo-realistas, Maria Lamas trabalhava para sobreviver e educar as filhas. Mas em 1929, ano em que o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, impulsionado por Adelaide Cabete, apoiava o ‘Congresso Abolicionista da Prostituição’, ela é convidada, através de Ferreira de Castro, a ingressar na revista ‘Modas & Bordados, suplemento do jornal ‘O Século’, que iria dirigir durante 20 anos. A partir desta data, a sua profissão central é o jornalismo orientado para a vida das mulheres. Chama colaboradores, cria uma coluna de correio com as leitoras, publica notícias, obras e fotografias de mulheres portuguesas e estrangeiras que escrevem, pintam, cantam, dançam, fazem desporto, ganham prémios, notabilizam-se como cientistas, artistas, empresárias, modelos e artesãs, propõe e ensina actividades domésticas de saúde, alimentação, lazer e de educação dos filhos.
É ao longo destes anos de direcção da Revista que toma consciência da pobreza educativa e do sofrimento calado em que muitas mulheres vivem, do seu estatuto cívico de menores (Salazar só aprova o decreto que concede o voto às mulheres, desde que tenham estudos secundários, em 1931), ignorando alternativas, amarradas a um destino que o fascismo e o catolicismo foram cristalizando em instituições que definiam claramente a função social da mulher: organização da casa, educação dos filhos, práticas
de caridade e de assistência social. E é para sacudir as mulheres desse torpor sem esperança que vai tendo mais e mais iniciativas – revistas, como ‘A Joaninha’, exposições, eventos, como a ‘Exposição da Obra Feminina’, de caracter científico, literário e artístico, que organiza nas instalações de ‘O Século’, ou um Ciclo de Conferências sobre ‘As mulheres’, que organiza com Manuela Porto, Sara Beirão e outras, ou ainda a exposição dos Tapetes de Arraiolos feitos por mulheres da ‘Cadeia das Mónicas’. Mas a que mais impacto político teve foi a ‘Exposição de Livros Escritos por Mulheres’, que organizou em 1947, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, enquanto presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), cujo catálogo incluía títulos de escritoras de 28 países da Europa, Ásia e Américas. A exposição terminou com uma conferência proferida por Maria Lamas, explicando os objectivos da exposição e da instituição promotora.
Quatro dias depois a o CNMP foi fechado por mandato do governo Civil de Lisboa, que se justificou: ‘Não precisa de se preocupar com a situação das mulheres portuguesas. O ‘Estado Novo’ já confiou à ‘Obra das Mães’ o encargo de as educar e orientar.’
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Mas a sua obra de maior fôlego e que a notabilizou, não só nos meios académico e literário, mas no meio político, foi ‘As Mulheres do meu País’.
A obra consistiu numa extensa ‘reportagem’ sobre a vida das mulheres portuguesas, publicada em 24 fascículos pela Editora Actualis (criada por Manuel Fróis de Figueiredo, Orquídea Fróis de Figueiredo e a própria Maria Lamas) entre 1947 e 1950, data em que aparece em livro.
A sua publicação, ‘nascida da urgência e da ofensa’, como a classifica a sua neta Maria José Lamas Caeiro no prefácio da obra, foi o culminar de um enorme esforço e determinação para superar, quer as dificuldades económicas, logísticas e de adaptação cultural que um trabalho etnográfico de amplitude nacional envolve, mas também a ameaça constante da censura do regime. Alguns chamaram-lhe ‘jornalismo de iniciativa’, ou ‘jornalismo-reportagem’, aquele que consegue trazer para a luz do dia as vidas esquecidas ou ocultas daquilo a que hoje chamamos ‘minorias’ – grupos humanos subordinados, com pouco controlo sobre o seu destino, normalmente ignorados e estigmatizados pelo grupo dominante na sociedade. Neste caso, as mulheres.
Sempre as mulheres. Em 1949 a Actualis edita os três primeiros volumes de um projecto de livro, ‘As Quatro Estações’, coordenado por Maria Lamas: a ‘Primavera’, o ‘Verão’ e o ’Outono’ (o ‘Inverno’ não chegará a ser editado). Com a experiência da direcção, durante 20 anos, do suplemento ‘Modas e Bordados’ do jornal ‘O Século’, este livro tem a marca do projecto de Maria Lamas: a educação das mulheres através da leitura. ‘Um bom livro é um companheiro indispensável na jornada da Vida’, escreve a autora na primeira página. ‘As ‘Quatro Estações’ deseja ser esse companheiro agradável e sincero, ajudando a preencher, com proveito, as horas em que o espírito procura alargar os seus horizontes, para além da rotina diária, das responsabilidades e dos cuidados materiais.’ Nele encontramos o seu romance autobiográfico ‘O Despertar de Sílvia: Fragmentos de uma Confissão’, bem como textos de muitas mulheres que a ela se juntaram neste projecto cívico, como Manuela Porto, Ilse Losa, Emília de Sousa Costa, Manuela de Azevedo, Maria Elvira Barroso, Graça Brosque, Matilde Rosa Araújo, Maria Lúcia Namorado, Tereza Águas e Lília da Fonseca. Mas também a colaboração de escritores, ilustradores e pintores, como Lima de Freitas, Estrela Faria, Fernando Carlos, Maria Keil, Julião Quintinha, Carlos de Oliveira, Manuel Avelar e Gaspar Santos.
Maria Lamas vai entretanto mudar de rumo e mergulhar na vida política. Mas publica ainda, em formato de fascículos, o resultado de velhos projectos: ‘A Mulher no Mundo’, editado como livro, em 2 volumes, em 1952, ‘O Arquipélago da Madeira, Maravilha Atlântica’, em 1956 e ‘O Mundo dos Deuses e dos Heróis: Mitologia Geral’, em 1961.
Chegamos a Maria Lamas, Mulher lutadora, pelas mulheres, pelos direitos cívicos, contra o regime da ditadura e pela Paz. É durante os anos 40, nomeadamente após a revitalização do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas sob a sua presidência, do impacto público da exposição de ‘Livros escritos por Mulheres’ na Sociedade Nacional de Belas Artes, do encerramento político do CNMP pelo Governo Civil de Lisboa e da sua demissão voluntária do jornal ‘O Século’ (´Senhora D. Maria, ou escreve no ‘Século’ ou faz política’, disse-lhe angustiado Pereira da Rosa, o Director do Jornal, sob ameaça da censura e de suspensão do jornal), e ainda do
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endurecimento da Ditadura após a 2ª Guerra Mundial, com um progressivo isolamento em relação às democracias europeias, que a sua consciência cívica e política está fortalecida, inabalável, e dedica a maior parte dos anos que se seguem a defender as causas da liberdade, dos direitos das mulheres e da paz no mundo. Ela própria recorda, ‘como o meu primeiro acto político’ a assinatura das listas para a formação do MUD juvenil, em 1945.
Aceita fazer conferências, escrever artigos em Jornais, adere a Associações para a paz, nacionais e estrangeiras, representa Portugal em conferências internacionais, faz crónicas para a ‘Rádio Moscovo’ (sob o pseudónimo de Helena Torres). Em 1946, por exemplo, representa Portugal, enquanto Presidente do CNMP, no I Congresso Mundial das Mulheres, que reuniu mulheres da Resistência, ex-detidas em campos de concentração nazis, como foi o caso de Eugénie Cotton.
Volta a representá-lo em 1948, no II Congresso da ‘Federação Democrática Internacional das Mulheres´ (FDIM), entretanto criada. Vêmo-la depois, em 1949, quando sai da prisão, ao lado de outros ex-presos políticos como Pinto Rodrigues, Rui Luís Gomes, Virgínia Moura, José Morgado, Albertino de Macedo, Pinto Gonçalves e António Areosa Feio, todos signatários de um ‘abaixo-assinado’ contra a instalação da Base Americana das Lages nos Açores.
Em 1950 faz a Conferência ‘A paz e a vida’ em Lisboa, no Museu João de Deus, e uma outra no Porto, no 15º aniversário da Associação Feminina para a Paz, onde afirma: ‘A batalha da vida é a batalha da Paz’. É de novo presa meses depois, em 18 de Julho, por sentença do Tribunal, sendo libertada em Janeiro de 51. Em 1952 participa no Congresso dos Povos para a Paz, em Viena, e em 1953, está de novo a representar Portugal no III Congresso Mundial das Mulheres em Copenhaga.
Nesse mesmo ano, ao regressar via Paris de uma reunião na União Soviética, onde fizera uma intervenção, é de novo presa no Aeroporto, com todos os que a esperavam, excepto a família, sendo depois libertada sob caução paga por um dos genros. Nos anos que se seguem é frequentemente instada pela PIDE para responder pelos seus actos políticos: pela sua participação no Conselho Mundial da Paz, em Ceilão, em 1956, pelo seu encontro com Mao- Tse-Tung em Pequim nesse mesmo ano, ou pela visita a Hiroshima bombardeada.
Até que em 1962 participa, em Moscovo, na ‘Conferência sobre Desarmamento Geral’, o que comprometeu definitivamente a sua segurança em Portugal. No regresso ao país a decisão está tomada: exilar-se-á em Paris, onde colaborará com outros expatriados na luta contra a Ditadura. Aí viveu no Quartier Latin, Rue Cujas, no Grand Hotel Saint Michel onde a visitei em 1967 e 1968, com o meu marida Gonçalo Monteiro. Descobrimos aí uma avó de 74 anos, a viver num pequeno quarto do hotel, onde preparava refeições simples e onde recebia ininterruptamente membros das oposições ao regime - do grupo de Argel aos membros do Partido Comunista na clandestinidade e aos desertores das guerras de África - jovens emigrados ao desamparo, amigos
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de Lisboa e pessoas sozinhas a precisar de uma palavra. Lembro-me de ver entrar Jorge Reis, António José Saraiva, Maria Nobre Franco, José Carlos Ferreira de Almeida, João Freire, a Miriam e a Teresa Rita Lopes, Helena Pato e Mário Neves, Eugénia Pereira de Moura e Helena Neves. Procuravam ajuda, mas também lhe escreviam cartas e lhe traziam notícias, coisas suas, como presentes: livros, pintura, gravura, desenho, escultura, fotografias, roupa, alimentos. Passavam, ficavam, partiam. Iam passear com ela para o Jardim do Luxemburgo. Às centenas. Era a ‘Avó Maria´. Que continuava a trabalhar nos intervalos nos seus projectos, na sua correspondência e nas suas traduções, na pequena mesa que tinha no quarto, dedilhando a máquina de escrever com estojo verde, qua ainda hoje guardo comigo. Quem não leu, por exemplo, a sua belíssima tradução de ´As Memórias de Adriano’, de Marguerite Yourcenar? Nós ficávamos também no Hotel. Tínhamos ido frequentar, através da Pragma, que a PIDE viria a encerrar algum tempo depois, primeiro um curso de formação em Animação Cultural, e no ano seguinte uma formação em Dinâmica de Grupos, ambos promovidos para sindicalistas da CFDT. Mas nos intervalos saíamos com a Avó, esfomeados de bons filmes, de teatro, jornais e livros a que não podíamos ter acesso em Portugal: Bunuel, Bergman, Nicholas Ray, Fellini, Jean Cocteau, Elia Kazan, Fritz Lang, Murnau, Claudel, Genet. Foi um deslumbramento que a companhia da Avó enriquecia com reflexões e comentários, de tal modo que a sua idade não era um peso, mas uma energia e uma boa surpresa.
Em Paris, Maria Lamas continuou a sua actividade política. Em 1963, estava na Mesa da Presidência do V Congresso Mundial das Mulheres, em Moscovo, que reuniu 1400 delegadas de todo o mundo. Ao seu lado, estavam Dolores Ibarrurri, a Passionária, Eugénie Cotton, Marie Claude Couturier, heroína da resistência francesa, Gusta Fuchikova, resistente checoslovaca e Valentina Teereskova, primeira cosmonauta a viajar no Cosmos. De regresso a Portugal em 1969, na ‘abertura’ da Primavera Marcelista, espera-a ainda muita actividade.
O seu entusiamo com a Revolução de Abril, em 1974, trouxe-a para a rua, a desfilar no 1º de Maio ao lado da multidão. E uma das actividades mais importantes foi o seu papel central, de novo em favor das mulheres portuguesas, na criação do Movimento Democrático de Mulheres, de que foi eleita Presidente Honorária em 1975. A sua posição de Directora da revista ‘Mulheres’ criada pelo Movimento em 1978 representou, antes de mais, para Maria Lamas, o regresso à imprensa feminina, onde a sua vida profissional começara.
Aos anos que se seguem chamei ‘Maria Lamas, uma Memória’. A par das suas intensas relações com os amigos de toda a vida, que a visitavam em Évora ou em Lisboa, em casa das filhas, sucedeu-se um sem número de apelos à sua presença nos mais variados eventos: conferências, visita a escolas, a fábricas, reuniões com
escritores, artistas, entrevistas na rádio, na televisão, em jornais.
De tal modo que se tornou difícil situá-la. Vivera? Vivia? Iria chegar ela mesma, em pessoa? Já não estava connosco?
1968 , À porta do G. Hotel Saint-Michel, Rue Cujas, Paris, com Mª Benedicta (neta) e João Pinto Correia
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Em 1974 Maria Lamas e Elina Guimarães foram homenageadas no programa da RTP ‘Nome-Mulher’, dirigido pelas jornalistas Maria Antónia Palla e Antónia de Sousa.
Em Maio de 1976 o MTI - Movimento Unitário de Trabalhadores Intelectuais -
Em 1982 o MDM organizou em Lisboa uma exposição evocadora da vida e obra de Maria Lamas, que ela visita, enquanto emocionadamente revisita a sua própria vida enquanto memória de outros. E o concelho de Torres Novas emite, nesse ano, uma medalha em sua homenagem com a sua efígie.
Maria Lamas morre em Lisboa em 1983, alguns dias depois de completar 90 anos.
Medalhas, evocações, nomes de ruas e de escolas, tapeçarias, desenhos, quadros e placas comemorativas multiplicam a sua memória: das Mulheres Democratas do Barreiro, da Sociedade Cooperativa Piedense, da Voz do Operário, do Coral Phydellius de Torres Novas, da Escola Preparatória de Maria Lamas, no Porto, de muitas mais.
Em 1993, a Biblioteca Nacional de Lisboa comemorou o centenário do seu nascimento com uma grande exposição do seu espólio literário e pessoal.
Em 2003 foi editada a sua primeira Biografia, escrita por Maria Antónia Fiadeiro, e em 2004 o MDM organizou no Porto o Congresso ‘A memória, a obra e o pensamento de Maria Lamas ‘, cujas intervenções foram posteriormente editadas no livro com o mesmo título, coordenado por Regina Marques. O reconhecimento cruza-se com a nossa memória da vida e trabalho de Maria Lamas. Reconhecimento também feito de gestos públicos: a medalha da Ordem da Liberdade, em 1980, que recebe pela mão do Presidente da República, General Ramalho Eanes; a primeira ‘Medalha de Honra’ do MDM, em 1982; e a ‘Medalha Eugénie Cotton’, em 1983, da Federação Democrática Internacional de Mulheres.
Evocar Maria Lamas neste contexto é para mim motivo de profunda comoção, mas também de honra, pela saudade que guardo da minha avó Maria, do seu nobre coração de mulher, da sua profunda empatia com o sofrimento dos outros, do seu valente afrontamento do poder ilegítimo, do seu feminismo que uniu homens e mulheres no mesmo abraço, da sua insaciedade em busca do amor. Nesta noite de evocação das escritoras Maria Archer e Maria Lamas, junto-me aqui convosco, mulheres portuguesas da diáspora, como membro da comunidade científica e como parte dessa ‘metade da humanidade’. E não sei qual dessas pertenças, que não consigo aqui separar, me ditou mais as palavras que aqui lhe dedico. Não importa. O registo de universalidade em que Maria Lamas inscreveu a sua vida e o seu trabalho farão deles, seguramente, uma obra sem tempo e sem pertenças.
Lisboa, Fevereiro de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Maia 2011 - Isabel Ponce de Leão MIGRAÇÕES FEMININAS
Migrações no feminino
Isabel Ponce de Leão
Professora Catedrática
Universidade Fernando Pessoa
CLEPUL
Porto
Aprendí pronto que al emigrar se pierden las muletas que han servido de
sostén hasta entonces, hay que comenzar desde cero, porque el pasado
se borra de un plumazo y a nadie le importa de dónde uno viene o qué
ha hecho antes.
Isabel Allende
O nome de Maria Helena Vieira da Silva andará sempre associado à diáspora
portuguesa, penitente percurso em que Mulher e Pintora assumem a
cumplicidade e a comunhão fraterna inviabilizadoras de destrinça. De facto, a
pintora não existe sem a mulher ou, parafraseando Heidegger, “o artista é a
origem da obra. A obra é a origem do artista. Nenhum é sem o outro”.
Suiça, Paris, Rio de Janeiro, o mundo são lugares onde – onde sente
saudades pátrias e onde reaprende a viver. Artista e mulher carrega o estigma
do isolamento mesmo na sua terra que se lhe tornou madrasta e muito
tardiamente reconheceu a sua genialidade.
A migração foi, porventura, a sua evasão, como aconteceu com outros artistas
e escritores portugueses com quem se relacionou. Refiro-me a Sophia e a
Agustina que, sem abandonarem o solo pátrio, fogem, pela escrita para outras
paragens sempre carentes do regresso. Um outro jeito, não menos doloroso,
de migrar.
Em Longos dias têm cem anos, a propósito de uma visita a casa de Sophia
de Mello Breyner, Agustina Bessa-Luís escreve: “Arpad disse que estavam
ali as três mulheres de mais talento em Portugal. […] Maria Helena pintava,
eu escrevia romances, a Sophia fazia poesia” (Bessa-Luís, 2009: 15-16). E
afastando-se, de imediato, da vertente artística para a humana acrescenta: “A
Sophia era um caso – uma mulher que tem a cortesia de parecer vulnerável.
Eu era um caso – incerteza apaixonada. Vieira era um caso – uma mulher
justa” (Bessa-Luís, 2009: 16).
Estas foram as três mulheres que, incorporando o mistério da criação,
marcaram artística e culturalmente o Portugal do século XX pois perseguiram
com uma notável akribeia o conciliábulo ética / estética através de uma
produção assinalável, em termos quantitativos e qualitativos, instaurando
assim dinâmicas salvívicas. De facto, “se todos os artistas da terra parassem
durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota
de música, fazia-se um deserto extraordinário” (Bessa-Luís, 2008: 20). É
justamente esse deserto que, por elas e com elas, nunca aconteceu dando-nos
conta, como deram, de que “O ponto de partida de todos os sistemas estéticos
deve ser a experiência pessoal de uma emoção particular” (Bell, 2009: 22).
Assim conceberam obras que provocam o que Clive Bell denomina “emoção
estética”.
Colho Vieira da Silva como protagonista e convoco os olhares de Agustina
e de Sophia, que sobre ela recaem, de forma a relevar uma tríade feminina
enformadora de uma diáspora física e mental.
Maria Helena, a pintora, a “mulher justa” a que alude Agustina que, sobre
ela escreveria ainda: “Falava pouco. Olhava, sobretudo. Olhava com uma
intensidade fria, como se estivesse a atravessar um rio e se dividisse entre o
perigo e o prazer. O fundo arenoso onde se recortavam peixes prateados dava-
lhe aquela expressão suspensa e maravilhada; mas, de repente, o remoinho
da água trazia a noção da forte corrente, e, um pouco mais, era a dúvida,
um temor concentrado, a razão alertada. O rosto exprimia angústia, os olhos
abriam-se mais e ganhavam uma cor cristalina” (Bessa-Luís, 2008: 303-304).
Ora este retrato de Agustina ao convocar a linguagem do olhar para
caracterizar Vieira da Silva vem, muito justamente, ao encontro da ideia de
que, e seguindo os ditames de Dilthey (1994), o potencial criativo, longe de
se instituir um processo psíquico especial, emana do quotidiano, do contracto
intrínseco entre o ser humano e as suas vivências, de opções definidas e
assumidas perante as vicissitudes da vida que ora espanta, ora atemoriza
A arte de Maria Helena Vieira da Silva teve a peculiaridade de, citando
Malraux, “transformar a vida em destino” instituindo-se viagem gerada na
legítima emigração de quem procura o espaço favorável à sua expressão sem
nunca negligenciar a sensibilidade marcada pelas suas raízes.
O seu génio pessoal encontrou em Paris o meio adequado à libertação,
à ruptura com uma tradição figurativa sem negligenciar, contudo, a praxis
essencial de analogia com a realidade. É aí que, durante a década de 30,
integra a geração da Nova Escola de Paris mantendo, contudo, alguma
independência de certos –ismos de uma Europa efervescente.
Estava lançado o destino de Maria Helena na sua ligação ao abstraccionismo
propondo obras onde era clara a fragmentação de motivos figurativos num
processo destrutivo das formas significantes em demanda do onírico. Refiro
uma arte que, privilegiando formas e cores, nega temas e figuras e bane o
compromisso com a realidade. Sou, contudo, cauta ao pensar o
abstraccionismo em Vieira da Silva que a própria considera, em entrevista
concedida em 1978, ter sido “uma escolha difícil, mas tinha que partir de
dentro, devia ser uma escolha racional. Para pintar pensando com a cabeça e
fazendo com a mão”. Tinha consciência, Maria Helena, de que “a obra de arte
reflecte-se na superfície da consciência […] [e que] a análise dos seus
elementos constitui uma ponte em direcção à vida interior da obra” (Kandinsky,
2006: 25-26). O seu percurso culmina na abstracção a partir da figuração. Os
pontos, elementos originais da pintura e as linhas oriundas dos seus
movimentos, entram nos planos que têm no quadrado a sua forma
esquemática e original, jogando-se em vibrações dramáticas de modo
a “encontrar a vida, tornar sensível a sua pulsação e verificar a ordem de tudo
o que vive”, evidenciando “que é um trabalho de síntese que conduz às
revelações exteriores” (Kandinsky, 2006: 143). Pode-se afirmar que na sua
pintura “la catégorie spatiale a basculé la catégorie temporelle. Espace et
temps ont révélé leur étroite liaison” (Vallier, 1988: 21). “Depois, Maria Helena
era também consciente de que a sua arte era o repositório de experiências
vividas – onde se destaca a emigração para França – e de uma saturada
atenção aos clássicos” (Ponce de Leão, 2011).
Uma “mulher justa” (Bessa-Luís, 2009: 16) lhe chama Agustina, uma “mulher
[…] que sabe, duma maneira rápida e sem drama, o que é aceitar o mundo: é
perder o direito à inocência” (Bessa-Luís, 2008: 187). Talvez por isso abandona
a Europa no deflagrar da 2.ª Guerra Mundial. Abandono físico porque o
país e a cidade acolhedores – Brasil, Rio de Janeiro – recebem com ela a
amargura que qualquer guerra provoca. É aí que pinta “Le Désastre” (1942),
representação horrenda do conflito europeu, tumultuária, titânica e “vazia
crucificação, onde o acento futurista dum Rossolo parece petrificar-se em gente
feita de estilhas, sob um céu estilhaçado, ou hangar, estrutura mecânica de
um mundo absurdo” (França, 1988: 7). É no Brasil, mas com o pensamento
na Europa que Maria Helena, através deste quadro, bem como de “Le feu”
(1944) e de “Histoire maritime-tragique” (1944), faz a iniciação da sua obra
maior. “Le Désastre” (1942) é “a última pintura possível de uma época, de um
clima pictural, e a primeira a anunciar outra época e outro clima, e a propor-
lhe, pelo absurdo, uma negação de figuração em si própria sensível, mas
terminal” (França, 1988: 8). Trata-se de uma pintura de agouros em que o
encontro da artista com o real se faz de inquietações, interrupções, factos e
memórias. Retomando a figuração pinta os movimentos terríveis da guerra
numa linguagem de occídio só suplantada pelo “Guernica” de Picasso.
Maria Helena demanda, contudo, a verdadeira cidade dos homens e é pelo
paisagismo ou naturalismo abstracto que se liga à cultura dos espaços em
que viveu – França, Brasil, Portugal – inequivocamente testemunhados na
diáspora de uma vida, de uma obra. As suas telas espelham a cumplicidade
que não o corte com as modalidades tradicionais da figuração em sistemas
progressivos sem que com isso pactuem com a utópica ablação do real.
Contornando hierarquias formais, cria os seus valores exclusivos e emana-os
num idiolecto próprio que, fraccionando os espaços, lhes confere uma fluidez
e infinitude metafóricas que demandam a ambiguidade. Nesta ambiguidade
constrói espaços cheios e vazios que convivem na globalidade do quadro
conferindo-lhe movimento. Entre o delírio e o rigor, geometrias várias insinuam
os diferentes sentidos, enquanto processos pictóricos sugerem distâncias e
movimentos.
Enredam-se telas e fios tecidos em memórias longínquas de Portugal,
Brasil e França. E há portas e pontes, gares e baptistérios, bibliotecas e,
muito particularmente labirínticas cidades. É o mundo pictórico das linhas
verticais e horizontais estabelecedoras do dialogismo tempo / espaço na
construção do onírico. Aí se encontram as “Bibliothèques”, por ventura o
seu motivo mais obsessivo (1947-1974), arquivo de memórias, arquivo do
mundo no sentido borgeano do termo. Arquivo do tempo também. Camões,
Pessoa, Sophia, René Char, o tal dos presságios, comparecem como pontos
matriciais de uma trajectória em construção. É através desses lugares de
arquivos de experiências e memórias que ensaia o acesso às cidades, às suas
cidades que se vão descobrindo na tela num lento processo de construção
de espaços múltiplos. Depois surge o traço que fende os limites, estilhaça
a unidade agilizando a bidimensionalidade numa demanda polissémica.
Assim “estratigrafiza a paisagem, desmultiplica construções, arruamentos,
filamentos, estruturas, movimentos. Como se a cidade vista fosse apenas
uma teia de sugestões erguida com a sabedoria de Ariadne” (AA. VV., 2010:
30). “Maisons Grises” (1950), “Blanche” (1958), “Lisbonne” (1962), “Palais des
glaces” (1965), “Gaya” (1971) são apenas algumas das telas-teia que encerram
catedrais, bibliotecas, prédios, jardins, povoamentos de labirínticas cidades.
É delas que se parte num trajecto que vai do deslumbramento perturbador
e inquiridor face ao próprio acto de pintar, até ao esplendor encantatório de
um universo que a pintora vê como locus obsidente e a que abre toda a sua
disponibilidade interior com vista à reedificação.
A ideia de diáspora – voluntária e involuntária – é filão matricial da pintura
de Vieira da Silva. Há uma permanente demanda de novos horizontes na
determinação com que pinta o ausente como se estivesse presente, numa
manifesta sede de infinito.
A esta obsessão pela viagem, a este desejo de transcendência arduamente
tecido cabe a noção de heterotopia a que alude Foulcault. Trata-se de uma
procura dos “lugares que estão fora de todos os lugares” com a capacidade e o
poder “de justapor em um só lugar real vários espaços, vários posicionamentos
que são em si próprios incompatíveis” (Foulcault, 2001: 418). Este desejo, esta
procura dos espaços encontra eco na obra de Sophia, a tal mulher “que tem a
cortesia de parecer vulnerável.” (Bessa-Luís, 2009: 16),
com quem Maria Helena privou e comungou afinidades de lutas e vivências.
A sua pintura projecta-se em poemas labirínticos onde observador e pintor,
poeta e leitor se fundem e confundem no espaço insaciável e sempre iniciático
apenas com paralelo na teia de Penélope. Assim escreve Sophia (2004a: 68)
em “Maria Helena Vieira da Silva ou o Itinerário Inelutável”
Minúcia é o labirinto muro por muro
Pedra contra pedra livro sobre livro
Rua após rua escada após escada
Se faz e se desfaz o labirinto
Palácio é o labirinto e nele
Se multiplicam as salas e cintilam
Os quartos de Babel roucos e vermelhos
Passado é o labirinto: seus jardins afloram
E do fundo da memória sobem as escadas
Encruzilhada é o labirinto e antro e gruta
Biblioteca rede inventário colmeia –
Itinerário é o labirinto
Como o subir dum astro inelutável –
Mas aquele que o percorre não encontra
Toiro nenhum solar nem sol nem lua
Mas só o vidro sucessivo do vazio
E um brilho de azulejos íman frio
Onde os espelhos devoram as imagens
Exauridos pelo labirinto caminhamos
Na minúcia da busca na atenção da busca
Na luz mutável: de quadrado em quadrado
Encontramos desvios redes e castelos
Torres de vidro corredores de espanto
Mas um dia emergiremos e as cidades
Da equidade mostrarão seu branco
Sua cal sua aurora seu prodígio.
Processo de construção labiríntico, obsessivo, sofrido. Sobre este poema diz
Agustina: “é uma das mais belas poesias de Sophia de Mello Breyner, em
que ela deixa conhecer a fascinação: uma certa rigidez da forma acentua a
distância, e assegura a imutabilidade” (Bessa-Luís, 209: 92).
Uma outra diáspora. Os mesmos temas e as mesmas formas ligam as duas
artes e encorpam o movimento duplo de abertura e fechamento que remete
para tudo de quanto paradoxal tem a arte. A voz poética reconstrói uma
paisagem interminável de espaços conhecidos mas não particularizados
por entre os quais o vazio espreita. Os poemas de Sophia e os quadros de
Maria Helena remetem para a concomitância de itinerários paradoxais, como
paradoxais são as figuras que os percorrem – incessante peleja pela libertação
do olhar e do pensamento num também incessante fazer e desfazer da teia.
Também em “Tríptico ou Maria Helena, Arpad e a pintura” (Andresen, 2004b:
10) se presentifica o carácter pictórico da poesia de Sophia bem como a
afeição pela arte de quem, de alguma maneira, provoca a já referida “emoção
estética”:
I
Eles não pintam o quadro: estão dentro do quadro
II
Eles não pintam o quadro: julgam que estão dentro do quadro
III
Eles sabem que não estão dentro do quadro: pintam o quadro
Sophia aproxima-se aqui de um geometrismo onde os actores, sendo também
espectadores, se desdobram entre dois espaços e duas funções. O dentro
e o fora convergem na tela numa clara alusão ao período em que o casal
viveu no Rio de Janeiro. São dessa altura numerosos auto-retratos bem
como o que poderei chamar um processo meta-pictural uma vez que Arpad,
aquele que “pinta como quem ama a realidade – submetendo-a a puríssimos
fragmentos”, (Bessa-Luís, 2009: 21), pintou Maria Helena na feitura de telas,
que fazem parte do seu espólio, numa curiosa troca e acumulação de papéis.
Há na arte de Vieira da Silva uma projecção subjectiva da sua experiência
geracional, instituída pelo trabalho, o dever, a pesquisa que demanda campos
heterotópicos de igual modo observados em certos poemas de Sophia que
acabam por questionar o poder do espaço. O passado ensina “que a evolução
da humanidade consiste na espiritualização de numerosos valores. Entre
estes valores a arte ocupa o primeiro lugar” (Kandinsky, 2008: 48), sobretudo
se, como é o caso, existe uma relação entre a obra e a emoção que a gerou
no artista ou a emoção que ela é capaz de fomentar no espectador / leitor.
Nas telas-teia de Maria Helena e nos poemas-teia de Sophia “adivinham-se
catedrais, labirintos, bibliotecas, jardins, vendavais, arrebatamentos de estio”
(AA. VV. 2010: 32) produtos de itinerâncias físicas e mentais.
Depois há o olhar de Maria Helena, já apreciado por Agustina e também
referido por Sophia (Andresen, 1994: 31):
Atenta antena
Athena
De olhos de coruja
Na obscura noite lúcida
A pintora não existe sem a mulher. Atenção à arte. Tal como Athena pugnou
por Ulisses, Maria Helena pugnará por ela na demanda de Ítaca. Uma Ítaca
perdida na migração e no exílio mas achada pela razão (“Athena”), pela
sabedoria (“coruja”) e por muito muito trabalho que para a pintora foi “um
baptismo e uma extrema-unção […] a sua fé e o seu sacramento maior”
(Agustina, 2009: 172). De facto, a leitura das suas composições, para além
do prazer estético, provoca a percepção de um voluntário hard labour que
desconstrói, para de novo edificar, a paisagem citadina. “Quando Maria Helena
pinta ‘como se obedecesse a uma força superior’, a paz é um absurdo, como
a realidade concreta é um absurdo que é preciso recrear para que se torne
afecto do homem, obra sua” (Bessa-Luís, 2008: 22). Deve-se-lhe o fenómeno
geracional genesíaco do esplendor do abstraccionismo português, que em
muito influenciou nomes como os de Manuel Cargaleiro e Mário Cesariny.
A quebra de identidade, a orfandade cultural, o desenraizamento afectivo
que a sua condição de migrante podia carrear foi contrariada pela arte que,
pospondo molduras jurídicas e institucionais, se tornou elemento coadjuvante
de uma atitude de denúncia ou de chamada de atenção mais branda para
uma visão holística da realidade. Por outro lado, é também à sua condição
migrante1 que Maria Helena deve muita da sua habilidade artística gerada em
experiências vivenciais, em aprendizagens diversas nos espaços que percorreu
como refere Agustina: “Deixou Portugal Vieira da Silva por esperanças que as
montanhas parecem cortar de um lado e conceder o mar pelo outro. São assim
os portugueses, curiosos do que a terra lhes proíbe e ansiosos do mar que lhes
promete. Boas terras pisou Vieira da Silva; escolheu-as decerto para que o
1
Opto por esta denominação em detrimento de e/imigrante, por me parecer que, afinal, o
emigrante se torna imigrante no país de acolhimento, concitando em torno de si os dois
conceitos, ainda que os seus direitos e deveres tenham, naturalmente, características de índole
diversa, direi mesmo, quase antagónicas.
contentamento andasse a par com o trabalho”. (Bessa-Luís, 2009: 135-136)
De facto, “aquele que emigra é como o que vai ao fundo dos abismos onde
nem a morte chega sem medo, para daí trazer uma imagem amada, a imagem
da terra em que se criou. Passa-se muito fora de Portugal para que Portugal
seja mais nosso” (Bessa-Luís, 2008, 93). Talvez por isso seja sistemática
a Presença de Portugal nas telas de Vieira da Silva. Assim, o elemento
paisagístico da terra pátria presentifica-se em obras como “Pour Expliquer
Sintra à Arpad” (1932), “Alentejo” (1960) “Porto” (1962), “Vieux Lisbonne”
(1968), “Lisbonne Bleue” (1969); o pendor folclórico-etnográfico é visível
em “Santo António de Lisboa” (1949) ou “Arraial” (1950); num magnífico díptico
– “A Poesia está na Rua I / II” (1974)2 –, evocador da Revolução dos Cravos
surge uma outra cidade, espaço da liberdade colectiva que a poesia convoca.
Um Portugal policromo, perfeitamente identificado no seu “Testament” (S/A,
1994, s/p) onde se pode ler:
Je lègue à mes amis
[…]
un vermillon pour faire circuler le sang allègrement
un vert mousse pour apaiser les nerfs
un jaune d’or : richesse
[…]
“A grandeza dum espírito está na pluralidade e plenitude da sua sensibilidade.
Todo o vasto espírito é sempre um tanto santo e outro demoníaco. Todo o
artista exagera ou dilui, aviva ou simplifica” (Bessa-Luís, 2008: 22). Poesia,
prosa e pintura com nome de mulher e “para a mulher, não existe a noção de
criação, ela está dentro do mistério, faz parte dele” (Bessa-Luís, 2009: 168).
Cá dentro ou lá fora, migrantes reais ou ficcionais, Maria Helena, Sophia e
Agustina afagam todo esse mistério que envolve a diáspora, “tendência fatal
dos portugueses que se manifesta desde o primeiro bocejo” (Bessa-Luís, 2008:
94). Podem olhar, sem parcimónia umas para as outras; são conscientes de
que a arte serve “para abolir o absurdo” (Bessa-Luís, 2009: 22) e que, tal como
refere Picasso – “Pinto igual que outros escriben su biografia. Los cuadros
terminados son las páginas de mi diário” –, configura a escrita do eu.
Bibliografia
AA. VV. Abstracção. Arte Partilhada. Lisboa: Fundação Millenium bcp, 2010.
2
Sobre esta obra, escreve Agustina (2009, 78): “Quando Sophia Breyner, então deputada
socialista, pediu a Vieira para que ela fizesse um cartaz para festejar o 25 de Abril, o resultado
foi enigmático. Maria Helena pintou, conforme a sua primeira inspiração, algo como uma
igreja em ruínas. […] Nesse momento, em que devia reportar-se a um festim, como Sócrates
convidado a comparecer em casa de Ágaton, onde estarão presentes tanto os retóricos, como
os pedantes e os ricos de Atenas, nesse momento Vieira pinta uma igreja; isto é: deixa-se ficar
solitária, não estranha à festa, mas fiel à sua íntima condição de pessoa imperdoável, como foi
o próprio Sócrates na sua actualidade”.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Dual. Lisboa: Caminho, 2004a.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner Andresen. Ilhas. Lisboa: Caminho, 2004b..
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner Andresen. Musa. Lisboa: Caminho, 1994.
AZEVEDO, Fernando de. Vieira da Silva o longínquo desastre. Colóquio Artes, n.º 77.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,1988, pp. 14-16..
BESSA-LUÍS, Agustina. Dicionário Imperfeito. Lisboa: Guimarães Editores, 2008..
BESSA-LUÍS, Agustina. Longos Dias têm Cem Anos. Lisboa: Guimarães Editores,
2009.
BELL, Clive. Arte. Lisboa: Edições Texto & Grafia, 2009.
DILTHEY, Wilhelm. (1994). Sistema de Ética. S. Paulo: Ícone, 1994.
FRANÇA, José-Augusto. Vieira da Silva 1958. Colóquio Artes, n.º 77. Lisboa,
Fundação Calouste Gulbenkian, 1988, pp. 5-12.
FOUCAULT, Michel. Outros espaços. Estética: literatura e pintura, música e cinema.
Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011, pp.411-422.
HEIDEGGER, Martin. A origem da obra de arte. Lisboa: Edições 70, 2005.
KANDINSKY, Wassily. Gramática da Criação. Lisboa: Edições 70, 2008.
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PONCE DE LEÃO, Isabel. Maria Helena Vieira da Silva. Ulyssei@s.
[em linha], Março de 2011. Disponível em searchText=vieira+da+silva&sortBy=nome&page=base_recorddetail&baseid=2&search
=+Pesquisar+&recordid=53>. (Consultado em 10.04.2011).
VALLIER, Dora. Pour Vieira da Silva 1988. Colóquio Artes, n.º 77. Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian, 1988, p. 21.
Isabel Ponce de Leão
Professora Catedrática
Universidade Fernando Pessoa
CLEPUL
Porto
Aprendí pronto que al emigrar se pierden las muletas que han servido de
sostén hasta entonces, hay que comenzar desde cero, porque el pasado
se borra de un plumazo y a nadie le importa de dónde uno viene o qué
ha hecho antes.
Isabel Allende
O nome de Maria Helena Vieira da Silva andará sempre associado à diáspora
portuguesa, penitente percurso em que Mulher e Pintora assumem a
cumplicidade e a comunhão fraterna inviabilizadoras de destrinça. De facto, a
pintora não existe sem a mulher ou, parafraseando Heidegger, “o artista é a
origem da obra. A obra é a origem do artista. Nenhum é sem o outro”.
Suiça, Paris, Rio de Janeiro, o mundo são lugares onde – onde sente
saudades pátrias e onde reaprende a viver. Artista e mulher carrega o estigma
do isolamento mesmo na sua terra que se lhe tornou madrasta e muito
tardiamente reconheceu a sua genialidade.
A migração foi, porventura, a sua evasão, como aconteceu com outros artistas
e escritores portugueses com quem se relacionou. Refiro-me a Sophia e a
Agustina que, sem abandonarem o solo pátrio, fogem, pela escrita para outras
paragens sempre carentes do regresso. Um outro jeito, não menos doloroso,
de migrar.
Em Longos dias têm cem anos, a propósito de uma visita a casa de Sophia
de Mello Breyner, Agustina Bessa-Luís escreve: “Arpad disse que estavam
ali as três mulheres de mais talento em Portugal. […] Maria Helena pintava,
eu escrevia romances, a Sophia fazia poesia” (Bessa-Luís, 2009: 15-16). E
afastando-se, de imediato, da vertente artística para a humana acrescenta: “A
Sophia era um caso – uma mulher que tem a cortesia de parecer vulnerável.
Eu era um caso – incerteza apaixonada. Vieira era um caso – uma mulher
justa” (Bessa-Luís, 2009: 16).
Estas foram as três mulheres que, incorporando o mistério da criação,
marcaram artística e culturalmente o Portugal do século XX pois perseguiram
com uma notável akribeia o conciliábulo ética / estética através de uma
produção assinalável, em termos quantitativos e qualitativos, instaurando
assim dinâmicas salvívicas. De facto, “se todos os artistas da terra parassem
durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota
de música, fazia-se um deserto extraordinário” (Bessa-Luís, 2008: 20). É
justamente esse deserto que, por elas e com elas, nunca aconteceu dando-nos
conta, como deram, de que “O ponto de partida de todos os sistemas estéticos
deve ser a experiência pessoal de uma emoção particular” (Bell, 2009: 22).
Assim conceberam obras que provocam o que Clive Bell denomina “emoção
estética”.
Colho Vieira da Silva como protagonista e convoco os olhares de Agustina
e de Sophia, que sobre ela recaem, de forma a relevar uma tríade feminina
enformadora de uma diáspora física e mental.
Maria Helena, a pintora, a “mulher justa” a que alude Agustina que, sobre
ela escreveria ainda: “Falava pouco. Olhava, sobretudo. Olhava com uma
intensidade fria, como se estivesse a atravessar um rio e se dividisse entre o
perigo e o prazer. O fundo arenoso onde se recortavam peixes prateados dava-
lhe aquela expressão suspensa e maravilhada; mas, de repente, o remoinho
da água trazia a noção da forte corrente, e, um pouco mais, era a dúvida,
um temor concentrado, a razão alertada. O rosto exprimia angústia, os olhos
abriam-se mais e ganhavam uma cor cristalina” (Bessa-Luís, 2008: 303-304).
Ora este retrato de Agustina ao convocar a linguagem do olhar para
caracterizar Vieira da Silva vem, muito justamente, ao encontro da ideia de
que, e seguindo os ditames de Dilthey (1994), o potencial criativo, longe de
se instituir um processo psíquico especial, emana do quotidiano, do contracto
intrínseco entre o ser humano e as suas vivências, de opções definidas e
assumidas perante as vicissitudes da vida que ora espanta, ora atemoriza
A arte de Maria Helena Vieira da Silva teve a peculiaridade de, citando
Malraux, “transformar a vida em destino” instituindo-se viagem gerada na
legítima emigração de quem procura o espaço favorável à sua expressão sem
nunca negligenciar a sensibilidade marcada pelas suas raízes.
O seu génio pessoal encontrou em Paris o meio adequado à libertação,
à ruptura com uma tradição figurativa sem negligenciar, contudo, a praxis
essencial de analogia com a realidade. É aí que, durante a década de 30,
integra a geração da Nova Escola de Paris mantendo, contudo, alguma
independência de certos –ismos de uma Europa efervescente.
Estava lançado o destino de Maria Helena na sua ligação ao abstraccionismo
propondo obras onde era clara a fragmentação de motivos figurativos num
processo destrutivo das formas significantes em demanda do onírico. Refiro
uma arte que, privilegiando formas e cores, nega temas e figuras e bane o
compromisso com a realidade. Sou, contudo, cauta ao pensar o
abstraccionismo em Vieira da Silva que a própria considera, em entrevista
concedida em 1978, ter sido “uma escolha difícil, mas tinha que partir de
dentro, devia ser uma escolha racional. Para pintar pensando com a cabeça e
fazendo com a mão”. Tinha consciência, Maria Helena, de que “a obra de arte
reflecte-se na superfície da consciência […] [e que] a análise dos seus
elementos constitui uma ponte em direcção à vida interior da obra” (Kandinsky,
2006: 25-26). O seu percurso culmina na abstracção a partir da figuração. Os
pontos, elementos originais da pintura e as linhas oriundas dos seus
movimentos, entram nos planos que têm no quadrado a sua forma
esquemática e original, jogando-se em vibrações dramáticas de modo
a “encontrar a vida, tornar sensível a sua pulsação e verificar a ordem de tudo
o que vive”, evidenciando “que é um trabalho de síntese que conduz às
revelações exteriores” (Kandinsky, 2006: 143). Pode-se afirmar que na sua
pintura “la catégorie spatiale a basculé la catégorie temporelle. Espace et
temps ont révélé leur étroite liaison” (Vallier, 1988: 21). “Depois, Maria Helena
era também consciente de que a sua arte era o repositório de experiências
vividas – onde se destaca a emigração para França – e de uma saturada
atenção aos clássicos” (Ponce de Leão, 2011).
Uma “mulher justa” (Bessa-Luís, 2009: 16) lhe chama Agustina, uma “mulher
[…] que sabe, duma maneira rápida e sem drama, o que é aceitar o mundo: é
perder o direito à inocência” (Bessa-Luís, 2008: 187). Talvez por isso abandona
a Europa no deflagrar da 2.ª Guerra Mundial. Abandono físico porque o
país e a cidade acolhedores – Brasil, Rio de Janeiro – recebem com ela a
amargura que qualquer guerra provoca. É aí que pinta “Le Désastre” (1942),
representação horrenda do conflito europeu, tumultuária, titânica e “vazia
crucificação, onde o acento futurista dum Rossolo parece petrificar-se em gente
feita de estilhas, sob um céu estilhaçado, ou hangar, estrutura mecânica de
um mundo absurdo” (França, 1988: 7). É no Brasil, mas com o pensamento
na Europa que Maria Helena, através deste quadro, bem como de “Le feu”
(1944) e de “Histoire maritime-tragique” (1944), faz a iniciação da sua obra
maior. “Le Désastre” (1942) é “a última pintura possível de uma época, de um
clima pictural, e a primeira a anunciar outra época e outro clima, e a propor-
lhe, pelo absurdo, uma negação de figuração em si própria sensível, mas
terminal” (França, 1988: 8). Trata-se de uma pintura de agouros em que o
encontro da artista com o real se faz de inquietações, interrupções, factos e
memórias. Retomando a figuração pinta os movimentos terríveis da guerra
numa linguagem de occídio só suplantada pelo “Guernica” de Picasso.
Maria Helena demanda, contudo, a verdadeira cidade dos homens e é pelo
paisagismo ou naturalismo abstracto que se liga à cultura dos espaços em
que viveu – França, Brasil, Portugal – inequivocamente testemunhados na
diáspora de uma vida, de uma obra. As suas telas espelham a cumplicidade
que não o corte com as modalidades tradicionais da figuração em sistemas
progressivos sem que com isso pactuem com a utópica ablação do real.
Contornando hierarquias formais, cria os seus valores exclusivos e emana-os
num idiolecto próprio que, fraccionando os espaços, lhes confere uma fluidez
e infinitude metafóricas que demandam a ambiguidade. Nesta ambiguidade
constrói espaços cheios e vazios que convivem na globalidade do quadro
conferindo-lhe movimento. Entre o delírio e o rigor, geometrias várias insinuam
os diferentes sentidos, enquanto processos pictóricos sugerem distâncias e
movimentos.
Enredam-se telas e fios tecidos em memórias longínquas de Portugal,
Brasil e França. E há portas e pontes, gares e baptistérios, bibliotecas e,
muito particularmente labirínticas cidades. É o mundo pictórico das linhas
verticais e horizontais estabelecedoras do dialogismo tempo / espaço na
construção do onírico. Aí se encontram as “Bibliothèques”, por ventura o
seu motivo mais obsessivo (1947-1974), arquivo de memórias, arquivo do
mundo no sentido borgeano do termo. Arquivo do tempo também. Camões,
Pessoa, Sophia, René Char, o tal dos presságios, comparecem como pontos
matriciais de uma trajectória em construção. É através desses lugares de
arquivos de experiências e memórias que ensaia o acesso às cidades, às suas
cidades que se vão descobrindo na tela num lento processo de construção
de espaços múltiplos. Depois surge o traço que fende os limites, estilhaça
a unidade agilizando a bidimensionalidade numa demanda polissémica.
Assim “estratigrafiza a paisagem, desmultiplica construções, arruamentos,
filamentos, estruturas, movimentos. Como se a cidade vista fosse apenas
uma teia de sugestões erguida com a sabedoria de Ariadne” (AA. VV., 2010:
30). “Maisons Grises” (1950), “Blanche” (1958), “Lisbonne” (1962), “Palais des
glaces” (1965), “Gaya” (1971) são apenas algumas das telas-teia que encerram
catedrais, bibliotecas, prédios, jardins, povoamentos de labirínticas cidades.
É delas que se parte num trajecto que vai do deslumbramento perturbador
e inquiridor face ao próprio acto de pintar, até ao esplendor encantatório de
um universo que a pintora vê como locus obsidente e a que abre toda a sua
disponibilidade interior com vista à reedificação.
A ideia de diáspora – voluntária e involuntária – é filão matricial da pintura
de Vieira da Silva. Há uma permanente demanda de novos horizontes na
determinação com que pinta o ausente como se estivesse presente, numa
manifesta sede de infinito.
A esta obsessão pela viagem, a este desejo de transcendência arduamente
tecido cabe a noção de heterotopia a que alude Foulcault. Trata-se de uma
procura dos “lugares que estão fora de todos os lugares” com a capacidade e o
poder “de justapor em um só lugar real vários espaços, vários posicionamentos
que são em si próprios incompatíveis” (Foulcault, 2001: 418). Este desejo, esta
procura dos espaços encontra eco na obra de Sophia, a tal mulher “que tem a
cortesia de parecer vulnerável.” (Bessa-Luís, 2009: 16),
com quem Maria Helena privou e comungou afinidades de lutas e vivências.
A sua pintura projecta-se em poemas labirínticos onde observador e pintor,
poeta e leitor se fundem e confundem no espaço insaciável e sempre iniciático
apenas com paralelo na teia de Penélope. Assim escreve Sophia (2004a: 68)
em “Maria Helena Vieira da Silva ou o Itinerário Inelutável”
Minúcia é o labirinto muro por muro
Pedra contra pedra livro sobre livro
Rua após rua escada após escada
Se faz e se desfaz o labirinto
Palácio é o labirinto e nele
Se multiplicam as salas e cintilam
Os quartos de Babel roucos e vermelhos
Passado é o labirinto: seus jardins afloram
E do fundo da memória sobem as escadas
Encruzilhada é o labirinto e antro e gruta
Biblioteca rede inventário colmeia –
Itinerário é o labirinto
Como o subir dum astro inelutável –
Mas aquele que o percorre não encontra
Toiro nenhum solar nem sol nem lua
Mas só o vidro sucessivo do vazio
E um brilho de azulejos íman frio
Onde os espelhos devoram as imagens
Exauridos pelo labirinto caminhamos
Na minúcia da busca na atenção da busca
Na luz mutável: de quadrado em quadrado
Encontramos desvios redes e castelos
Torres de vidro corredores de espanto
Mas um dia emergiremos e as cidades
Da equidade mostrarão seu branco
Sua cal sua aurora seu prodígio.
Processo de construção labiríntico, obsessivo, sofrido. Sobre este poema diz
Agustina: “é uma das mais belas poesias de Sophia de Mello Breyner, em
que ela deixa conhecer a fascinação: uma certa rigidez da forma acentua a
distância, e assegura a imutabilidade” (Bessa-Luís, 209: 92).
Uma outra diáspora. Os mesmos temas e as mesmas formas ligam as duas
artes e encorpam o movimento duplo de abertura e fechamento que remete
para tudo de quanto paradoxal tem a arte. A voz poética reconstrói uma
paisagem interminável de espaços conhecidos mas não particularizados
por entre os quais o vazio espreita. Os poemas de Sophia e os quadros de
Maria Helena remetem para a concomitância de itinerários paradoxais, como
paradoxais são as figuras que os percorrem – incessante peleja pela libertação
do olhar e do pensamento num também incessante fazer e desfazer da teia.
Também em “Tríptico ou Maria Helena, Arpad e a pintura” (Andresen, 2004b:
10) se presentifica o carácter pictórico da poesia de Sophia bem como a
afeição pela arte de quem, de alguma maneira, provoca a já referida “emoção
estética”:
I
Eles não pintam o quadro: estão dentro do quadro
II
Eles não pintam o quadro: julgam que estão dentro do quadro
III
Eles sabem que não estão dentro do quadro: pintam o quadro
Sophia aproxima-se aqui de um geometrismo onde os actores, sendo também
espectadores, se desdobram entre dois espaços e duas funções. O dentro
e o fora convergem na tela numa clara alusão ao período em que o casal
viveu no Rio de Janeiro. São dessa altura numerosos auto-retratos bem
como o que poderei chamar um processo meta-pictural uma vez que Arpad,
aquele que “pinta como quem ama a realidade – submetendo-a a puríssimos
fragmentos”, (Bessa-Luís, 2009: 21), pintou Maria Helena na feitura de telas,
que fazem parte do seu espólio, numa curiosa troca e acumulação de papéis.
Há na arte de Vieira da Silva uma projecção subjectiva da sua experiência
geracional, instituída pelo trabalho, o dever, a pesquisa que demanda campos
heterotópicos de igual modo observados em certos poemas de Sophia que
acabam por questionar o poder do espaço. O passado ensina “que a evolução
da humanidade consiste na espiritualização de numerosos valores. Entre
estes valores a arte ocupa o primeiro lugar” (Kandinsky, 2008: 48), sobretudo
se, como é o caso, existe uma relação entre a obra e a emoção que a gerou
no artista ou a emoção que ela é capaz de fomentar no espectador / leitor.
Nas telas-teia de Maria Helena e nos poemas-teia de Sophia “adivinham-se
catedrais, labirintos, bibliotecas, jardins, vendavais, arrebatamentos de estio”
(AA. VV. 2010: 32) produtos de itinerâncias físicas e mentais.
Depois há o olhar de Maria Helena, já apreciado por Agustina e também
referido por Sophia (Andresen, 1994: 31):
Atenta antena
Athena
De olhos de coruja
Na obscura noite lúcida
A pintora não existe sem a mulher. Atenção à arte. Tal como Athena pugnou
por Ulisses, Maria Helena pugnará por ela na demanda de Ítaca. Uma Ítaca
perdida na migração e no exílio mas achada pela razão (“Athena”), pela
sabedoria (“coruja”) e por muito muito trabalho que para a pintora foi “um
baptismo e uma extrema-unção […] a sua fé e o seu sacramento maior”
(Agustina, 2009: 172). De facto, a leitura das suas composições, para além
do prazer estético, provoca a percepção de um voluntário hard labour que
desconstrói, para de novo edificar, a paisagem citadina. “Quando Maria Helena
pinta ‘como se obedecesse a uma força superior’, a paz é um absurdo, como
a realidade concreta é um absurdo que é preciso recrear para que se torne
afecto do homem, obra sua” (Bessa-Luís, 2008: 22). Deve-se-lhe o fenómeno
geracional genesíaco do esplendor do abstraccionismo português, que em
muito influenciou nomes como os de Manuel Cargaleiro e Mário Cesariny.
A quebra de identidade, a orfandade cultural, o desenraizamento afectivo
que a sua condição de migrante podia carrear foi contrariada pela arte que,
pospondo molduras jurídicas e institucionais, se tornou elemento coadjuvante
de uma atitude de denúncia ou de chamada de atenção mais branda para
uma visão holística da realidade. Por outro lado, é também à sua condição
migrante1 que Maria Helena deve muita da sua habilidade artística gerada em
experiências vivenciais, em aprendizagens diversas nos espaços que percorreu
como refere Agustina: “Deixou Portugal Vieira da Silva por esperanças que as
montanhas parecem cortar de um lado e conceder o mar pelo outro. São assim
os portugueses, curiosos do que a terra lhes proíbe e ansiosos do mar que lhes
promete. Boas terras pisou Vieira da Silva; escolheu-as decerto para que o
1
Opto por esta denominação em detrimento de e/imigrante, por me parecer que, afinal, o
emigrante se torna imigrante no país de acolhimento, concitando em torno de si os dois
conceitos, ainda que os seus direitos e deveres tenham, naturalmente, características de índole
diversa, direi mesmo, quase antagónicas.
contentamento andasse a par com o trabalho”. (Bessa-Luís, 2009: 135-136)
De facto, “aquele que emigra é como o que vai ao fundo dos abismos onde
nem a morte chega sem medo, para daí trazer uma imagem amada, a imagem
da terra em que se criou. Passa-se muito fora de Portugal para que Portugal
seja mais nosso” (Bessa-Luís, 2008, 93). Talvez por isso seja sistemática
a Presença de Portugal nas telas de Vieira da Silva. Assim, o elemento
paisagístico da terra pátria presentifica-se em obras como “Pour Expliquer
Sintra à Arpad” (1932), “Alentejo” (1960) “Porto” (1962), “Vieux Lisbonne”
(1968), “Lisbonne Bleue” (1969); o pendor folclórico-etnográfico é visível
em “Santo António de Lisboa” (1949) ou “Arraial” (1950); num magnífico díptico
– “A Poesia está na Rua I / II” (1974)2 –, evocador da Revolução dos Cravos
surge uma outra cidade, espaço da liberdade colectiva que a poesia convoca.
Um Portugal policromo, perfeitamente identificado no seu “Testament” (S/A,
1994, s/p) onde se pode ler:
Je lègue à mes amis
[…]
un vermillon pour faire circuler le sang allègrement
un vert mousse pour apaiser les nerfs
un jaune d’or : richesse
[…]
“A grandeza dum espírito está na pluralidade e plenitude da sua sensibilidade.
Todo o vasto espírito é sempre um tanto santo e outro demoníaco. Todo o
artista exagera ou dilui, aviva ou simplifica” (Bessa-Luís, 2008: 22). Poesia,
prosa e pintura com nome de mulher e “para a mulher, não existe a noção de
criação, ela está dentro do mistério, faz parte dele” (Bessa-Luís, 2009: 168).
Cá dentro ou lá fora, migrantes reais ou ficcionais, Maria Helena, Sophia e
Agustina afagam todo esse mistério que envolve a diáspora, “tendência fatal
dos portugueses que se manifesta desde o primeiro bocejo” (Bessa-Luís, 2008:
94). Podem olhar, sem parcimónia umas para as outras; são conscientes de
que a arte serve “para abolir o absurdo” (Bessa-Luís, 2009: 22) e que, tal como
refere Picasso – “Pinto igual que outros escriben su biografia. Los cuadros
terminados son las páginas de mi diário” –, configura a escrita do eu.
Bibliografia
AA. VV. Abstracção. Arte Partilhada. Lisboa: Fundação Millenium bcp, 2010.
2
Sobre esta obra, escreve Agustina (2009, 78): “Quando Sophia Breyner, então deputada
socialista, pediu a Vieira para que ela fizesse um cartaz para festejar o 25 de Abril, o resultado
foi enigmático. Maria Helena pintou, conforme a sua primeira inspiração, algo como uma
igreja em ruínas. […] Nesse momento, em que devia reportar-se a um festim, como Sócrates
convidado a comparecer em casa de Ágaton, onde estarão presentes tanto os retóricos, como
os pedantes e os ricos de Atenas, nesse momento Vieira pinta uma igreja; isto é: deixa-se ficar
solitária, não estranha à festa, mas fiel à sua íntima condição de pessoa imperdoável, como foi
o próprio Sócrates na sua actualidade”.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Dual. Lisboa: Caminho, 2004a.
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner Andresen. Ilhas. Lisboa: Caminho, 2004b..
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner Andresen. Musa. Lisboa: Caminho, 1994.
AZEVEDO, Fernando de. Vieira da Silva o longínquo desastre. Colóquio Artes, n.º 77.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,1988, pp. 14-16..
BESSA-LUÍS, Agustina. Dicionário Imperfeito. Lisboa: Guimarães Editores, 2008..
BESSA-LUÍS, Agustina. Longos Dias têm Cem Anos. Lisboa: Guimarães Editores,
2009.
BELL, Clive. Arte. Lisboa: Edições Texto & Grafia, 2009.
DILTHEY, Wilhelm. (1994). Sistema de Ética. S. Paulo: Ícone, 1994.
FRANÇA, José-Augusto. Vieira da Silva 1958. Colóquio Artes, n.º 77. Lisboa,
Fundação Calouste Gulbenkian, 1988, pp. 5-12.
FOUCAULT, Michel. Outros espaços. Estética: literatura e pintura, música e cinema.
Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011, pp.411-422.
HEIDEGGER, Martin. A origem da obra de arte. Lisboa: Edições 70, 2005.
KANDINSKY, Wassily. Gramática da Criação. Lisboa: Edições 70, 2008.
KANDINSKY, Wassily. Ponto, Linha, Plano. Lisboa: Edições 70, 2006.
S / A. Presença de Portugal na obra de Arpad Szenes e Vieira da Silva. Lisboa:
Fundação Arapad Szenes – Vieira da Silva, 1994.
PONCE DE LEÃO, Isabel. Maria Helena Vieira da Silva. Ulyssei@s.
[em linha], Março de 2011. Disponível em
=+Pesquisar+&recordid=53>. (Consultado em 10.04.2011).
VALLIER, Dora. Pour Vieira da Silva 1988. Colóquio Artes, n.º 77. Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian, 1988, p. 21.
sábado, 3 de março de 2012
Maria da Conceição Ramos TRABALHO E EMPREENDEDORISMO SOCIAL DA MULHER PORTUGUESA DA DIÁSPORA
Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora
24-26 de Novembro de 2011
Professora Doutora Maria da Conceição Pereira Ramos
Universidade do Porto – Faculdade de Economia
e CEMRI – UAb
e-mail: cramos@fep.up.pt
Comunicação
Trabalho e empreendedorismo social da mulher portuguesa na diáspora
Resumo
A constituição de uma grande diáspora portuguesa e feminina é visível na sua forte representação nos países de acolhimento, onde o trabalho é uma dimensão essencial de autonomia, de integração e de socialização.
Os portugueses imigrantes, homens e mulheres, no passado e no presente, denotam capacidade de organização, de liderança e de comprometimento em organizações de voluntariado, de ordem associativa, organizações sem fins lucrativos, pertencendo ao terceiro sector, à economia social e solidária.
O conjunto de iniciativas socioculturais e político-cívicas (ensino da língua, promoção e divulgação da cultura portuguesa, apoio social, assistência jurídico-informativa, ….) ajudam na integração social dos migrantes e na aproximação e visibilidade da comunidade.
Assinale-se a importância do trabalho das mulheres migrantes, muito dele voluntário, e do seu empreendedorismo para o sistema económico e a solidariedade social. Estas mulheres são agentes de mudança e de desenvolvimento nos países de origem e de acolhimento, onde a sua participação contribui para o aumento da cidadania e da coesão social.
“E aonde chegue um emigrante lusíada chega uma criatura convivente, prestante, diligente e influente, que concilia, congrega, desbrava, cria riqueza, funda instituições benemerentes, semeia humanidade. E chegam sempre portugueses aos mais recônditos confins do globo, de saquita ao ombro e de cordialidade na voz e na alma”.
Miguel Torga, Diário XV, Círculo de Leitores, 2001, p. 1471-1472.
1 – Trabalho das mulheres migrantes e intercâmbios culturais e económicos
Os migrantes, homens e mulheres, têm uma importância fundamental na diáspora de Portugal no mundo, seja pelo seu número, seja pelo papel activo que desempenham no mercado de trabalho, nas redes sociais e associativas, na economia e desenvolvimento dos países de acolhimento e de origem. A constituição de uma grande diáspora portuguesa e feminina é visível na forte representação atingida nos países de acolhimento, onde o seu trabalho é uma dimensão essencial de integração e de socialização.
Importância das mulheres portuguesas nalguns países europeus
Países Nº Portugueses % mulheres
Reino Unido (2009) 96 000 50%
Bélgica (2007) 29 800 49%
França (2007) 491 000 47%
Alemanha (2009) 205 300 46%
Suíça (2009) 205 300 45%
Holanda (2009) 15 400 45%
Fonte: OCDE (2011)
A França e a Alemanha são países de emigração mais antiga, sobretudo a partir dos anos sessenta do século XX, onde os fluxos migratórios já estão consolidados, existindo “segundas” e “terceiras” gerações de migrantes (Ramos, 1999). No Reino Unido e na Suíça, os fluxos de mobilidade são mais recentes e as “segundas” gerações são ainda jovens.
No ano de 2011, as estimativas referem que terão saído 120 mil cidadãos de Portugal. Imperativos de ordem económica e profissional determinam a grande parte destes movimentos migratórios. O aumento da emigração dos mais qualificados ao nível mundial é uma tendência dos últimos anos (Ramos, 2008b). Cerca de 20% dos licenciados portugueses emigram (Docquier e Marfouk, 2006). Actualmente, uma parte significativa desta emigração ocorre no espaço da livre circulação da União Europeia e assume uma lógica temporária e não definitiva, mas também assistimos à descoberta de novos destinos extra-europeus, como o Brasil e Angola. Engenheiros, arquitectos, gestores, face à recessão do sector da construção, começam a dirigir-se para estes destinos mais distantes, onde a oferta de emprego é grande. Enfermeiros, farmacêuticos e médicos-dentistas, por exemplo, têm na Europa o destino privilegiado, estando as mulheres fortemente representadas nestes novos fluxos, nomeadamente associados à saúde e à educação.
Existe uma procura do trabalho feminino na economia global, tanto para actividades mais qualificadas, como menos qualificadas, nas novas tecnologias, na saúde, na educação, nos serviços pessoais e sociais, nomeadamente para o trabalho doméstico e de enfermagem (Ramos, 2009, 2011a). A feminização das migrações internacionais é uma das principais características da nova era das migrações. As mulheres representam 53% dos migrantes na Europa, a taxa mais elevada em relação aos outros continentes (OSCE/OIM/OIT, 2006).
Da análise da emigração portuguesa, constatamos que a emigração feminina transforma a natureza do projecto migratório, reconvertendo-o de temporário em definitivo, ou em mais prolongado. O panorama não se alterou significativamente, até à segunda metade do século XX. É visível o elevado grau de masculinidade na saída de portugueses no período de 1955 a 1974 e incremento da emigração familiar de 1970 a 1974 (Arroteia, 1983; Ramos, 1990). A feminização das migrações ganhou visibilidade no seguimento do choque petrolífero de 1973-74, com as alterações no mercado de trabalho e a reunificação familiar. A família assume um papel determinante no projecto migratório, seja na integração no país de acolhimento, seja na decisão de regresso a Portugal.
A capacidade de decisão e de intervenção das mulheres migrantes portuguesas, bem como o papel activo que desempenham ao nível económico, social e cultural, tem vindo a aumentar. O trabalho, a educação, as competências linguísticas e multiculturais, e a dupla nacionalidade são factores importantes para a integração e a participação cidadã nos países de acolhimento e de origem (Ramos et al, 2007).
Existe heterogeneidade de situações no que respeita à inserção das migrantes portuguesas em diferentes sociedades, sejam de emigração recente ou antiga, sejam mais favoráveis ao emprego e ao empreendedorismo do que outras. No Brasil, por exemplo, os imigrantes portugueses estabeleceram-se nas áreas urbanas e dedicaram-se às actividades comerciais, estando as mulheres portuguesas e o seu trabalho representadas em diferentes estudos (Boschilia, 2005; Pascal, 2005). A importância das mulheres migrantes nos serviços, especialmente trabalho doméstico (Cox, 2006), nomeadamente das mulheres portuguesas, na Europa, é uma realidade (Ramos, 1990, 2009).
As taxas de actividade das emigrantes portuguesas nos países de acolhimento são muito elevadas, superiores às da população residente, autóctone e estrangeira, e a experiência migratória permite-lhes adquirir novas competências. Estando afectadas a serviços pessoais e sociais, têm resistido melhor do que os homens ao contexto de crise actual no mercado de trabalho (OCDE, 2010, 2011), dado que o emprego das mulheres se situa em sectores (sociais e serviços domésticos, por exemplo) que não sofreram tanto com a crise económica. É possível também que as mulheres migrantes tenham aumentado a sua participação no mercado de trabalho, a fim de compensar as perdas de rendimentos dos homens migrantes.
Assinale-se, no entanto, a importância das mulheres migrantes entre os trabalhadores com modalidades atípicas, temporárias e precárias de emprego, onde acumulam algumas discriminações, ocupando mais frequentemente do que as autóctones empregos para os quais são sobrequalificadas e sendo mais afectadas pelo desemprego (Ramos, 2010). É escassa a informação sobre as condições de trabalho das pessoas imigrantes e o efeito que têm sobre a saúde. A invisibilidade das condições de trabalho das mulheres no sector doméstico é um exemplo. Natália Ramos (1993, 2009, 2010, 2011) tem analisado algumas das questões que se colocam à família e à mulher trabalhadora e mãe imigrante em contexto migratório, e às politicas públicas a implementar visando a sua integração, saúde e desenvolvimento.
Nos países de acolhimento, o trabalho das mulheres migrantes é essencial na área dos serviços, verificando-se uma mobilidade ascendente das “segundas” e “terceiras” gerações, nomeadamente através do acesso ao sector público e às actividades mais qualificadas e por conta própria. A inserção laboral das mulheres migrantes é um factor fundamental de autonomia, rompendo muitas vezes com o controlo patriarcal e a situação de “doméstica” antes da emigração, mas é igualmente um factor de socialização e de ajustamento a valores da sociedade de acolhimento, importantes para a integração e o exercício da cidadania.
Há que destacar os projectos de vida das “novas gerações de migrantes”, relacionados com a sua integração social, cultural, laboral e política, nas sociedades de acolhimento e no quadro da União Europeia e dos novos direitos de cidadania (Ramos, 2003b, 2004, 2005, 2007; La Barre, 2006). Os conhecimentos multiculturais e linguísticos abrem novas perspectivas de emprego às gerações descendentes de portugueses, no quadro da globalização. Neste sentido é pertinente estudar os novos comportamentos de mobilidade e a interacção país de origem/país de acolhimento. Os “novos trabalhadores globais” incluem as populações migrantes, necessárias à eficácia económica. Para as empresas, num contexto de globalização, ter pessoal qualificado, capaz de trabalhar em diversos ambientes culturais e em constante mobilidade, é um factor de competitividade. A internacionalização da economia portuguesa passa pela disponibilidade no mercado de trabalho de recursos humanos, tendo este potencial linguístico, cultural e profissional (Ramos, 2003a).
As mulheres migrantes ganham independência, empoderamento e qualificações, no projecto migratório, tendo um papel decisivo na gestão do orçamento familiar e das poupanças. A sua capacidade empreendedora e o peso crescente no envio de remessas financeiras para Portugal, é evidente. As mulheres migrantes contribuem, cada vez mais, para essas remessas, as quais trazem vantagens para o país de origem, no plano social, educativo e sanitário (Martin, 2007; Ramos, 1990, 2003a). A sua capacidade de poupança e de gestão são importantes contributos para a economia familiar e o desenvolvimento, recomendando a ONU às autoridades bancárias, que foquem a sua atenção nas mulheres migrantes, nas suas remessas e apoiem o seu empreendedorismo. Como constatamos (Ramos, 1990), no estudo da emigração portuguesa em França, a contribuição financeira da mulher é importante, por vezes acumulando horas de trabalho como doméstica em particulares, com limpeza de escritórios à noite, com trabalho de porteira, podendo ganhar um salário superior ao do marido (cf. também Leandro, 1995). A autonomia financeira, impensável antes da emigração, acompanha igualmente a usura e desgaste profissional, com longas jornadas de trabalho.
Os migrantes, mulheres e homens, desenvolvem práticas transnacionais e relações sociais de natureza múltiplas, ligando as sociedades de origem e as de acolhimento, através de transacções culturais e económicas. As mulheres migrantes contribuem para diferentes transformações e inovações, novas dinâmicas familiares e demográficas e mudanças progressistas que afectam as mentalidades, os hábitos de vida, a educação e a igualdade entre os géneros (Ramos, 2008a).
2 - Economia solidária, voluntariado e empreendedorismo social migrante feminino
O sector não lucrativo, referido por terceiro sector, economia social ou sector voluntário, é constituído por diferentes instituições organizadas sob a forma de associação, fundação, misericórdia, cooperativa, mutualidade, clube, etc., prosseguindo variados objectivos. As características comuns deste tipo de organização, numa perspectiva económica, residem na regra de não distribuição dos lucros gerados na actividade e no desenvolvimento de uma actividade que prossegue o bem-estar social (Ramos, 2011b).
O empreendedorismo social é uma actividade inovadora de criação de valor social, que pode ser desenvolvido em diferentes esferas – económica, educativa, social e espiritual – com actividades realizadas por indivíduos e organizações, incluindo o sector público, organizações comunitárias, organizações de acção social e instituições de caridade (Weerawardena e Mort, 2006).
O empreendedorismo social está associado ao desenvolvimento de projectos (de indivíduos ou de comunidades, não necessariamente envolvidos numa organização) que visam o interesse geral, o chamado bem comum, ou dar resposta a necessidades sociais não satisfeitas. O empreendedorismo social tem sido visto como um agente de mudança social, tanto em áreas de preocupação social como na área das políticas sociais públicas (Waddock e Post, 1991).
Falar de empreendedorismo migrante feminino é ir além do empreendedorismo económico e abranger áreas como o empreendedorismo associativo, cultural, social ou político, com impacto na capacidade de intervenção e poder das mulheres migrantes. Tem sido pouco estudado este empreendedorismo social, propiciador de práticas de inovação social com impacto na sociedade, mais vasto do que o grupo migrante a que se destina.
A economia solidária coloca desafios e oportunidades de inovação social nas suas relações com o Estado e a sociedade civil. A inovação social diz respeito a novas estratégias, conceitos, ideias e organizações que respondem a necessidades sociais de todos os tipos – desde as condições de trabalho e de educação, até ao desenvolvimento comunitário e à saúde – e que alargam e reforçam a sociedade civil. A inovação é uma componente crucial do empreendedorismo social. Evidenciando a importância desta questão, o ano de 2011 foi o ano europeu consagrado ao voluntariado e, nomeadamente, ao associativismo migrante.
As associações de migrantes portugueses desenvolvem-se sobretudo depois de 1974, através de um reforço institucional da área emigratória. Em 1980, assinale-se a criação do Conselho das Comunidades Portuguesas no Mundo, facilitando o apoio às associações que dele fizerem parte (DL nº 373/80 de 12 de Setembro). Foi “a primeira experiência de audição e diálogo institucional, entre o governo português, a sua emigração e a sua diáspora. Era um órgão consultivo do governo, constituído por representantes eleitos no mundo associativo, apelando à força e ao papel central que as associações têm na construção e preservação das comunidades de emigrantes” (Aguiar, 2009:257).
As mulheres portuguesas na diáspora têm um importante papel nas redes sociais, através das relações interpessoais fomentadas pelo trabalho, associações, geminações, actividades em paróquias. Estas imigrantes participam no quadro de associações mistas, sobretudo criadas e dirigidas por homens.
Destaca-se a capacidade de organização, de liderança e de comprometimento dos homens e mulheres migrantes portugueses, em organizações de voluntariado, sem fins lucrativos, de ordem associativa, organizações pertencendo ao terceiro sector, à economia social e solidária (Ramos, 2011a,b). Assinala-se assim a importância do trabalho das pessoas migrantes, muito dele voluntário , e do seu empreendedorismo para o sistema económico e a solidariedade social.
Assistiu-se ao desenvolvimento do movimento associativo português no mundo, com objectivos assistenciais, culturais e recreativos (DGACCP, 2010). A beneficência foi uma das características do associativismo migrante em todo o mundo desde o início de oitocentos. No Brasil, a comunidade portuguesa foi a primeira a estabelecer uma cadeia de instituições de voluntariado, apoio a trabalhadores, hospitais, bibliotecas, alfabetização,... (Trindade, 1988; Fonseca, 2009). Tais entidades tiveram um importante papel, por exemplo, no Rio de Janeiro, numa cidade onde a colónia portuguesa era grande e quando no Brasil, do século 19 e início do século 20, o Estado pouco intervinha nas relações profissionais, não tendo políticas de saúde, habitação, previdência ou lazer, e funcionando o associativismo como um meio dos indivíduos conquistarem e exercerem os seus direitos como cidadãos.
A promoção da cidadania dos homens e das mulheres migrantes é um factor importante de coesão social, entendida esta como “a capacidade de uma sociedade assegurar o bem estar de todos os seus membros, minimizar as disparidades e evitar a polarização” (Conselho da Europa, 2004, in Ramos et al, 2009).
A instalação das famílias vai dirigir o movimento associativo para outras funções. Com a chegada de mulheres e famílias, o associativismo ultrapassa a sua fase inicial de mero centro de convívio, café, tertúlia, para adquirir a vertente cultural, de transmissão de tradições e saberes da cultura portuguesa, acompanhados pela música, folclore, festas populares, gastronomia, artesanato, teatro, exposições, palestras, cursos de língua. As mulheres vão determinar novas orientações ao nível de actividades socioculturais e socioeducativas, mas também como secretárias e algumas funções directivas (CEDEP, 1986; Ramos, 1990). Dentro do processo migratório, a mulher tem um papel importante na transmissão de tradições e saberes e da cultura portuguesa no estrangeiro (culinária, canto, dança…).
As iniciativas socioculturais e político-cívicas (ensino da língua, promoção e divulgação da cultura portuguesa, apoio social, assistência jurídico-informativa...), realizadas por homens e mulheres migrantes no movimento associativo, promovem a sua integração social e participação cívica, são veículo de aproximação comunitária, visibilidade da comunidade e meio de conservação e de transmissão do património cultural. A necessidade de manter e cultivar a identidade cultural da comunidade portuguesa e de criar mecanismos para a defesa dos seus interesses na sociedade de acolhimento fez surgir no mundo, cerca de 3000 associações de portugueses (DGACCP), o mais vasto movimento associativo comunitário, nomeadamente em França, onde já existiam, em 1980, 460 associações (Ramos, 1990:586). A propensão associativa dos portugueses no estrangeiro é ressaltada por muitos autores e considerada superior à que se verifica no próprio país. As actividades das associações dirigem-se sobretudo aos membros da comunidade .
Também na vida política, a participação das mulheres migrantes começa a ser visível, sobretudo das jovens gerações na diáspora, como podemos constatar em França. No movimento associativo, as mulheres destacaram-se, sobretudo as novas gerações, desde os anos 80 do século XX em França, na dinamização de actividades culturais e recreativas (Ramos, 1990, 1999). Muitos jovens, sobretudo do sexo feminino, estão motivados em participar com outros jovens, através de associações por si constituídas, quer para se debruçarem sobre a sua realidade e os seus problemas específicos, quer para encontrarem as melhores formas de preservar a cultura portuguesa nos países onde vivem.
As mulheres portuguesas têm-se progressivamente envolvido em organizações políticas, cívicas e filantrópicas, num crescente processo de associativismo.
O associativismo migrante português tem sido maioritariamente liderado por homens, apesar das mulheres terem criado organizações próprias. Datam do final do século XIX, as pioneiras sociedades fraternais ou de socorros mútuos femininas da Califórnia (Adão, 2005). Na 2.ª metade do século XX, a “Sociedade Beneficente das Damas Portuguesas” de Caracas (1969), a “Liga da Mulher Portuguesa” da África do Sul, ou a “Associação da Mulher Imigrante Portuguesa” da Argentina (1998). Data de 1994, a criação em Portugal da Associação Mulher Migrante. A Sociedade de beneficência de Caracas foi fundada por um grupo de portuguesas com fins exclusivamente beneficentes, sendo os primeiros fundos destinados principalmente ao custeio de rendas de casa de famílias cujos responsáveis estavam doentes ou impossibilitados de trabalhar (A. Vieira, in AAVV, 1986:87).
Os líderes associativos, homens e mulheres, trabalham como membros activos, exercendo influência sobre os membros da comunidade, dada a responsabilidade dos postos que ocupam e do papel informal que desempenham. A liderança, sobretudo exercida por homens, encontra-se associada a determinadas qualidades pessoais e à habilidade com que utilizam os seus recursos: domínio da língua do país de acolhimento; formação académica; nível de rendimentos; competências políticas e credibilidade no seio do grupo (Labelle et al., 1994). Enquanto representantes e porta-vozes das comunidades migrantes, os líderes associativos estão frequentemente ligados à acção política e a reivindicações face ao poder instituído. Detentores de importantes redes de conhecimentos, procuram exercer influência junto de instituições sociais, partidos políticos, etc., procurando melhorar as condições de vida dos seus conterrâneos.
3 – Empreendedorismo e solidariedade associados à Igreja e à Obra Católica das Migrações
É importante assinalar as iniciativas da sociedade civil, da Igreja Católica e das comunidades cristãs que, em Portugal ou nos países de destino, permitem experiências de acolhimento e integração dos migrantes.
A criação das irmandades da Misericórdia, com a sua acção assistencial, médica e social em favor dos carenciados, é um exemplo de difusão de uma das instituições religiosas mais antigas que se espalharam após os Descobrimentos dos portugueses, e foram responsáveis pela criação de numerosas albergarias, hospitais e igrejas, onde se cuidava dos mais necessitados. As Santas Casas de Misericórdia no Brasil, por exemplo, devem-se principalmente à acção da Igreja e acompanharam a fixação de colónias de portugueses no Brasil, país onde se desenvolveram, desde 1539, 110 Santas Casas de Misericórdia (Khoury, 2004), após a criação da Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia em Lisboa (em 1498).
Verifica-se a cooperação pessoal e institucional entre estruturas da administração pública, da sociedade civil, da Igreja Católica e de outras igrejas, a nível nacional e internacional, relativamente ao esclarecimento dos migrantes e à respectiva integração em contextos interculturais. Cada vez mais o serviço social da paróquia inclui a componente da mobilidade humana.
Veja-se o papel da Obra Católica Portuguesa das Migrações, fundada juridicamente em 1962 (existia desde 1958), para canalizar o apoio espiritual e religioso aos emigrantes, nomeadamente às comunidades portuguesas no estrangeiro, por exemplo, em termos de capelães, mas também a assistência social aos emigrantes. A Igreja tem sido uma estrutura de enquadramento dos emigrantes, criando numerosas missões católicas nos países de imigração.
A chegada da imigração obrigou a reestruturar os serviços diocesanos, que passaram a incorporar novas valências e a atender os imigrantes através dos Secretariados Diocesanos das Migrações. Há ofertórios, uma vez por ano, em Agosto, na semana Nacional das Migrações, organizada desde 1973, constituindo a base do trabalho das migrações ao nível nacional. Uma parte dessa colecta reverte para o Secretariado Nacional das Migrações, outra para os secretariados locais.
A Igreja Católica dispõe de serviços sociais desenvolvidos e vocacionados para várias áreas, entre as quais a das migrações. Os Secretariados têm apoiado os imigrantes em diferentes domínios (cursos de português, apoio jurídico, bolsa de emprego, apoio à procura de habitação, ….), estabelecendo contactos com o SEF, Segurança Social, albergues nocturnos, entidades patronais, sindicatos, serviços de saúde, hospitais, agências funerárias, senhorios, Consulados dos imigrantes em Portugal, Embaixadas de Portugal e Consulados no exterior, etc.
As mulheres contribuíram sempre, fortemente e de forma benévola, para as actividades sociais associadas à Igreja Católica.
4 - Reflexões finais e recomendações - Migrações, género e co-desenvolvimento
Temos vindo a assinalar, como fizemos também no trabalho para o Conselho da Europa (Ramos et al, 2009), como a participação mais igualitária de homens e mulheres nas migrações contribui para a coesão social e o desenvolvimento. Para potenciar os efeitos positivos das migrações e diminuir os impactos negativos nas sociedades de origem, é necessário construir o co-desenvolvimento através da contribuição das populações migrantes, e das suas associações, nos países de imigração e de emigração. Definimos o co-desenvolvimento pelos laços que “reúnem os migrantes, os governos e outras instâncias públicas e privadas, à volta de um projecto de colaboração visando contribuir para o desenvolvimento do país de origem dos migrantes” (Conselho da Europa, 2007, in Ramos et al, 2009:89).
O co-desenvolvimento implica as associações de migrantes que aspiram a ter um papel de transformação social da sociedade de origem; as organizações locais do país de origem, que orientam os recursos para as necessidades de desenvolvimento; as colectividades territoriais dos países de partida, que desejam contribuir para a definição dos objectivos de desenvolvimento das associações de migrantes; as associações do país de acolhimento, capazes de fornecer apoio em termos de financiamento, formação e formalização do projecto; as colectividades territoriais e outras instituições dos países de acolhimento, envolvidas nesta forma de cooperação.
Assinalemos algumas prioridades a ter em conta:
- É necessário prosseguir a pesquisa sobre as comunidades portuguesas e a sua feminização.
- É importante que os estudos, os programas e as políticas de migrações internacionais sejam sensíveis às questões de género, tendo em atenção a situação social e a inclusão das mulheres e homens migrantes e assegurando o desenvolvimento das suas capacidades de participação no projecto migratório.
- É necessário assumir a igualdade de direitos e deveres entre toda a população, nacional ou estrangeira, denunciando situações injustas, como a discriminação salarial ou o acesso ao mercado de trabalho.
- A área do empreendedorismo social migrante deve merece maior atenção por parte dos investigadores e dos poderes públicos.
- Faltam dados rigorosos, globais, actualizados periodicamente, sobre a verdadeira contribuição do voluntariado e do empreendedorismo social, nomeadamente feminino. No que toca ao movimento associativo migrante, há que registar actividades, funções e cargos ocupados por mulheres e homens, bem como formar para o voluntariado.
- É importante compreender o verdadeiro impacto económico, social e cultural das migrações, tendo a comunicação um papel importante na informação, sensibilização da opinião pública, influenciando mesmo a elaboração de políticas públicas (OCDE, 2010; OIM, 2011).
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24-26 de Novembro de 2011
Professora Doutora Maria da Conceição Pereira Ramos
Universidade do Porto – Faculdade de Economia
e CEMRI – UAb
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Comunicação
Trabalho e empreendedorismo social da mulher portuguesa na diáspora
Resumo
A constituição de uma grande diáspora portuguesa e feminina é visível na sua forte representação nos países de acolhimento, onde o trabalho é uma dimensão essencial de autonomia, de integração e de socialização.
Os portugueses imigrantes, homens e mulheres, no passado e no presente, denotam capacidade de organização, de liderança e de comprometimento em organizações de voluntariado, de ordem associativa, organizações sem fins lucrativos, pertencendo ao terceiro sector, à economia social e solidária.
O conjunto de iniciativas socioculturais e político-cívicas (ensino da língua, promoção e divulgação da cultura portuguesa, apoio social, assistência jurídico-informativa, ….) ajudam na integração social dos migrantes e na aproximação e visibilidade da comunidade.
Assinale-se a importância do trabalho das mulheres migrantes, muito dele voluntário, e do seu empreendedorismo para o sistema económico e a solidariedade social. Estas mulheres são agentes de mudança e de desenvolvimento nos países de origem e de acolhimento, onde a sua participação contribui para o aumento da cidadania e da coesão social.
“E aonde chegue um emigrante lusíada chega uma criatura convivente, prestante, diligente e influente, que concilia, congrega, desbrava, cria riqueza, funda instituições benemerentes, semeia humanidade. E chegam sempre portugueses aos mais recônditos confins do globo, de saquita ao ombro e de cordialidade na voz e na alma”.
Miguel Torga, Diário XV, Círculo de Leitores, 2001, p. 1471-1472.
1 – Trabalho das mulheres migrantes e intercâmbios culturais e económicos
Os migrantes, homens e mulheres, têm uma importância fundamental na diáspora de Portugal no mundo, seja pelo seu número, seja pelo papel activo que desempenham no mercado de trabalho, nas redes sociais e associativas, na economia e desenvolvimento dos países de acolhimento e de origem. A constituição de uma grande diáspora portuguesa e feminina é visível na forte representação atingida nos países de acolhimento, onde o seu trabalho é uma dimensão essencial de integração e de socialização.
Importância das mulheres portuguesas nalguns países europeus
Países Nº Portugueses % mulheres
Reino Unido (2009) 96 000 50%
Bélgica (2007) 29 800 49%
França (2007) 491 000 47%
Alemanha (2009) 205 300 46%
Suíça (2009) 205 300 45%
Holanda (2009) 15 400 45%
Fonte: OCDE (2011)
A França e a Alemanha são países de emigração mais antiga, sobretudo a partir dos anos sessenta do século XX, onde os fluxos migratórios já estão consolidados, existindo “segundas” e “terceiras” gerações de migrantes (Ramos, 1999). No Reino Unido e na Suíça, os fluxos de mobilidade são mais recentes e as “segundas” gerações são ainda jovens.
No ano de 2011, as estimativas referem que terão saído 120 mil cidadãos de Portugal. Imperativos de ordem económica e profissional determinam a grande parte destes movimentos migratórios. O aumento da emigração dos mais qualificados ao nível mundial é uma tendência dos últimos anos (Ramos, 2008b). Cerca de 20% dos licenciados portugueses emigram (Docquier e Marfouk, 2006). Actualmente, uma parte significativa desta emigração ocorre no espaço da livre circulação da União Europeia e assume uma lógica temporária e não definitiva, mas também assistimos à descoberta de novos destinos extra-europeus, como o Brasil e Angola. Engenheiros, arquitectos, gestores, face à recessão do sector da construção, começam a dirigir-se para estes destinos mais distantes, onde a oferta de emprego é grande. Enfermeiros, farmacêuticos e médicos-dentistas, por exemplo, têm na Europa o destino privilegiado, estando as mulheres fortemente representadas nestes novos fluxos, nomeadamente associados à saúde e à educação.
Existe uma procura do trabalho feminino na economia global, tanto para actividades mais qualificadas, como menos qualificadas, nas novas tecnologias, na saúde, na educação, nos serviços pessoais e sociais, nomeadamente para o trabalho doméstico e de enfermagem (Ramos, 2009, 2011a). A feminização das migrações internacionais é uma das principais características da nova era das migrações. As mulheres representam 53% dos migrantes na Europa, a taxa mais elevada em relação aos outros continentes (OSCE/OIM/OIT, 2006).
Da análise da emigração portuguesa, constatamos que a emigração feminina transforma a natureza do projecto migratório, reconvertendo-o de temporário em definitivo, ou em mais prolongado. O panorama não se alterou significativamente, até à segunda metade do século XX. É visível o elevado grau de masculinidade na saída de portugueses no período de 1955 a 1974 e incremento da emigração familiar de 1970 a 1974 (Arroteia, 1983; Ramos, 1990). A feminização das migrações ganhou visibilidade no seguimento do choque petrolífero de 1973-74, com as alterações no mercado de trabalho e a reunificação familiar. A família assume um papel determinante no projecto migratório, seja na integração no país de acolhimento, seja na decisão de regresso a Portugal.
A capacidade de decisão e de intervenção das mulheres migrantes portuguesas, bem como o papel activo que desempenham ao nível económico, social e cultural, tem vindo a aumentar. O trabalho, a educação, as competências linguísticas e multiculturais, e a dupla nacionalidade são factores importantes para a integração e a participação cidadã nos países de acolhimento e de origem (Ramos et al, 2007).
Existe heterogeneidade de situações no que respeita à inserção das migrantes portuguesas em diferentes sociedades, sejam de emigração recente ou antiga, sejam mais favoráveis ao emprego e ao empreendedorismo do que outras. No Brasil, por exemplo, os imigrantes portugueses estabeleceram-se nas áreas urbanas e dedicaram-se às actividades comerciais, estando as mulheres portuguesas e o seu trabalho representadas em diferentes estudos (Boschilia, 2005; Pascal, 2005). A importância das mulheres migrantes nos serviços, especialmente trabalho doméstico (Cox, 2006), nomeadamente das mulheres portuguesas, na Europa, é uma realidade (Ramos, 1990, 2009).
As taxas de actividade das emigrantes portuguesas nos países de acolhimento são muito elevadas, superiores às da população residente, autóctone e estrangeira, e a experiência migratória permite-lhes adquirir novas competências. Estando afectadas a serviços pessoais e sociais, têm resistido melhor do que os homens ao contexto de crise actual no mercado de trabalho (OCDE, 2010, 2011), dado que o emprego das mulheres se situa em sectores (sociais e serviços domésticos, por exemplo) que não sofreram tanto com a crise económica. É possível também que as mulheres migrantes tenham aumentado a sua participação no mercado de trabalho, a fim de compensar as perdas de rendimentos dos homens migrantes.
Assinale-se, no entanto, a importância das mulheres migrantes entre os trabalhadores com modalidades atípicas, temporárias e precárias de emprego, onde acumulam algumas discriminações, ocupando mais frequentemente do que as autóctones empregos para os quais são sobrequalificadas e sendo mais afectadas pelo desemprego (Ramos, 2010). É escassa a informação sobre as condições de trabalho das pessoas imigrantes e o efeito que têm sobre a saúde. A invisibilidade das condições de trabalho das mulheres no sector doméstico é um exemplo. Natália Ramos (1993, 2009, 2010, 2011) tem analisado algumas das questões que se colocam à família e à mulher trabalhadora e mãe imigrante em contexto migratório, e às politicas públicas a implementar visando a sua integração, saúde e desenvolvimento.
Nos países de acolhimento, o trabalho das mulheres migrantes é essencial na área dos serviços, verificando-se uma mobilidade ascendente das “segundas” e “terceiras” gerações, nomeadamente através do acesso ao sector público e às actividades mais qualificadas e por conta própria. A inserção laboral das mulheres migrantes é um factor fundamental de autonomia, rompendo muitas vezes com o controlo patriarcal e a situação de “doméstica” antes da emigração, mas é igualmente um factor de socialização e de ajustamento a valores da sociedade de acolhimento, importantes para a integração e o exercício da cidadania.
Há que destacar os projectos de vida das “novas gerações de migrantes”, relacionados com a sua integração social, cultural, laboral e política, nas sociedades de acolhimento e no quadro da União Europeia e dos novos direitos de cidadania (Ramos, 2003b, 2004, 2005, 2007; La Barre, 2006). Os conhecimentos multiculturais e linguísticos abrem novas perspectivas de emprego às gerações descendentes de portugueses, no quadro da globalização. Neste sentido é pertinente estudar os novos comportamentos de mobilidade e a interacção país de origem/país de acolhimento. Os “novos trabalhadores globais” incluem as populações migrantes, necessárias à eficácia económica. Para as empresas, num contexto de globalização, ter pessoal qualificado, capaz de trabalhar em diversos ambientes culturais e em constante mobilidade, é um factor de competitividade. A internacionalização da economia portuguesa passa pela disponibilidade no mercado de trabalho de recursos humanos, tendo este potencial linguístico, cultural e profissional (Ramos, 2003a).
As mulheres migrantes ganham independência, empoderamento e qualificações, no projecto migratório, tendo um papel decisivo na gestão do orçamento familiar e das poupanças. A sua capacidade empreendedora e o peso crescente no envio de remessas financeiras para Portugal, é evidente. As mulheres migrantes contribuem, cada vez mais, para essas remessas, as quais trazem vantagens para o país de origem, no plano social, educativo e sanitário (Martin, 2007; Ramos, 1990, 2003a). A sua capacidade de poupança e de gestão são importantes contributos para a economia familiar e o desenvolvimento, recomendando a ONU às autoridades bancárias, que foquem a sua atenção nas mulheres migrantes, nas suas remessas e apoiem o seu empreendedorismo. Como constatamos (Ramos, 1990), no estudo da emigração portuguesa em França, a contribuição financeira da mulher é importante, por vezes acumulando horas de trabalho como doméstica em particulares, com limpeza de escritórios à noite, com trabalho de porteira, podendo ganhar um salário superior ao do marido (cf. também Leandro, 1995). A autonomia financeira, impensável antes da emigração, acompanha igualmente a usura e desgaste profissional, com longas jornadas de trabalho.
Os migrantes, mulheres e homens, desenvolvem práticas transnacionais e relações sociais de natureza múltiplas, ligando as sociedades de origem e as de acolhimento, através de transacções culturais e económicas. As mulheres migrantes contribuem para diferentes transformações e inovações, novas dinâmicas familiares e demográficas e mudanças progressistas que afectam as mentalidades, os hábitos de vida, a educação e a igualdade entre os géneros (Ramos, 2008a).
2 - Economia solidária, voluntariado e empreendedorismo social migrante feminino
O sector não lucrativo, referido por terceiro sector, economia social ou sector voluntário, é constituído por diferentes instituições organizadas sob a forma de associação, fundação, misericórdia, cooperativa, mutualidade, clube, etc., prosseguindo variados objectivos. As características comuns deste tipo de organização, numa perspectiva económica, residem na regra de não distribuição dos lucros gerados na actividade e no desenvolvimento de uma actividade que prossegue o bem-estar social (Ramos, 2011b).
O empreendedorismo social é uma actividade inovadora de criação de valor social, que pode ser desenvolvido em diferentes esferas – económica, educativa, social e espiritual – com actividades realizadas por indivíduos e organizações, incluindo o sector público, organizações comunitárias, organizações de acção social e instituições de caridade (Weerawardena e Mort, 2006).
O empreendedorismo social está associado ao desenvolvimento de projectos (de indivíduos ou de comunidades, não necessariamente envolvidos numa organização) que visam o interesse geral, o chamado bem comum, ou dar resposta a necessidades sociais não satisfeitas. O empreendedorismo social tem sido visto como um agente de mudança social, tanto em áreas de preocupação social como na área das políticas sociais públicas (Waddock e Post, 1991).
Falar de empreendedorismo migrante feminino é ir além do empreendedorismo económico e abranger áreas como o empreendedorismo associativo, cultural, social ou político, com impacto na capacidade de intervenção e poder das mulheres migrantes. Tem sido pouco estudado este empreendedorismo social, propiciador de práticas de inovação social com impacto na sociedade, mais vasto do que o grupo migrante a que se destina.
A economia solidária coloca desafios e oportunidades de inovação social nas suas relações com o Estado e a sociedade civil. A inovação social diz respeito a novas estratégias, conceitos, ideias e organizações que respondem a necessidades sociais de todos os tipos – desde as condições de trabalho e de educação, até ao desenvolvimento comunitário e à saúde – e que alargam e reforçam a sociedade civil. A inovação é uma componente crucial do empreendedorismo social. Evidenciando a importância desta questão, o ano de 2011 foi o ano europeu consagrado ao voluntariado e, nomeadamente, ao associativismo migrante.
As associações de migrantes portugueses desenvolvem-se sobretudo depois de 1974, através de um reforço institucional da área emigratória. Em 1980, assinale-se a criação do Conselho das Comunidades Portuguesas no Mundo, facilitando o apoio às associações que dele fizerem parte (DL nº 373/80 de 12 de Setembro). Foi “a primeira experiência de audição e diálogo institucional, entre o governo português, a sua emigração e a sua diáspora. Era um órgão consultivo do governo, constituído por representantes eleitos no mundo associativo, apelando à força e ao papel central que as associações têm na construção e preservação das comunidades de emigrantes” (Aguiar, 2009:257).
As mulheres portuguesas na diáspora têm um importante papel nas redes sociais, através das relações interpessoais fomentadas pelo trabalho, associações, geminações, actividades em paróquias. Estas imigrantes participam no quadro de associações mistas, sobretudo criadas e dirigidas por homens.
Destaca-se a capacidade de organização, de liderança e de comprometimento dos homens e mulheres migrantes portugueses, em organizações de voluntariado, sem fins lucrativos, de ordem associativa, organizações pertencendo ao terceiro sector, à economia social e solidária (Ramos, 2011a,b). Assinala-se assim a importância do trabalho das pessoas migrantes, muito dele voluntário , e do seu empreendedorismo para o sistema económico e a solidariedade social.
Assistiu-se ao desenvolvimento do movimento associativo português no mundo, com objectivos assistenciais, culturais e recreativos (DGACCP, 2010). A beneficência foi uma das características do associativismo migrante em todo o mundo desde o início de oitocentos. No Brasil, a comunidade portuguesa foi a primeira a estabelecer uma cadeia de instituições de voluntariado, apoio a trabalhadores, hospitais, bibliotecas, alfabetização,... (Trindade, 1988; Fonseca, 2009). Tais entidades tiveram um importante papel, por exemplo, no Rio de Janeiro, numa cidade onde a colónia portuguesa era grande e quando no Brasil, do século 19 e início do século 20, o Estado pouco intervinha nas relações profissionais, não tendo políticas de saúde, habitação, previdência ou lazer, e funcionando o associativismo como um meio dos indivíduos conquistarem e exercerem os seus direitos como cidadãos.
A promoção da cidadania dos homens e das mulheres migrantes é um factor importante de coesão social, entendida esta como “a capacidade de uma sociedade assegurar o bem estar de todos os seus membros, minimizar as disparidades e evitar a polarização” (Conselho da Europa, 2004, in Ramos et al, 2009).
A instalação das famílias vai dirigir o movimento associativo para outras funções. Com a chegada de mulheres e famílias, o associativismo ultrapassa a sua fase inicial de mero centro de convívio, café, tertúlia, para adquirir a vertente cultural, de transmissão de tradições e saberes da cultura portuguesa, acompanhados pela música, folclore, festas populares, gastronomia, artesanato, teatro, exposições, palestras, cursos de língua. As mulheres vão determinar novas orientações ao nível de actividades socioculturais e socioeducativas, mas também como secretárias e algumas funções directivas (CEDEP, 1986; Ramos, 1990). Dentro do processo migratório, a mulher tem um papel importante na transmissão de tradições e saberes e da cultura portuguesa no estrangeiro (culinária, canto, dança…).
As iniciativas socioculturais e político-cívicas (ensino da língua, promoção e divulgação da cultura portuguesa, apoio social, assistência jurídico-informativa...), realizadas por homens e mulheres migrantes no movimento associativo, promovem a sua integração social e participação cívica, são veículo de aproximação comunitária, visibilidade da comunidade e meio de conservação e de transmissão do património cultural. A necessidade de manter e cultivar a identidade cultural da comunidade portuguesa e de criar mecanismos para a defesa dos seus interesses na sociedade de acolhimento fez surgir no mundo, cerca de 3000 associações de portugueses (DGACCP), o mais vasto movimento associativo comunitário, nomeadamente em França, onde já existiam, em 1980, 460 associações (Ramos, 1990:586). A propensão associativa dos portugueses no estrangeiro é ressaltada por muitos autores e considerada superior à que se verifica no próprio país. As actividades das associações dirigem-se sobretudo aos membros da comunidade .
Também na vida política, a participação das mulheres migrantes começa a ser visível, sobretudo das jovens gerações na diáspora, como podemos constatar em França. No movimento associativo, as mulheres destacaram-se, sobretudo as novas gerações, desde os anos 80 do século XX em França, na dinamização de actividades culturais e recreativas (Ramos, 1990, 1999). Muitos jovens, sobretudo do sexo feminino, estão motivados em participar com outros jovens, através de associações por si constituídas, quer para se debruçarem sobre a sua realidade e os seus problemas específicos, quer para encontrarem as melhores formas de preservar a cultura portuguesa nos países onde vivem.
As mulheres portuguesas têm-se progressivamente envolvido em organizações políticas, cívicas e filantrópicas, num crescente processo de associativismo.
O associativismo migrante português tem sido maioritariamente liderado por homens, apesar das mulheres terem criado organizações próprias. Datam do final do século XIX, as pioneiras sociedades fraternais ou de socorros mútuos femininas da Califórnia (Adão, 2005). Na 2.ª metade do século XX, a “Sociedade Beneficente das Damas Portuguesas” de Caracas (1969), a “Liga da Mulher Portuguesa” da África do Sul, ou a “Associação da Mulher Imigrante Portuguesa” da Argentina (1998). Data de 1994, a criação em Portugal da Associação Mulher Migrante. A Sociedade de beneficência de Caracas foi fundada por um grupo de portuguesas com fins exclusivamente beneficentes, sendo os primeiros fundos destinados principalmente ao custeio de rendas de casa de famílias cujos responsáveis estavam doentes ou impossibilitados de trabalhar (A. Vieira, in AAVV, 1986:87).
Os líderes associativos, homens e mulheres, trabalham como membros activos, exercendo influência sobre os membros da comunidade, dada a responsabilidade dos postos que ocupam e do papel informal que desempenham. A liderança, sobretudo exercida por homens, encontra-se associada a determinadas qualidades pessoais e à habilidade com que utilizam os seus recursos: domínio da língua do país de acolhimento; formação académica; nível de rendimentos; competências políticas e credibilidade no seio do grupo (Labelle et al., 1994). Enquanto representantes e porta-vozes das comunidades migrantes, os líderes associativos estão frequentemente ligados à acção política e a reivindicações face ao poder instituído. Detentores de importantes redes de conhecimentos, procuram exercer influência junto de instituições sociais, partidos políticos, etc., procurando melhorar as condições de vida dos seus conterrâneos.
3 – Empreendedorismo e solidariedade associados à Igreja e à Obra Católica das Migrações
É importante assinalar as iniciativas da sociedade civil, da Igreja Católica e das comunidades cristãs que, em Portugal ou nos países de destino, permitem experiências de acolhimento e integração dos migrantes.
A criação das irmandades da Misericórdia, com a sua acção assistencial, médica e social em favor dos carenciados, é um exemplo de difusão de uma das instituições religiosas mais antigas que se espalharam após os Descobrimentos dos portugueses, e foram responsáveis pela criação de numerosas albergarias, hospitais e igrejas, onde se cuidava dos mais necessitados. As Santas Casas de Misericórdia no Brasil, por exemplo, devem-se principalmente à acção da Igreja e acompanharam a fixação de colónias de portugueses no Brasil, país onde se desenvolveram, desde 1539, 110 Santas Casas de Misericórdia (Khoury, 2004), após a criação da Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia em Lisboa (em 1498).
Verifica-se a cooperação pessoal e institucional entre estruturas da administração pública, da sociedade civil, da Igreja Católica e de outras igrejas, a nível nacional e internacional, relativamente ao esclarecimento dos migrantes e à respectiva integração em contextos interculturais. Cada vez mais o serviço social da paróquia inclui a componente da mobilidade humana.
Veja-se o papel da Obra Católica Portuguesa das Migrações, fundada juridicamente em 1962 (existia desde 1958), para canalizar o apoio espiritual e religioso aos emigrantes, nomeadamente às comunidades portuguesas no estrangeiro, por exemplo, em termos de capelães, mas também a assistência social aos emigrantes. A Igreja tem sido uma estrutura de enquadramento dos emigrantes, criando numerosas missões católicas nos países de imigração.
A chegada da imigração obrigou a reestruturar os serviços diocesanos, que passaram a incorporar novas valências e a atender os imigrantes através dos Secretariados Diocesanos das Migrações. Há ofertórios, uma vez por ano, em Agosto, na semana Nacional das Migrações, organizada desde 1973, constituindo a base do trabalho das migrações ao nível nacional. Uma parte dessa colecta reverte para o Secretariado Nacional das Migrações, outra para os secretariados locais.
A Igreja Católica dispõe de serviços sociais desenvolvidos e vocacionados para várias áreas, entre as quais a das migrações. Os Secretariados têm apoiado os imigrantes em diferentes domínios (cursos de português, apoio jurídico, bolsa de emprego, apoio à procura de habitação, ….), estabelecendo contactos com o SEF, Segurança Social, albergues nocturnos, entidades patronais, sindicatos, serviços de saúde, hospitais, agências funerárias, senhorios, Consulados dos imigrantes em Portugal, Embaixadas de Portugal e Consulados no exterior, etc.
As mulheres contribuíram sempre, fortemente e de forma benévola, para as actividades sociais associadas à Igreja Católica.
4 - Reflexões finais e recomendações - Migrações, género e co-desenvolvimento
Temos vindo a assinalar, como fizemos também no trabalho para o Conselho da Europa (Ramos et al, 2009), como a participação mais igualitária de homens e mulheres nas migrações contribui para a coesão social e o desenvolvimento. Para potenciar os efeitos positivos das migrações e diminuir os impactos negativos nas sociedades de origem, é necessário construir o co-desenvolvimento através da contribuição das populações migrantes, e das suas associações, nos países de imigração e de emigração. Definimos o co-desenvolvimento pelos laços que “reúnem os migrantes, os governos e outras instâncias públicas e privadas, à volta de um projecto de colaboração visando contribuir para o desenvolvimento do país de origem dos migrantes” (Conselho da Europa, 2007, in Ramos et al, 2009:89).
O co-desenvolvimento implica as associações de migrantes que aspiram a ter um papel de transformação social da sociedade de origem; as organizações locais do país de origem, que orientam os recursos para as necessidades de desenvolvimento; as colectividades territoriais dos países de partida, que desejam contribuir para a definição dos objectivos de desenvolvimento das associações de migrantes; as associações do país de acolhimento, capazes de fornecer apoio em termos de financiamento, formação e formalização do projecto; as colectividades territoriais e outras instituições dos países de acolhimento, envolvidas nesta forma de cooperação.
Assinalemos algumas prioridades a ter em conta:
- É necessário prosseguir a pesquisa sobre as comunidades portuguesas e a sua feminização.
- É importante que os estudos, os programas e as políticas de migrações internacionais sejam sensíveis às questões de género, tendo em atenção a situação social e a inclusão das mulheres e homens migrantes e assegurando o desenvolvimento das suas capacidades de participação no projecto migratório.
- É necessário assumir a igualdade de direitos e deveres entre toda a população, nacional ou estrangeira, denunciando situações injustas, como a discriminação salarial ou o acesso ao mercado de trabalho.
- A área do empreendedorismo social migrante deve merece maior atenção por parte dos investigadores e dos poderes públicos.
- Faltam dados rigorosos, globais, actualizados periodicamente, sobre a verdadeira contribuição do voluntariado e do empreendedorismo social, nomeadamente feminino. No que toca ao movimento associativo migrante, há que registar actividades, funções e cargos ocupados por mulheres e homens, bem como formar para o voluntariado.
- É importante compreender o verdadeiro impacto económico, social e cultural das migrações, tendo a comunicação um papel importante na informação, sensibilização da opinião pública, influenciando mesmo a elaboração de políticas públicas (OCDE, 2010; OIM, 2011).
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