quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CV GRAÇA SOUSA GUEDES









Modelo europeu de
curriculum vitae





Informação pessoal


Nome

RIBEIRO DE SOUSA GUEDES, Maria da Graça
Morada

191, rua 8, 4500-153 ESPINHO, PORTUGAL
Telefone

00.351.227340292 / 00.351.917533411
Fax

00.351.227340292
Correio electrónico



Nacionalidade

Portuguesa


Data de nascimento

24, Outubro, 1939

Experiência profissional
Datas (de – até)

2012/   - Professora Catedrática no Instituto Superior de Ciências da Saúde: Curso de
              Mestrado em Atividade Física e Saúde - Gandra
              Docente da UC Atividade Física e Saúde, Seminários Temáticos e Dissertação

1999/    - Professora Catedrática no Instituto Superior de Ciências da Saúde: Curso de
              Licenciatura em Educação Física, Saúde e Desporto – Gandra
              Docente das disciplinas Controlo e Aprendizagem Motora, Introdução à Psicologia
              Do Desenvolvimento e da Educação, Coordenadora dos Estágios Pedagógicos,
              Desenvolvimento Motor, Atividade Física da Criança e Jovem, Aprendizagem Motora

1996/99 - Professora Catedrática na Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação
                Física - Universidade do Porto
                Docente da disciplina Aprendizagem Motora

1990/96 - Professora Associada na Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação
                Física - Universidade do Porto
                Docente da disciplina Aprendizagem Motora

1985/90 - Professora Auxiliar no Instituto Superior de Educação Física / Faculdade de
               Ciências do Desporto e de Educação Física - Universidade do Porto
               Docente da disciplina Aprendizagem Motora

1975/85 - Assistente no Instituto Superior de Educação Física - Universidade do Porto
               Docente das disciplinas Ginástica Rítmica, Ginástica Desportiva Feminina e
                Educação Física de Base

1964/74 - Professora na Escola de Instrutores de Educação Física do Porto
                Docente das disciplinas Ginástica Feminina, Danças Tradicionais, Jogos, Natação
                e Estágio Pedagógico

1964/70 - Professora  na Escola de Educadoras de Infância Paula Frassineti (Porto)
                Docente de Educação Física Infantil

1963/74 - Professora na Escola Clara de Resende (Porto)
                Docente de Educação Física

1963/75 – Professora de Ginástica Moderna no Sport Club do Porto

1963/76 – Treinadora de Voleibol feminino no CDUP

Formação académica e profissional




1995 -  Provas de Agregação na FCDEF (Universidade do Porto)
           Aprovada por unanimidade por um Júri com 11 Professores

1986 - Equivalência do Doutoramento francês dada pelo FCDEF (Universidade do Porto)
           em Ciências do Desporto, na especialidade de Comportamento Motor

1979/1984 -  Doutoramento em Psicologia
                    Universidade René Descartes – Sorbonne
                    Doutor em Psicologia                    
                    Classificação "Très Bien"

1959/1964 -  Licenciatura em Educação Física (INEF)
                    Professor de Educação Física
                    Classificação: 16 valores



Aptidões e competências pessoais


Primeira língua

português


Outras línguas




Francês
Compreensão escrita

Excelente
Expressão escrita

Excelente
Expressão oral

Excelente




inglês
Compreensão escrita

Bom
Expressão escrita

Bom
Expressão oral

Bom



espanhol
Compreensão escrita

Bom
Expressão escrita

Bom
Expressão oral

Bom

Aptidões e competências sociais






         Relações Humanas  em diferentes contextos:
  
        2005/2009 – Presidente da Assembleia Municipal de Espinho
  
        2004/ - Presidente Assembleia Geral do Sporting Club de Espinho
         
        2004/ - Vice-Presidente da Assembleia Geral do Orpheon de Espinho
        
       1994/97 – Vice-Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Espinho
        
       1984/86 – Delegada no Porto da Secretaria de Estado da Emigração
         
       1999/03 - Membro do Rotary Clube de Espinho



Aptidões e competências de organização


.

         

        ORGANIZAÇÂO / DIRECÇÃO:

         1972/74 – Sub-Diretora da Escola de Instrutores de Educação Física do Porto

          1074 (Março/Outubro) – Inspetora Orientadora de 1ª. Classe do Ministério da Educação
        
         1984/86 – Diretora do Centro de Estudos da Emigração (Secretaria de Estado da Emigração)
        
         1994/96 – Presidente do Conselho Científico da FCDEF-UP
        
          Desde 2000 – Coordenadora do Curso de Educação Física, Saúde e Desporto (ISCS-N)
         
          2001/2013 – Diretora do Departamento de Ciências do Desporto (ISCS-N)
          
          2001/2004 – Presidente da Sociedade Internacional de Estudos da Criança (SIEC)

          Desde 2012 – Coordenadora do curso de Mestrado em Atividade Física e Saúde (ISC-N)

            
           ORGANIZAÇÂO DE EVENTOS:

          1985 – 1º Encontro de Portuguesas Migrantes no Associativismo e Jornalismo

          1995 – Comemorações do centenário dos Bombeiros Voluntários de Espinho

           1995 – Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo

           2002. Lisboa – 9ª. Conferência Internacional de Ludotecas:
      
           2002 – VII Encontro Internacional Criança, Vida Ativa e Cidadania

           2005 – I Jornadas Científicas de EFSD / ISCS-N

           2006 – II Jornadas Científicas de EFSD / ISCS-N
          
           2007 – III Jornadas Científicas de EFSD / ISCS-N

           2008 – IV Jornadas Científicas de EFSD / ISCS-N

          2009 – V Jornadas Científicas de EFSD / ISCS-N

          2009 – Encontro Mundial Cidadãs da Diáspora

          2010 – VI Jornadas Científicas de EFSD / ISCS-N

          2011 – VII Jornadas Científicas de EFSD / ISCS-N

          2011 – Encontro Mundial de Cidadãs Portuguesas da Diáspora

          2012 – VIII Jornadas Científicas de AFSD / ISCS-N

          2013 – IX Jornadas Científicas de AFSD / ISCS-N


          
             2013 – III CONGRESSO DA SCPD

             2013 – Congresso Expressões femininas de cidadania – a mulher portuguesa no   recife


Aptidões e competências técnicas


.


AÇÕES DE FORMAÇÃO / LECIONAÇÃO NO ESTRANGEIRO      
    
          1983-85 – Ministrou ações de formação em Atividades Lúdicas Tradicionais (Danças e Jogos) na Europa (França, Suiça, Luxemburgo e Alemanha), em África (Zaire: Kinshasa e África do Sul: Joanesburgo, Pretória, Durban e Cape Tawn), na América do Norte (Canadá;Toronto, Winnipeg, Calgary, Edmonton, Kitimat, Victória,  Vancouver e EUA: San Franscisco, San José, Los Angeles e San Diego), na América Central (Panamá e Antilhas Holandesas: Aruba e Curaçau), na América do Sul (Venezuela: Caracas, Barcelona, Maracay, Barquisimeto, Cumana, Puerto de la Cruz, Valencia , Ilha Margarita e Maracaibo; Brasil: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Niteroi, São Paulo, Campinas, Curitiba, Porto Alegre, Santa Maria; Argentina: Buenos Aires), na Ásia (Macau e  Malásia: Malaca).
    
           1986-87 – Programa semanal de ginástica de manutenção na Rádio Renscença

           1991 – Rubrica semanal Saúde e Desporto no programa Bom Dia da Rádio Televisão Portuguesa

           1991-92 – Crónica semanal A Ética Desportiva na Sociedade Contemporânea na Rádio Difusão Portuguesas

           1991 – Lecionou a disciplina Aprendizagem Motora na Universidade Estadual de Maringá (Brasil)

          2001 e 2002 – Lecionou a disciplina Ludicidade e Aprendizagem no curso de Mestrado em Motricidade Humana na Universidade do Estado do Pará (Brasil: Belém)





       1999 – Lecionou a disciplina Atividades Lúdicas Tradicionais no Instituto   Politécnico de Macau



ORIENTAÇÃO DE DISSERTAÇÕES DE MESTRADO E DE DOUTORAMENTO


António Prista (Moçambique), 1990/92 – Mestrado FCDEF-UP
Iguatemy Lucena Martins, 1992/93 -  Mestrado na Universidade Federal da Paraíba-Brasil
Jorge Caldas, 1997/98 – Mestrado FCDEF-UP
Ana Paula Santos, 1996/997 – Mestrado FCDEF-UP
Alexandra Mendes, 1997/98 – Mestrado FCDEF-UP
Ricardo Rios, 1998/99 – Mestrado FCDEF-UP
Sara Castro, 1998/99 –Mestrado FCDEF-UP
Jorge Costa, 199/2000 – Mestrado FCDEF-UP
Augusta Ferreira, 1999/2000 – Mestrado FCDEF-UP
Vanildo Pereira, 1986/191 – Doutoramento FCDEF-UP
Joaquim Martins Júnior, 1986/91 – Doutoramento FCDEF-UP
Luís António Silva, 1991/1995 – Doutoramento FCDEF-UP
Lêda Moreira, 1990/2000 – Doutoramento FCDEF-UP
Wenceslau L. Filho, 1995/2000 – Doutoramento FCDEF-UP
Cândido Azevedo, 1995/2000 – Doutoramento FCDEF-UP
Fani Vieira, 1999/2004 – Doutoramento FCDEF-UP

MEMBRO DE JÚRIS DE PROVAS DE MESTRADO, DE DOUTORAMENTO E DE AGREGAÇÃO


Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física (Universidade do Porto), Faculdade de Motricidade Humana (Universidade Técnica de Lisboa), UTAD, Universidade do Algarve, Instituto Politécnico da Guarda, Universidade de Santiago de Compostela e Universidade de Barcelona.

MEMBRO DE JÚRIS DE CONCURSO PARA PROFESSOR ASSOCIADO E CATEDRÁTICO


Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física -Universidade do Porto, Faculdade de Motricidade Humana, UTAD.


CONFERÊNCIAS EM EVENTOS CIENTÍFICOS (convidada)
1988. Lisboa – Congresso Os Jogos de Ontem no Terceiro Milénio do Instituto de Apoio à Criança: O Património Lúdico e o  Desenvolvimento da Criança.
1988. Porto - Jornadas Científicas Desporto, Saúde e Bem Estar na Universidade do Porto:  A Revalorização dos Jogos Tradicionais e a Melhoria da Condição Física das Populações .
1991 . Porto - II Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa: As Crianças e os Jogos Tradicionais no Espaço da Língua Portuguesa.
1991. Rio de Janeiro (Brasil) – Congresso Mundial da AIESP: A Influência dos Jogos Tradicionais no Desenvolvimento da Criança.
1992. Recife (Brasil) - III Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa: As Crianças e os Jogos Tradicionais. O Brinquedo e o Artesão: uma experiência no Museu do Homem do Nordeste; As Danças Populares de Portugal e Pernambuco – estudo comparativo dos seus gestos e dos seus ritmos.
1993. Mérida (México) – 4th World Academic Conference on Human Ecology: The Cultural Heritage of Movement.
1993. Cidade do México (México) – 13th International Congress of Anthropology and Ethnological Sciences: The Cultural Heritage of Movement – the traditional games and the life.
1993. Lisboa – Encontro IAC Os Jogos do Mediterrâneo: O Contributo dos Jogos Tradicionais para a Socialização da Criança.
1994. Lisboa – VI Encontro Nacional de Ludotecas e Espaços de Jogo ao Ar Livre: Os Brinquedos Tradicionais e a Criança.
1995. Santa Maria (Brasil) – 1º Encontro Internacional de estudos do Desenvolvimento da Criança: O Desenvolvimento Infantil à Luz de Henry Wallon.
1995. Espinho - Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo: O Papel do Folclore na Aculturação dos Povos; as portuguesas no mundo.
1996. Dallas (EUA) – International Pré-Olympic Scientific Congress: The Cultural Heritage of Movement and the Life.
1997. Maputo (Moçambique) - V Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa: Do Popular ao Erudito: a Seranda, Expressão do Trabalho, do Corpo e da Arte.
1997. Viseu - IV Encontro de Cultura Tradicional da Beira: O Jogo, o Brinquedo e o Desenvolvimento da Criança.
1997. Lahti (Finlândia) – Mondial Congress Movement and Sport in the Life-Cycle of Woman: The Role of Folklore in the Acculturation of the Portuguese People in the World.
1997. Lisboa – 20th World Play Conference – Play and Society: Os Brinquedos Tradicionais e a Criança.
1998. New York (Adelphy University) – AIESEP World Congress: Importance of Dance for Developing Motor Coordination in Young People.
1999. Florianopolis (Brasil) – VII Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa: A Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto no Espaço de Expressão da Língua Portuguesa.
1999. Northampton-Massachusetts (EUA) – 50 th Anniversary Conference IAPESGW – Physical Education and Sport in a Global Context: Motivation for Practising Traditional Dances: a study of the reasons why these activities are chosen to be practiced during spare time in the north coast of Portugal; Folk dance and the Preservation of Cultural Values: research of the kind of movement in Oporto; Woman, Traditional Dances and Recreation of Portuguese People: socio-economic carachterization of the intervenients.
1999 . Rio de Janeiro (Brasil) – V Encontro Internacional da SIEC: A Educação Infantil em Portugal: percurso e atualidade
2001. Rio de Janeiro (Brasil) – Congresso da SIEC - Desenvolvimento Infantil em Contexto:  Jogo e Desenvolvimento da Criança.
2002. Lisboa – 9ª. Conferência Internacional de Ludotecas: O Jogo e o Desenvolvimento Infantil – uma abordagem à luz dos sistemas ecológicos.
2002. Florianopolis (Brasil) – II Encontro Latino-Americano para Estudos da Criança: O Mundo da Infância em Portugal.
2003. Maringá (Brasil) – 1º. Congresso Internacional de Pedagogia do Esporte: Educação Física Infantil – aprendizagem e autonomia motora na infância.
2005. Buenos Aires (Argentina) - Encontros para a Cidadania: a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades portuguesas: As Mulheres Portuguesas em Movimento.
2006. Estocolmo (Suécia) - Encontros para a Cidadania: a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades portuguesas: As Jovens Portuguesas e o Desporto.
2006. Joanesburgo (África do Sul) - Encontros para a Cidadania: a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades portuguesas: A Vida Desportiva das Jovens Portuguesas.
2007. Florianopolis (Brasil) – VIII Encontro Internacional da SIEC: A Criança, o Jogo e os Brinquedos.
2009. Sesimbra - Conferência Nacional AS ESCOLAS CONDE FERREIRA – marco histórico da Instrução em Portugal: A Mulher na Escola Primária no Século XIX.
2012. Maia - Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora: As Mulheres Portuguesas no Mundo: a Dança no Diálogo Intercultural.
2013. Recife (Brasil) – Encontro Expressões Femininas de Cidadania – a Mulher portuguesa no Recife: Um Novo Associativismo para os Mais Velhos.



                         PUBLICAÇÕES      
Guedes, G. (1985). Les Conduites d´Adaptation Motrice Chez les Enfants Scolarisés de Deux à Trois Ans – enfants portugais en France et au Portugal. Porto: Edição Centro de Estudos da Secretaria de Estado da Emigração.
Guedes, G. (1986). Terminologia dos Exercícios Básicos em Educação Física. Porto: Edição FCDEF-UP.
Guedes, G. (1988). O Património Lúdico e o  Desenvolvimento da Criança -           Os Jogos de Ontem no Terceiro Milénio. In Cultura Lúdica, Tradição e Modernidade. Lisboa: Instituto de Apoio à Criança.
Guedes, G. (1988). The Folk Dance and the Woman Role in the Portuguese Diaspore. Women in Sport & Physical Activity Journal. Las Vegas, vol. 7, 1, Spring 1988: 221-224.
Guedes, G. (1990). A Revalorização dos Jogos Tradicionais e a Melhoria da Condição Física das Populações.  Actas das Jornadas Científicas Desporto, Saúde e Bem Estar na Universidade do Porto. Porto: FCDEF-UP.
Guedes, G. (1995). O Papel do Folclore na Aculturação dos Povos; as portuguesas no mundo. Actas do Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo. Espinho: Março de 1995.
Guedes, G. (1997). Do Popular ao Erudito: a Seranda, Expressão do Trabalho, do Corpo e da Arte. Actas do V Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa. Maputo, 1997.
Guedes, G. (1997). O Jogo, o Brinquedo e o Desenvolvimento da Criança. Actas do IV Encontro de Cultura Tradicional da Beira. Viseu, 1997.
Guedes, G. (1998). Importance of Dance for Developing Motor Coordination in Young People. Actas AIESEP 98 New York World Congress. Adelphy University.
Guedes, G. (1988). The Folk Dance and the Woman Role in the Portuguese Diaspore. Women in Sport & Physical Activity Journal. Las Vegas, vol. 7, 1, Spring 1988: 221-224.
Guedes, G. (2001). A Educação Infantil em Portugal: percurso e actualidade. In R. Krebs, F. Copetti, M.R. Roso, M.S. Kroeff & P.H. Souza (Eds.). Desenvolvimento Infantil em Contexto. Florianopolis: Editora da UDESC.
Guedes, G. (2001). Aprendizagem Motora: problemas e contextos. Lisboa: FMH-UTL.
Guedes, G. (2002). Desenvolvimento Infantil. Gandra: Ed. EFSD – ISCS-N.
Guedes, G. (2002). Educação Física no Ensino Primário. Gandra: Ed. EFSD – ISCS-N.
Guedes, G. (2007). O Jogo e a Criança. In R.J. Krebs & C.A. Ferreira Neto (Eds.). Tópicos do Desenvolvimento Motor na Infância e Adolescência.. Rio de Janeiro: Nova Letra Gráfica e Editora.
Guedes, G. (2007). As Mulheres Portuguesas em Movimento. Encontros para a Cidadania: a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades portuguesas - Argentina. Buenos Aires, Novembro de 2005. In Maria Manuela Aguiar (Coord.). Migrações – iniciativas de género. Porto: Rocha, Artes Gráficas.
Guedes, G. (2007). As Jovens Portuguesas e o Desporto. Encontros para a Cidadania: a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades portuguesas - Europa. Estocolmo, Março de 2006. In Maria Manuela Aguiar (Coord.). Migrações – iniciativas de género. Porto: Rocha, Artes Gráficas.
Guedes, G. (2007). A Vida Desportiva das Jovens Portuguesas. Encontros para a Cidadania: a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades portuguesas - África. Joanesburgo, Novembro de 2006. In Maria Manuela Aguiar (Coord.). Migrações – iniciativas de género. Porto: Rocha, Artes Gráficas.
Guedes, G. (2008). As Jovens Portuguesa e o Desporto. In Ângelo Vargas (Ed.), Questões de Desporto em Portugal e no Brasil. Rio de Janeiro: Editora LECSU.
Guedes, G. (2009). A Mulher na Escola Primária no Século XIX. In Actas da Conferência Nacional AS ESCOLAS CONDE FERREIRA – marco histórico da Instrução em Portugal. Sesimbra: Edição da Assembleia Municipal de Sesimbra.   
Guedes, G. (2012). As Universidades Séniores. In Manuela Aguiar, Rita Gomes, Beatriz Rocha Trindade, Manuela Bairos & Graça Guedes (Coord.). Entre Portuguesas num Mundo sem Fonteiras. Porto: Edição Associação de Estudos Mulher Migrante
Guedes, G. (2012). II Encontro Mulheres em Movimento. In Manuela Aguiar, Rita Gomes, Beatriz Rocha Trindade, Manuela Bairos & Graça Guedes (Coord.). Entre Portuguesas num Mundo sem Fonteiras. Porto: Edição Associação de Estudos Mulher Migrante
Guedes, G. (2012). 1º. Encontro Portuguesas Migrantes no Associativismo e no Jornalismo, 1985. In Manuela Aguiar, Rita Gomes, Beatriz Rocha Trindade, Manuela Bairos & Graça Guedes (Coord.). Entre Portuguesas num Mundo sem Fonteiras. Porto: Edição Associação de Estudos Mulher Migrante.
Guedes, G. (2012). As Mulheres Portuguesas no Mundo: a Dança no Diálogo Intercultural. In Maria Manuela Aguiar & Maria da Graça Sousa Guedes (Coord.). Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora. Espinho:  Edição Associação de Estudos Mulher Migrante.
Guedes, G. (2014). Novas Formas de Associativismo. In Maria Manuela Aguiar, Graça Guedes & Arcelina Santiago (Coord.). Expressões Femininas de Cidadania: III Encontro Mundial de Mulheres na Diáspora. Espinho: Edição Associação de Estudos Mulher Migrante.
Guedes, G. (2014). Um Novo Associativismo para os Mais Velhos. In Maria Manuela Aguiar, Graça Guedes & Arcelina Santiago (Coord.). Entre Portuguesas – Associação Mulher Migrante 20 Anos. Espinho: Edição Associação de Estudos Mulher Migrante.


Aptidões e competências artísticas
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6º. ano de PIANO


distinções

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2003 – Medalha de ouro da cidade de Espinho (Medalha de Mérito)

2012 – Sócia Honorária da Sociedade Científica de Pedagogia do Desporto

Carta de condução

P-79828 9  obtida em 02.02.1959

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

CV JOÃO MIGUEL AGUIAR

Foto Exposição Espinho.jpg

Curriculum Vitae
João Miguel Barros Aguiar Pereira

Áreas de interesse: Processos Sociais; Sociologia da Comunicação; Ciência Política; Metodologias de Investigação; Investigação em Media Digitais; Processos de Exclusão/Inclusão Digital; Uso Cívico e Político dos Media Digitais; e-Government; e-Society; Literacia Digital; Estatística; Análise de dados qualitativos e quantitativos, Indicadores Compostos.

Formação académica e Profissional  
Data (s): 2012 até 2018
Concluiu o Programa Doutoral em Media Digitais da Universidade do Porto e da Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com a Universidade do Texas em Austin.
O processo de investigação desenvolvido no âmbito do doutoramento em media digitais centrou-se na análise estatística dos micro-dados em torno das clivagens digitais e da participação cívica e politica on-line na União Europeia, nomeadamente ao nível do acesso, da usabilidade e da experiência de utilização dos media digitais (dados disponibilizados pelo Eurostat no âmbito do Eurostat's Community survey on ICT usage in Households and by Individuals).
Tese (dissertação) título: Clivagens Digitais e a Participação Cívica e Política: Que tipo de cidadania para o século XXI? (Aprovado por unanimidade – Muito bom)
Data (s): 2013
Em 2013 foi concedida uma bolsa de doutoramento (BD) através do Programa UT - Austin | Portugal (Media Digitais), apoiada pela FCT - Fundação para Ciência e Tecnologia (SFRH/BD/52327/2013).
Em 2013 frequentou e concluiu o curso de formação de formadores “Mendeley – Uma forma diferente de gerir referências bibliográficas”, organizado pela FPCEUP/ESTSPIPP, realizado em 26 de outubro de 2013 na faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Data (s): 2007 a 2010

Membro da Comissão Organizadora do “1st Meeting on Digital Media Research Methods (DiMe 2013)”, em 24 de maio na FEUP (http://utaustinportugal.org/news/dime_2013), com a função de coordenação.

Data (s): 2010 a 2012
Mestrado em Ciências da Comunicação - Major em Comunicação Política - Investigação e Dissertação, com a nota final de dezassete valores (em 20), correspondente ao grau A na escala de classificação europeia, na Faculdade de Letras, Faculdade de Belas Artes, Faculdade de Economia e Faculdade de Engenharia da Universidade de Porto.
Tese (dissertação) título: O Facebook e a Comunicação Política: dos Usos e Gratificações à Análise de Redes. (18 valores, em 20)
Licenciatura em Sociologia com a nota final de catorze valores (em 20), correspondente ao grau B na escala de classificação europeia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Data: 2018 até à data

Principais atividades e responsabilidades: Desenvolveu trabalho relacionado com os objetivos do projeto de investigação; organização e participação em conferências, seminários e reuniões de projetos; pesquisa bibliográfica; Processamento e análise estatística dos dados produzidos durante o projeto.
Função ou cargo ocupado: Investigador bolseiro
Principais atividades e responsabilidades: Desenvolve trabalho relacionado com os objetivos do projeto de investigação; organização e participação em conferências, seminários e reuniões de projetos; pesquisa bibliográfica; Processamento e análise estatística dos dados produzidos durante o projeto.
Nome e endereço: HARMED - Socio-economic and health determinants of elder abuse’ (PTDC/IVC-SOC/6782/2014), em curso no Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).
Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. FLUP I&D Polo PINC - Rua dos Bragas, 223 - 4050-123 Porto, Portugal.

Data: 2014 até 2018

Função ou cargo ocupado: Investigador (PhD Candidate)
Atividades e responsabilidades principais: Desenvolveu a investigação necessária para os propósitos do projeto; Organização e participação em reuniões de projetos; Pesquisa bibliográfica; Processamento e análise de dados produzidos durante o projeto; Responsável por entrevistas e inquéritos; Colaborou em conferências e relatórios
Nome e endereço: The Center for Research in Communication, Information and Digital Culture (CIC.Digital); Universidade Nova de Lisboa, Av. de Berna, 26-C. 1069-061 Lisboa – Portugal;
International Collaboratory for Emerging Technologies, CoLab | Praça Coronel Pacheco, 8, 4050-453 Porto;
CETAC.MEDIA - Research Centre for Communication Technologies and Sciences | Universidade do Porto | Praça Coronel Pacheco, 8, 4050-453 Porto

Data: 2014
Função ou cargo ocupado: sociólogo e investigador
Principais atividades e responsabilidades: participação no processo de acreditação da Universidade do Porto para o reconhecimento pelo Eurostat como entidade de investigação (Formulário de candidatura para entidades de investigação, Outubro de 2014)

Data: 2013
Função ou cargo ocupado: Sociólogo, Investigador em Media Digitais
Responsável pela produção de conteúdos multimédia para o projeto de divulgação científica Ciência 2.0
Nome e morada do projecto de investigação: 2012 - Relational Quality, Digital Immersion and Social Welfare – em parceria com a Universidade de Sevilha. Rede Ibérica de Observatórios Municipais para a Inclusão e Literacia Digital | Praça Coronel Pacheco, 8, 4050-453 Porto
A Rede de Observatórios Municipais de Literacia e de Inclusão Digital (ObLID) é um projeto nascido da parceria entre o CETAC.media (Universidade do Porto), a Universidade Aberta (Unidade de Missão para os Centros de Aprendizagem Local) e os Municípios de Resende e Amarante.
A rede ObLID é dedicada à análise da realidade tecnológica e educacional, bem como na promoção das competências e da inclusão digital, ao nível municipal. (www.contemcom.org).
Investigadores principais: José Azevedo (CETAC.media/Universidade do Porto) e Luísa Aires (Universidade Aberta)

Data(s): de 2012 a 2014

Função ou cargo ocupado: Sociólogo e Jornalista de Ciência
Principais atividades e responsabilidades: Departamento de Comunicação, Relações institucionais e Desenvolvimento; Responsável pelo Departamento Comercial; Departamento de Recursos Humanos e Formação, Planeamento e organização da produção e administração da empresa.
Atividades e principais responsabilidades: Planeamento e organização de conteúdos multimédia; Investigação, desenvolvimento e produção de conteúdos digitais; Análise de dados e produção de guiões para documentários científicos; Assistência e organização de reuniões do projetos; Processamento e análise de entrevistas; Participação em conferências; Apoio ao site do projeto.
Nome e endereço do projecto: Ciência 2.0 – Universidade do Porto | Praça Coronel Pacheco, 15 – 4050-453 Porto
O Ciência 2.0 é um projeto de comunicação científica desenvolvido na Universidade do Porto, que visa promover um maior debate entre a ciência e a sociedade, abrindo ao público a oportunidade de participar e promover conteúdos científicos (http://www.ciencia20.up.pt/). Um projeto co-financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através dos programas QREN e COMPETE e por fundos nacionais da Ciência Viva.

Publicações e Apresentações
Publicações:
Azevedo, J., Madalena, I., Aguiar, João M. & Neves, S. [Guião]; Leitão, J.L. & Magro, S. [Realização] (2013). Cérebro, Emoções e Fado, Ciência 2.0 - Documentários – RTP (Coordenação Geral HOP - Henrique Oliveira). Lisboa, Portugal: © RTP2, Rádio e Televisão de Portugal.
Aguiar, João M. & Pereira, Paula C. (2011). “Desigualdade de género no trabalho: Portugal e a União Europeia”, in: Actas do Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora: história, memória, devir”, Maia, 24 a 26 de Novembro de 2011, Mulher Migrante, Lisboa, pp. 85-89.
Aguiar, João M. & Silva, Luciana C. (2011). “Análise comparativa da cobertura jornalística dos discursos presidenciais dos dois últimos presidentes da República Portuguesa”, in: Actas do 7th SOPCOM Digital Media and Creative Industries | Effects and Challenges of Globalization, Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Porto, 15 a 17 de Dezembro de 2011, VII Congresso SOPCOM, pp. 14-15.
Pereira, J. M. B. Aguiar. (2012). O Facebook e a Comunicação Política: dos usos e gratificações à análise de redes sociais. Dissertação de Mestrado, Universidade do Porto.
Azevedo, J., Ramos, S. & Neves, S. [Guião]; Leitão, J.L. & Magro, S. [Realização] (2013). Uma Segunda Vida, Ciência 2.0 - Documentários – RTP (Coordenação Geral HOP - Henrique Oliveira). Lisboa, Portugal: © RTP2, Rádio e Televisão de Portugal.
Azevedo, J. [Coordenação geral e guião]; Leitão, J.L. & Magro, S. [Realização] (2013). Minas e Mineiros de Portugal, Ciência 2.0 - Documentários – RTP (Coordenação Geral HOP - Henrique Oliveira). Lisboa, Portugal: © RTP2, Rádio e Televisão de Portugal.
Aguiar, João M., Campos, P., & Azevedo, J. (2017). The Digital Divide in Europe in the 21st Century: a new methodological challenge for comparative social research, in: Proceedings of the 5th European User Conference for Eurostat micro-data, Organized by German Micro-data Lab, GESIS, in cooperation with Eurostat, http://www.gesis.org/unser-angebot/veranstaltungen/gesis-tagungen/european-user-conference-5/ | GESIS – Leibniz - Institut für Sozialwissenschaften, Mannheim, Alemanha, 2 a 3 de Março de 2017.
Azevedo, J. [Direção de conteúdos] & Leitão, J.L. [Realização] (2014). Privacidade e Segurança na Internet, Ciência 2.0 – Debates (Coordenação Geral HOP - Henrique Oliveira). [On‐line], disponível em: https://www.ciencia20.up.pt/index.php?option=com_content&view=article&Itemid=&id=1275. Consultado: 2018 April, 18.
Aguiar, João M., Azevedo, J. & Campos, P. (2016). “The Digital Divide and Online Civic and Political Participation: Portugal | European Union”, in: Actas do IX Congresso Português de Sociologia - AT/ST [Globalização, Política e Cidadania], http://www.aps.pt/ix_congresso/, Universidade do Algarve, Faro, 6 a 8 de Julho de 2016.
Aguiar, João M., Azevedo, J., & Campos, P. (2016). The Digital Divide in Europe in the 21st Century: a new outlook, in: Actas do “IAMCR 2016 Conference of the International Association for Media and Communication Research” [Digital Divide Working Group], http://iamcr.org/leicester2016 | University of Leicester, Leicester, United Kingdom, 27 a 31 de Julho de 2016.
Dias, Isabel, Lopes, Alexandra; Lemos, Rute; Fraga, Sílvia; Costa, Diogo; Aguiar, J. M.. HARMED - Socio-economic and health determinants of elder abuse: the case of older women, in: Proceedings of the 9th European Society on Family Relations (ESFR) congress “Families through the lens of diversity” https://www.fpce.up.pt/esfr2018/about.html | the Faculty of Psychology and Educational Sciences of the University of Porto, September 5th to September 8th, 2018.
The Digital Divide in Europe in the 21st Century: a new outlook – Apresentação efectuada no “IAMCR 2016 Conference of the International Association for Media and Communication Research” [Digital Divide Working Group], http://iamcr.org/leicester2016, na University of Leicester, Leicester, United Kingdom, 30 de Julho de 2016.
Aguiar, João M.; Azevedo, J. & Campos, P. (2018). Digital divide: new methodological approaches for comparative social research between countries [Working Paper]. Digital Culture & Society, Vol. 5, Issue 1/2019 [full paper accepted].

Apresentações:

Desigualdade de género no trabalho: Portugal e a União Europeia – Apresentação efetuada no “Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora: história, memória, devir”, Cidade da Maia, 25 de Novembro de 2011.
Análise comparativa da cobertura jornalística dos discursos presidenciais dos dois últimos presidentes da República Portuguesa – Apresentação efetuada no “VII Congress of SOPCOM, GT – Communication and Politics”, Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Porto, 16 de Dezembro de 2011.
Digital Divide and Online Political Engagement: What Kind of Citizenship for the 21st Century? Apresentação efetuada no “2nd Meeting on Digital Media Research Methods” (DiMe 2014) na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 5 de Dezembro de 2014 (http://utaustinportugal.org/news/2nd_meeting_on_digital_media_research_methods_dime_2014).
The Digital Divide and Online Civic and Political Participation: Portugal | European Union – Apresentação efetuada no “IX Congresso Português de Sociologia - Portugal, Território de Territórios” [AT/ST Globalização, política e cidadania], http://www.aps.pt/ix_congresso/, na Universidade do Algarve, Faro, 7 de Julho de 2016.
HARMED - Socio-economic and health determinants of elder abuse: the case of older women – Apresentação efetuada no “9th European Society on Family Relations (ESFR) congress: Families through the lens of diversity” https://www.fpce.up.pt/esfr2018/about.html | Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, de 5 de Setembro a 8 de Setembro, 2018.
The Digital Divide in Europe in the 21st Century: Portugal vs European Union – Apresentação efetuada no âmbito do Seminário de Cultura de Convergência dos Mass Media [Deca – UA Communication and Art Department], https://www.ua.pt/deca/, na Universidade de Aveiro (UA), Aveiro, 4 de November, 2016.
The Digital Divide in Europe in the 21st Century: a new methodological challenge for comparative social research – Apresentação efectuada no 5th European User Conference for Eurostat micro-data, Organized by German Micro-data Lab, GESIS, in cooperation with Eurostat, http://www.gesis.org/unser-angebot/veranstaltungen/gesis-tagungen/european-user-conference-5/, no GESIS – Leibniz - Institut für Sozialwissenschaften, Mannheim, Alemanha, 3 de Março de 2017.
Clivagens Digitais e a Participação Cívica e Política: Portugal vs União Europeia – Apresentação efectuada no âmbito do seminário Culturas de Convergência nos Media do Curso de Doutoramento em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais – FLUP e DECA (Departamento de Comunicação e Arte) | Universidade do Porto e Universidade de Aveiro, Porto, 19 de Janeiro de 2018.

NOVOS ASSOCIADOS DA AMM: JOÃO MIGUEL AGUIAR

João Miguel Aguiar | Sociólogo, Investigador e Jornalista de Ciência

Licenciado em Sociologia e Mestre em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Doutorado em Media Digitais pela Faculdade de Engenharia Universidade do Porto e pela Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com a Universidade do Texas, em Austin (na Universidade do Porto o programa doutoral envolve igualmente as Faculdades de Letras, Ciências, Economia e Belas Artes).
Foi investigador bolseiro do Programa UT Austin | Portugal, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).De 2012 a 2014 foi responsável pela produção de conteúdos multimédia no âmbito do projeto de comunicação de ciência “Ciência 2.0”, projeto desenvolvido na Universidade do Porto que visa promover um maior diálogo entre a ciência e a sociedade.
Colaborou, em 2012, como investigador, no projeto “Relational Quality, Digital Immersion and Social Welfare”, uma parceria com a Universidade de Sevilha. Projeto inserido na “Rede ObLID”, uma comunidade ibérica formada por investigadores e agentes locais vocacionada para a promoção da literacia e inclusão digital no âmbito municipal.
Foi coordenador da comissão organizadora do "1st Meeting on Digital Media Research Methods (DiMe 2013)", realizado na FEUP em 24 de Maio de 2013.
Em 2014, participou no processo de acreditação da Universidade do Porto ao EUROSTAT.
Exerce atualmente as funções de investigador no Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no âmbito do projeto “Harmed - O abuso de idosos: determinantes sociais, económicas e de saúde – uma parceria com o Instituto de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (ISPUP), que tem como finalidade avaliar a incidência do abuso de idosos na cidade do Porto e identificar os fatores de risco de exposição a comportamentos abusivos.
É membro da “Rede ObLID”, uma rede de investigação e intervenção para a Literacia e a Inclusão Digital que agrega uma comunidade de agentes coletivos e individuais e está vocacionada para a Investigação e a Intervenção no domínio da Cidadania e Participação Digital. Sediada na Universidade Aberta-LE@D, a Rede ObLID é também dinamizada por investigadores da Universidade de Deusto (Espanha) e conta com a participação de Municípios, Comunidades Intermunicipais, Associações, ONG´s, e outras organizações que intervêm neste campo.

sábado, 18 de agosto de 2018

MARIA BARROSO NA ABERTURA DAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM ESPINHO

Conhecendo a desigualdade de direitos que persistiu ao longo dos séculos entre as mulheres e os homens, não poderíamos deixar de nos surpreender com o oásis que representou o período da I República. Ainda nos finais do século XIX, Portugal assistiu ao nascimento de algumas mulheres que, antes da República ou mesmo não partilhando o republicanismo, começaram a lutar, com coragem, pela melhoria da situação das mulheres, então, extremamente subalternizadas na sociedade e na família. Não havia educação oficial para as meninas. Saber ler era raro e não tinha importância. Antes pelo contrário, já que, segundo as concepções vigentes, o sexo feminino deveria manter-se reservado e longe das más influências transmitidas pela leitura. É certo que a maioria da população era analfabeta. Mas as mulheres atingiam mais de 80% do total. O ensino primário começou a existir tarde mas, para as raparigas, nele se conteúdo incluíam os lavores e as prendas domésticas necessárias às formandas, cujo principal destino era o casamento e a família. O ensino secundário ainda foi mais tardio e o primeiro Liceu feminino – Maria Pia – é de 1906. Este panorama da educação no nosso País explica as dificuldades das mulheres e é explicado pelo atavismo e preconceitos em relação aquilo que era importante para as suas vidas, na opinião dos homens. O acesso às Universidades era ainda mais difícil. As mulheres “sábias” e as “doutorices” eram ridicularizadas e, pelo riso e troça, os homens acabavam por mantê-las longe dos cursos superiores. Os tempos foram mudando. Certamente, algumas notícias chegavam da Europa e da longínqua América despertando as jovens para a injustiça das desigualdades e para as dificuldades que foram criadas às mulheres que não tinham pai ou marido para as sustentar a elas e à família. Trabalhar fora de casa era também um tabu. Ficando sem recursos, as mulheres da burguesia lograram ultrapassar os obstáculos escrevendo ou ensinando, trabalho por que auferiam parcas retribuições para a sua sobrevivência. Naturalmente, que tendo nascido dentro de famílias mais ou menos abastadas, elas eram as únicas a beneficiar de alguma instrução, muitas vezes, com professoras no domicílio e eram também as únicas a poder usar o seu talento para sobreviver. A oposição social ao trabalho das mulheres não se verificava, porém, relativamente ao povo, às mais pobres, que partilhavam o destino dos trabalhadores rurais e operários, ganhando, contudo, muito menos do que eles. Neste enquadramento, sumariamente descrito, viveram, trabalharam e sofreram algumas mulheres da transição para o século XX e do início desse século que foram fazendo o caminho para as reivindicações sociais, muitas delas incorporadas na Revolução Republicana. Esperavam as que aderiram à República e às suas instituições – quase todas – que este novo sistema político curasse a sociedade de todos os males. Muitos escritos de mulheres ilustres, como Ana Castro Osório e outras feministas defenderam que “a República não sendo na forma de governo nova nem perfeita… é, no entanto mais lógica, mais compreensível à nossa inteligência e mais tolerável à nossa razão, dando-nos também garantias de progresso”. Ana Maria Gonçalves Dias afirma, igualmente, no Congresso Republicano do Porto, em 1910, que todas as mulheres feministas deveriam ser republicanas, visto que só da República se podem aguardar leis igualitárias e justas. E, com efeito, muitas leis foram publicadas pela I República, em benefício das mulheres e muitas medidas foram tomadas para melhorar a sua situação: novas leis do casamento e filiação baseadas na igualdade, o direito de trabalhar na função pública, a escolaridade obrigatória até aos 18 anos para ambos os sexos e abertura, pela primeira vez, de uma Cátedra a uma mulher, (Carolina Michaëlis de Vasconcelos a quem é concedido o grau de doutor), o início dos cursos de direito para mulheres e exercício da advocacia, até então vedado (Regina Quintanilha). Como afirma João Estêvão, na obra “Mulheres e o Republicanismo”, “durante 20 intensos anos assistiu-se à adesão ao ideal republicano; ao combate à monarquia; … à criação de organizações partidárias, feministas e femininas; à formação de reivindicações; … à realização de dois Congressos Feministas e de Educação (1924 e 1928). Em momentos únicos, as mulheres estiveram lá. Pensaram, debateram, organizaram-se, actuaram. Escreveram, opinaram, polemizaram. Discursaram, aderiram a causas. Politizaram-se. Alugaram sedes, calendarizaram reuniões. Reivindicaram, peticionaram. Expuseram-se, lutaram, correram riscos, sofreram incompreensões, injúrias e agressões. Marcaram presença em sessões, reuniões, festas, saraus, comícios, congressos, homenagens, celebrações, cortejos, manifestações, funerais, romagens. Foram para a rua. Associaram-se, desassociaram-se, reagruparam-se, conforme desavenças pessoais, divergências de opinião, de estratégia, de liderança e de rumo consoante se assumiram mais como feministas do que republicanas e vice-versa, sendo muitas vezes ambas as coisas, o que originou também fracturas entre as duas causas, com prejuízo para o reforço das respectivas lutas e consequências para a República”. Mas não se pense que os homens republicanos queriam todos a inteira igualdade entre as mulheres e os homens. António José de Almeida, que apoiou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, esclareceu numa reunião em 1908 o que pretendia daquela organização: “Não se trata de ir ao Parlamento reclamar o voto das mulheres. Não se trata de trazer mulheres para a rua ou para os clubes, envolvendo-as numa febre de agitação a que a mulher portuguesa é tão esquiva e refractária. Pretende-se que cada uma delas exerça na sua esfera de acção, na sua família, nas suas relações, o influxo do seu espírito e o exercício da propaganda”. A Liga não aceitou este estreito campo de actuação e procurou pugnar pela igualdade entre mulheres e homens, em casa e na rua. Passado algum tempo e na sequência de posições como a de António José de Almeida advieram desilusões entre republicanos que não viam satisfeitas as aspirações das mulheres. Ana de Castro Osório recordou às mulheres os acontecimentos anteriores à Revolução Francesa em que aquelas foram utilizadas e de seguida remetidas ao silêncio. Mas as conquistas da I República foram uma realidade. Entre 1908 e 1928, data do segundo Congresso Feminista e de Educação, verificou-se um enorme incremento da vida cívica e política, tanto a nível associativo como na visibilidade pública enquanto força de pressão sobre os poderes constituídos. O oásis que as mulheres e os democratas, em geral, construíram teve aquela duração bem curta. Em 1926 inicia-se a Ditadura Militar, sendo dissolvido o Parlamento. Em 1927, teve lugar uma revolta militar e civil no Porto contra a Ditadura Militar, mas foi vencida. O Governo da Ditadura acabou com o regime de coeducação nas localidades em que existisse mais do que um estabelecimento de ensino não superior. Viveu-se a partir daí um longo período de apagamento da acção das mulheres e dos seus direitos. A Constituição da República de 1933 vem legitimar as discriminações contra elas ao estabelecer a igualdade dos cidadãos perante a lei “salvas”, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem estar da família, o que legitimou, até ao 25 de Abril, todas as discriminações existentes na vida cívica e política, na família e no trabalho. As republicanas que viveram um período de 20 anos de intensa luta deixaram às gerações que se lhe seguiram um legado que acabou por não ser aproveitado senão muitos anos depois. Foi pena! Porque poderíamos ter sido um país exemplar e progressista se as mentalidades retrógradas do século XIX não tivessem continuado a florescer durante quase todo o século XX. As mulheres que ajudaram a implementar a I República e a tornar brilhante e grande o seu pequeno percurso, mulheres que foram feministas, pacifistas, maçónicas-livre-pensadoras e republicanas, merecem a nossa admiração e homenagem. Elas foram autênticas guerreiras, tendo conquistado posições que, só cinquenta anos depois, a partir de 1974, conseguimos começar a readquirir e alargar. Mas que mulheres foram essas? Qual o seu perfil e identidade? A homenagem que desejo propor não pode, infelizmente, por escassez de tempo e benefício da vossa paciência, contar a biografia completa das várias personalidades que constituíram o eixo feminino da I República. Nem esta seria a oportunidade de o fazer. Assim, limitar-me-ei, num resumido apontamento a referir quem são e o que justifica o seu lugar na História. Antes, porém, uma referência deve ser feita, ao facto de feministas ou não, republicanas ou não, todas em geral, terem defendido a instrução e a educação para as mulheres, como factor essencial da sua valorização na família e na sociedade. Ao não terem sido, devida e atempadamente ouvidas, o nosso País perdeu muito do seu alinhamento no progresso e no desenvolvimento, cujo défice ainda hoje sentimos. Maria Antónia Pusich, mulher culta e instruída, publicou em 1849, a Assembleia Literária que foi o primeiro jornal fundado por uma mulher, tendo tido a coragem de dar a público o seu nome. Fez da escrita o seu modo de vida, para seu sustento e de seus filhos. Depois da criação do primeiro jornal, muitas outras mulheres passaram a subscrever artigos e mesmo a dirigir publicações. E não se pense que se tratava apenas de imprensa feminina. Investigações feitas relativas ao século XIX, revelam que muitas mulheres colaboraram em jornais literários, noticiosos ou políticos, usando, por vezes, nomes masculinos para fugir à censura social. Teresa Leitão de Barros em “Escritoras de Portugal”, de 1924, descreve as condições difíceis que as mulheres enfrentavam para serem escritoras. Podiam ser estimadas como autoras recreativas, dizia, mas eram postas à margem da sociedade burguesa pela sua situação de mulheres independentes e chefes de família. Guiomar Torrezão, nascida em 1884, numa família burguesa, desde cedo teve também que prover à sua substância, dando lições de instrução primária e francês, ao mesmo tempo que se iniciava na escrita, com elevado sucesso. Traduziu obras de escritores célebres e trabalhou em vários órgãos de imprensa, designadamente no Diário Ilustrado, Diário de Notícias, Voz Feminina e outros. Tendo que trabalhar por gosto, mas essencialmente por necessidade pois o pai falecera cedo deixando a família em precária situação económica, Guiomar depressa reconheceu a importância de uma formação superior, a qual, não teve condições de adquirir. Apesar das adversidades, sendo detentora de uma superior inteligência e engenho, cumpriu um brilhante destino como mulher e escritora. Como pioneira lançada numa sociedade conservadora, Guiomar Torrezão, sofreu, como outras mulheres, calúnias, críticas e invejas. Guiomar contou, porém, com apoios importantes, nomeadamente de Fialho de Almeida, que, por altura da sua morte, depois de elogiar o seu carácter e mérito, diria que “para ser verdadeiramente alguém, ela só teve um obstáculo, o meio onde apareceu e se fez gente. Em Londres ou em Paris, teria sido ilustre. Em Lisboa, quase a quiseram tornar cómica”. Guiomar deixou vários romances, contos e peças de teatro, representadas nos teatros de Lisboa. A sua tristeza e conformismo perante uma sociedade tão conservadora está bem patente quando escreveu de si própria, que a sua vida literária era “obscura, improfícua, pobre e triste …” Esperaria mais reconhecimento e também uma vida mais desafogada. E conta que quando no estrangeiro lhe perguntavam quanto ganhava com os seus escritos, via-se obrigada a mentir para defesa da honra do seu país, multiplicando as quantias até atingirem uma soma decente. Alice Pestana (Caiel), nasceu em 1860, também dentro de uma família burguesa. Aprendeu francês, inglês e piano. Este tipo de educação não a satisfez, porque não queria frequentar salões e precisava de se sustentar e auxiliar a família. Assim, com o auxílio financeiro de uma avó, continuou os estudos, matriculando-se no ensino secundário, ao mesmo tempo que dava lições. Em 1877, iniciou a sua carreira como jornalista de mérito. Usou um pseudónimo, masculino, CAIEL, como estratégia de legitimação. Além do jornalismo, escreveu livros, contos, novelas e peças de teatro. Foi grande defensora da educação feminina e encarregada de uma visita de estudo ao estrangeiro para analisar as condições de instrução feminina noutros países. Fundou, em 1899, a Liga Portuguesa da Paz, de que foi presidente, tendo como outros fundadores, homens ligados ao movimento republicano ou à maçonaria, como Magalhães Lima, Teófilo Braga, Consiglieri Pedroso e Teixeira Bastos. Tendo casado, em 1901 com um professor espanhol, passou a residir em Madrid. Continuou, porém, a escrever, a estudar e a dar lições, tendo sido professora em prestigiadas instituições espanholas. Domitila da Carvalho, nasceu em 1871. Frequentou a Universidade de Coimbra em 1891, tendo sido a primeira mulher a fazê-lo. A sua inscrição teve que ser autorizada ministerialmente, a pedido do Reitor, por não haver nenhum precedente. Entrou para o curso de matemática. Mas não ficou por aqui. Em 1899, inscreveu-se também em medicina, juntamente com Sofia Júlia Dias, sendo as duas primeiras mulheres a frequentar este curso. Além de matemática e medicina, obteve ainda a licenciatura em filosofia, tendo alcançado altas classificações em todos os cursos. Contrariamente a outras mulheres que aderiram às ideias republicanas, esta mulher era monárquica e católica, tendo mantido com a rainha D. Amélia assídua correspondência. O seu percurso político levou-a, mais tarde, a pertencer ao grupo de três primeiras deputadas do Estado Novo. Abraçou a causa do pacifismo, defendeu a educação das mulheres, mas não defendeu o sufrágio feminino. Foi professora e reitora do Liceu Maria Pia, o primeiro Liceu feminino em Portugal. Carolina Michaëlis de Vasconcelos nasceu em 1851, de origem alemã. Casada com um português, ficou na história como primeira mulher nomeada, em 1911, para o cargo de professor ordinário de Filologia germânica da Faculdade de Letras de Lisboa, onde não chegou a leccionar por ter sido, entretanto, transferida para Coimbra. Até à sua morte, em 1925, foi a única mulher a pertencer ao corpo docente de Coimbra. Era especialista em várias línguas. Recebeu várias distinções honoríficas tendo sido considerada a mulher mais erudita do seu tempo. Publicou várias obras, resultado das suas investigações literárias, abrangendo escritores antigos e, também seus contemporâneos. Por curiosidade, anota-se que segundo Joaquim Ferreira Gomes, até ao fim de 1910, tinham-se matriculado na Universidade de Coimbra 23 mulheres e, até 1926, frequentaram essa Universidade 280 mulheres, mais 257 inscritas. Regina Quintanilha de Vasconcelos nasceu em 1893 e, em 1910, com 17 anos, foi a primeira mulher a frequentar o curso de direito, até então proibido às mulheres. Como estávamos no auge da revolução republicana, Regina Quintanilha foi recebida em festa pela Academia. Os seus colegas estenderam-lhe as capas para lhe dar as boas vindas. Foi colega de homens ilustres como Manuel de Arriaga, nomeado presidente da República. Com o advento da República, muitas alterações se verificaram, a nível académico – os alunos não eram obrigados a comparecer a todas as aulas e podiam escolher o seu plano de estudos com cadeiras de qualquer ano. Foi, assim que Regina Quintanilha frequentou, simultaneamente, o curso de Direito e o curso de Letras recém-criado pela República. Em 1913, Quintanilha requereu autorização para advogar ao Supremo Tribunal de Justiça, autorização que foi concedida transformando-se esta primeira licenciada em Direito na primeira advogada portuguesa. Este facto causou grande impacto na imprensa e no público que acorreu ao primeiro julgamento que ela fez na Boa-Hora. Regina Quintanilha foi ainda notária e conservadora do Registo Predial e professora no Liceu Maria Pia. Militou no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e foi presidente da Assembleia Geral deste Conselho, em 1917. Esteve ainda ligada à Cruzada das Mulheres Portuguesas. As conquistas de Regina Quintanilha foram marcantes para a época, pois não era fácil frequentar o mundo do direito, eminentemente masculino. Também não foi fácil o acesso a outras profissões liberais, apesar da luta renhida das feministas contra o preconceito da inferioridade intelectual das mulheres e da “masculinização” que certas actividades provocavam. Bem clamou Elina Guimarães uma ilustre jurista, escritora e feminista, falecida há não muitos anos, dizendo que conhecia muitas intelectuais que eram todas excelentes mães de família, com vários filhos. Angelina Vidal nasceu em 1853, numa família da média burguesia. Foi uma voz forte da corrente progressista, empenhada na questão social e do operariado. Viveu com imensas dificuldades, inclusive, a nível familiar. Angelina era uma republicana socializante e o pai um arreigado monárquico o que provocava grandes discórdias familiares. Casou cedo, mas cedo se separou do marido que, pouco depois, viria a morrer. Neste quadro, sofreu muitas privações e foi alvo da reprovação dirigida às mulheres separadas, naquela época. Com uma aguda consciência das dificuldades da classe operária, ela associou o seu feminismo a formas mais amplas de luta. No meio das suas dificuldades, valeu-lhe a solidariedade ocorrida no âmbito da “Voz do Operário” com a criação de um subsídio mensal, já que lhe fora negada uma pensão a que tinha direito, por virtude da sua actividade política. Foi jornalista, tradutora e professora, sendo de recordar a sua actividade de escritora – poesia e prosa – e a publicação de peças de teatro. Recebeu prémios internacionais e fez parte da Associação da Imprensa Portuguesa. Angelina criticou a monarquia, o clericalismo e o sistema económico e social de então. Ela foi a voz dos desfavorecidos. Adelaide Cabete nasceu em 1867, numa família ligada ao mundo do trabalho fabril. Começou a trabalhar jovem, após a morte do pai. Dotada de uma enorme força de vontade, estudou e formou-se em medicina. Foi uma mulher empenhada no movimento feminista e na política e uma republicana convicta. Casou-se ainda jovem com um homem mais velho que, contrariamente à generalidade dos homens de então, não pôs obstáculos à continuação dos estudos da sua mulher. Ele investiu mesmo na formação dela, tendo vendido bens para a custear. Adelaide fez a instrução primária com 22 anos e concluiu o curso dos liceus cinco anos depois. Em 1896 matriculou-se na Escola Médica de Lisboa e teve professores ilustres, como Alfredo Costa, Miguel Bombarda e Ricardo Jorge. Formou-se em 1900. Defendeu como tese “A protecção das mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento físico das novas gerações”. É frequente encontrar como preocupação comum a várias destas mulheres a associação entre a condição feminina e as crianças. Escolheu como área de actividade a ginecologia, considerada uma boa escolha, para mulheres, já que a privacidade do corpo feminino tornava mais fácil o recurso a uma médica. Daí, os homens terem defendido, na época, que as mulheres cursassem medicina, apesar de se oporem à educação e ao trabalho independente daquelas. Mas além de médica, Adelaide Cabete foi também professora, tendo leccionado higiene e puericultura. Nos princípios do século XX, publicou vários artigos, nomeadamente sobre a condição feminina, versando, muitas vezes, a ligação mãe-criança e o alcoolismo. A luta contra a prostituição foi, igualmente, um tema que lhe mereceu a maior atenção. A par da actividade profissional, Adelaide Cabete foi um membro muito activo do movimento feminista português. Republicana, era tolerante nas suas ideias mas não sacrificando nunca à ideologia a marcha da conquista da emancipação da mulher. Em 1907, Adelaide é iniciada na maçonaria, na Loja feminina Humanidade (Loja de Adopção). Depois de terem sido concedidos direitos iguais à Loja Feminina, Adelaide cria a maçonaria mista que durou apenas três anos, chegando a ser a primeira venerável desta Loja. Aliás, viria a fundar Lojas em Lisboa, Alcobaça e Portalegre. Em 1909 foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ao lado de Ana de Castro Osório. A título de curiosidade e pelo seu simbolismo, anota-se que a Adelaide Cabete e a Carolina Beatriz Ângelo, outra feminista ilustre, coube a honra de costurar as bandeiras asteadas no 5 de Outubro, o que revela a confiança que os revolucionários depositavam nestas duas mulheres. Em 1914, Adelaide Cabete fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas que, desde logo, se associou a organizações internacionais. Este Conselho deveria, segundo os seus estatutos, ser apartidário, sem linha de orientação política ou religiosa, o que não foi fácil, considerando que há sempre uma marca política na luta pelos direitos das mulheres. O número de mulheres aderentes ao Conselho era muito baixo, à volta de 500, enquanto que, no estrangeiro, em organizações congéneres, as participantes contavam-se por muitos milhares. O Conselho organizou dois Congressos Feministas, em 1924 e em 1928. Adelaide Cabete deslocou-se a congressos internacionais e, na qualidade de representante do governo português, foi ao Congresso de Roma, em 1923. Ana de Castro Osório, nasceu em 1872 e cresceu num ambiente culto e aberto, numa família que não a privou do contacto com novas ideias. Estreou-se na vida literária em 1894 e casou em 1898 com um escritor, propagandista e activista republicano. Em 1911, Ana de Castro Osório acompanhou o marido para S. Paulo, no Brasil, continuando, porém, o seu trabalho como republicana e feminista. Voltou a Portugal depois da morte do marido, mas, nos anos vinte, foi convidada pelas autoridades brasileiras para realizar um ciclo de conferências. Esta mulher foi uma das mais importantes feministas portuguesas, não radical. Foi ainda escritora, editora, pedagoga, publicista, conferencista e republicana. Era vista como mulher de princípios e convicções, mas tendo uma visão gradualista da transformação social, foi alvo de duras críticas. É considerada uma das fundadoras da literatura infantil em Portugal, tendo feito uma vasta recolha da tradição popular oral do conto infantil. Não se limitando a esta área da escrita, Ana Castro Osório escreveu ficção para outros públicos. Aderiu à maçonaria em 1907, tal como Adelaide Cabete, e esteve no início da fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Com o prestígio que possuía, Ana de Castro Osório colaborou com o Ministro da Justiça, Afonso Costa, na modificação de situações de desigualdade na condição feminina. Pretendia-se a alteração do Código Civil de 1867 que estabelecia direitos desiguais para homens e mulheres, subalternizando estas. Depois de voltar do Brasil, Ana de Castro Osório funda uma loja maçónica com o nome da primeira mulher que votou em Portugal – Carolina Beatriz Ângelo. Durante a Primeira Guerra Mundial, Ana Osório defendeu o intervencionismo, tendo sido uma das mais importantes propagandistas da participação de Portugal naquele conflito. Esteve na organização da Comissão Feminina pela Pátria e entre o Grupo Fundador da Cruzada das Mulheres Portuguesas, em 1916 que deveria ser visto como uma instituição patriótica e humanitária e não como uma organização de assistência. Fez ainda parte do grupo restrito das mulheres que tiveram cargos no funcionalismo público, ocupando o lugar de inspectora do trabalho e de vogal do Conselho Central da Federação dos Amigos das Crianças, tutelado pelo Ministro da Justiça e Cultos. Carolina Beatriz Ângelo nasceu em 1877, frequentou o Liceu na Guarda e veio para Lisboa cursar medicina cujos estudos terminou em 1902. Pioneira na prática das intervenções cirúrgicas, foi a primeira médica que operou no hospital de São José, acabando por se dedicar à ginecologia, como Adelaide Cabete. Pertenceu a vários grupos femininos e feministas. Foi maçon e chegou a aceder ao grau de venerável. Defendeu o sufrágio feminino e em face das divergências existentes no seio da Liga Portuguesa, afastou-se desta organização e assumiu a direcção da Associação de Propaganda Feminista que não teve, porém, grande sucesso entre as mulheres. Esta mulher ficou na história, não só como ilustre feminista e republicana, mas por ter sido a primeira mulher a votar nas primeiras eleições da República, em 28 de Maio de 1911. Ela reunia as condições legais: era cidadã portuguesa com mais de 21 anos, sabia ler e escrever e era chefe de família. Mas a República recém-formada não permitia que as mulheres votassem. Precisaram de esperar sessenta anos para verem instituído o sufrágio sem restrições, já depois do 25 de Abril de 1974. A revista “Alma Feminina” explica como Beatriz Ângelo conseguiu votar. Ao tentar inscrever-se no recenseamento, o funcionário administrativo indeferiu-lhe o requerimento. Tendo reclamado, o Ministério tutelado pelo republicano António José de Almeida negou-lhe o pedido. Recorreu para os tribunais e ganhou a causa. O Juiz concedeu-lhe o direito de se recensear e votar. Estava em causa a interpretação da expressão da Lei – “cidadãos portugueses” que, no entender dos homens republicanos, não abrangia as mulheres. Em 1913, o governo, para evitar dúvidas, alterou a Lei Eleitoral e especificou que o eleitor tinha que pertencer ao sexo masculino. As mulheres tinham servido para levantar a República mas já não eram necessárias nos trabalhos de ressurgimento nacional. Beatriz morreu em Outubro de 1911, com trinta e quatro anos. Maria Veleda nasceu em 1871, em Faro. Republicana, livre-pensadora e professora, Veleda pertenceu à Associação do Registo Civil e a outras organizações femininas. Antes da implantação da República, ansiava pela revolução, pela liberdade, pelo bem, pela justiça e pela redenção. Foi considerada uma das mais importantes representantes do feminismo proletário, mas demasiado vermelha, segundo a opinião de alguns republicanos (António José de Almeida). Foi uma brilhante conferencista que, devido às suas ideias sobre a emancipação da mulher e sobre a necessidade de melhorar a situação das operárias e dos mais desprotegidos, era convidada para discursar em vários locais e escutada com muito interesse. Estas são, algumas, quiçá as mais representativas mulheres que precederam e ajudaram a construir a efémera primeira República. Algumas outras poderão não ter sido referenciadas. A todas, porém, quero cobrir com a mesma homenagem e gratidão por terem desbravado o deserto de direitos cívicos e políticos em que as mulheres viveram confinadas e construindo um pequeno oásis de liberdade e de valorização dos seus direitos. Oásis de curta duração é certo. Mas ele lá ficou encoberto por poeira para o podermos descobrir, como viemos a fazerConhecendo a desigualdade de direitos que persistiu ao longo dos séculos entre as mulheres e os homens, não poderíamos deixar de nos surpreender com o oásis que representou o período da I República. Ainda nos finais do século XIX, Portugal assistiu ao nascimento de algumas mulheres que, antes da República ou mesmo não partilhando o republicanismo, começaram a lutar, com coragem, pela melhoria da situação das mulheres, então, extremamente subalternizadas na sociedade e na família. Não havia educação oficial para as meninas. Saber ler era raro e não tinha importância. Antes pelo contrário, já que, segundo as concepções vigentes, o sexo feminino deveria manter-se reservado e longe das más influências transmitidas pela leitura. É certo que a maioria da população era analfabeta. Mas as mulheres atingiam mais de 80% do total. O ensino primário começou a existir tarde mas, para as raparigas, nele se conteúdo incluíam os lavores e as prendas domésticas necessárias às formandas, cujo principal destino era o casamento e a família. O ensino secundário ainda foi mais tardio e o primeiro Liceu feminino – Maria Pia – é de 1906. Este panorama da educação no nosso País explica as dificuldades das mulheres e é explicado pelo atavismo e preconceitos em relação aquilo que era importante para as suas vidas, na opinião dos homens. O acesso às Universidades era ainda mais difícil. As mulheres “sábias” e as “doutorices” eram ridicularizadas e, pelo riso e troça, os homens acabavam por mantê-las longe dos cursos superiores. Os tempos foram mudando. Certamente, algumas notícias chegavam da Europa e da longínqua América despertando as jovens para a injustiça das desigualdades e para as dificuldades que foram criadas às mulheres que não tinham pai ou marido para as sustentar a elas e à família. Trabalhar fora de casa era também um tabu. Ficando sem recursos, as mulheres da burguesia lograram ultrapassar os obstáculos escrevendo ou ensinando, trabalho por que auferiam parcas retribuições para a sua sobrevivência. Naturalmente, que tendo nascido dentro de famílias mais ou menos abastadas, elas eram as únicas a beneficiar de alguma instrução, muitas vezes, com professoras no domicílio e eram também as únicas a poder usar o seu talento para sobreviver. A oposição social ao trabalho das mulheres não se verificava, porém, relativamente ao povo, às mais pobres, que partilhavam o destino dos trabalhadores rurais e operários, ganhando, contudo, muito menos do que eles. Neste enquadramento, sumariamente descrito, viveram, trabalharam e sofreram algumas mulheres da transição para o século XX e do início desse século que foram fazendo o caminho para as reivindicações sociais, muitas delas incorporadas na Revolução Republicana. Esperavam as que aderiram à República e às suas instituições – quase todas – que este novo sistema político curasse a sociedade de todos os males. Muitos escritos de mulheres ilustres, como Ana Castro Osório e outras feministas defenderam que “a República não sendo na forma de governo nova nem perfeita… é, no entanto mais lógica, mais compreensível à nossa inteligência e mais tolerável à nossa razão, dando-nos também garantias de progresso”. Ana Maria Gonçalves Dias afirma, igualmente, no Congresso Republicano do Porto, em 1910, que todas as mulheres feministas deveriam ser republicanas, visto que só da República se podem aguardar leis igualitárias e justas. E, com efeito, muitas leis foram publicadas pela I República, em benefício das mulheres e muitas medidas foram tomadas para melhorar a sua situação: novas leis do casamento e filiação baseadas na igualdade, o direito de trabalhar na função pública, a escolaridade obrigatória até aos 18 anos para ambos os sexos e abertura, pela primeira vez, de uma Cátedra a uma mulher, (Carolina Michaëlis de Vasconcelos a quem é concedido o grau de doutor), o início dos cursos de direito para mulheres e exercício da advocacia, até então vedado (Regina Quintanilha). Como afirma João Estêvão, na obra “Mulheres e o Republicanismo”, “durante 20 intensos anos assistiu-se à adesão ao ideal republicano; ao combate à monarquia; … à criação de organizações partidárias, feministas e femininas; à formação de reivindicações; … à realização de dois Congressos Feministas e de Educação (1924 e 1928). Em momentos únicos, as mulheres estiveram lá. Pensaram, debateram, organizaram-se, actuaram. Escreveram, opinaram, polemizaram. Discursaram, aderiram a causas. Politizaram-se. Alugaram sedes, calendarizaram reuniões. Reivindicaram, peticionaram. Expuseram-se, lutaram, correram riscos, sofreram incompreensões, injúrias e agressões. Marcaram presença em sessões, reuniões, festas, saraus, comícios, congressos, homenagens, celebrações, cortejos, manifestações, funerais, romagens. Foram para a rua. Associaram-se, desassociaram-se, reagruparam-se, conforme desavenças pessoais, divergências de opinião, de estratégia, de liderança e de rumo consoante se assumiram mais como feministas do que republicanas e vice-versa, sendo muitas vezes ambas as coisas, o que originou também fracturas entre as duas causas, com prejuízo para o reforço das respectivas lutas e consequências para a República”. Mas não se pense que os homens republicanos queriam todos a inteira igualdade entre as mulheres e os homens. António José de Almeida, que apoiou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, esclareceu numa reunião em 1908 o que pretendia daquela organização: “Não se trata de ir ao Parlamento reclamar o voto das mulheres. Não se trata de trazer mulheres para a rua ou para os clubes, envolvendo-as numa febre de agitação a que a mulher portuguesa é tão esquiva e refractária. Pretende-se que cada uma delas exerça na sua esfera de acção, na sua família, nas suas relações, o influxo do seu espírito e o exercício da propaganda”. A Liga não aceitou este estreito campo de actuação e procurou pugnar pela igualdade entre mulheres e homens, em casa e na rua. Passado algum tempo e na sequência de posições como a de António José de Almeida advieram desilusões entre republicanos que não viam satisfeitas as aspirações das mulheres. Ana de Castro Osório recordou às mulheres os acontecimentos anteriores à Revolução Francesa em que aquelas foram utilizadas e de seguida remetidas ao silêncio. Mas as conquistas da I República foram uma realidade. Entre 1908 e 1928, data do segundo Congresso Feminista e de Educação, verificou-se um enorme incremento da vida cívica e política, tanto a nível associativo como na visibilidade pública enquanto força de pressão sobre os poderes constituídos. O oásis que as mulheres e os democratas, em geral, construíram teve aquela duração bem curta. Em 1926 inicia-se a Ditadura Militar, sendo dissolvido o Parlamento. Em 1927, teve lugar uma revolta militar e civil no Porto contra a Ditadura Militar, mas foi vencida. O Governo da Ditadura acabou com o regime de coeducação nas localidades em que existisse mais do que um estabelecimento de ensino não superior. Viveu-se a partir daí um longo período de apagamento da acção das mulheres e dos seus direitos. A Constituição da República de 1933 vem legitimar as discriminações contra elas ao estabelecer a igualdade dos cidadãos perante a lei “salvas”, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem estar da família, o que legitimou, até ao 25 de Abril, todas as discriminações existentes na vida cívica e política, na família e no trabalho. As republicanas que viveram um período de 20 anos de intensa luta deixaram às gerações que se lhe seguiram um legado que acabou por não ser aproveitado senão muitos anos depois. Foi pena! Porque poderíamos ter sido um país exemplar e progressista se as mentalidades retrógradas do século XIX não tivessem continuado a florescer durante quase todo o século XX. As mulheres que ajudaram a implementar a I República e a tornar brilhante e grande o seu pequeno percurso, mulheres que foram feministas, pacifistas, maçónicas-livre-pensadoras e republicanas, merecem a nossa admiração e homenagem. Elas foram autênticas guerreiras, tendo conquistado posições que, só cinquenta anos depois, a partir de 1974, conseguimos começar a readquirir e alargar. Mas que mulheres foram essas? Qual o seu perfil e identidade? A homenagem que desejo propor não pode, infelizmente, por escassez de tempo e benefício da vossa paciência, contar a biografia completa das várias personalidades que constituíram o eixo feminino da I República. Nem esta seria a oportunidade de o fazer. Assim, limitar-me-ei, num resumido apontamento a referir quem são e o que justifica o seu lugar na História. Antes, porém, uma referência deve ser feita, ao facto de feministas ou não, republicanas ou não, todas em geral, terem defendido a instrução e a educação para as mulheres, como factor essencial da sua valorização na família e na sociedade. Ao não terem sido, devida e atempadamente ouvidas, o nosso País perdeu muito do seu alinhamento no progresso e no desenvolvimento, cujo défice ainda hoje sentimos. Maria Antónia Pusich, mulher culta e instruída, publicou em 1849, a Assembleia Literária que foi o primeiro jornal fundado por uma mulher, tendo tido a coragem de dar a público o seu nome. Fez da escrita o seu modo de vida, para seu sustento e de seus filhos. Depois da criação do primeiro jornal, muitas outras mulheres passaram a subscrever artigos e mesmo a dirigir publicações. E não se pense que se tratava apenas de imprensa feminina. Investigações feitas relativas ao século XIX, revelam que muitas mulheres colaboraram em jornais literários, noticiosos ou políticos, usando, por vezes, nomes masculinos para fugir à censura social. Teresa Leitão de Barros em “Escritoras de Portugal”, de 1924, descreve as condições difíceis que as mulheres enfrentavam para serem escritoras. Podiam ser estimadas como autoras recreativas, dizia, mas eram postas à margem da sociedade burguesa pela sua situação de mulheres independentes e chefes de família. Guiomar Torrezão, nascida em 1884, numa família burguesa, desde cedo teve também que prover à sua substância, dando lições de instrução primária e francês, ao mesmo tempo que se iniciava na escrita, com elevado sucesso. Traduziu obras de escritores célebres e trabalhou em vários órgãos de imprensa, designadamente no Diário Ilustrado, Diário de Notícias, Voz Feminina e outros. Tendo que trabalhar por gosto, mas essencialmente por necessidade pois o pai falecera cedo deixando a família em precária situação económica, Guiomar depressa reconheceu a importância de uma formação superior, a qual, não teve condições de adquirir. Apesar das adversidades, sendo detentora de uma superior inteligência e engenho, cumpriu um brilhante destino como mulher e escritora. Como pioneira lançada numa sociedade conservadora, Guiomar Torrezão, sofreu, como outras mulheres, calúnias, críticas e invejas. Guiomar contou, porém, com apoios importantes, nomeadamente de Fialho de Almeida, que, por altura da sua morte, depois de elogiar o seu carácter e mérito, diria que “para ser verdadeiramente alguém, ela só teve um obstáculo, o meio onde apareceu e se fez gente. Em Londres ou em Paris, teria sido ilustre. Em Lisboa, quase a quiseram tornar cómica”. Guiomar deixou vários romances, contos e peças de teatro, representadas nos teatros de Lisboa. A sua tristeza e conformismo perante uma sociedade tão conservadora está bem patente quando escreveu de si própria, que a sua vida literária era “obscura, improfícua, pobre e triste …” Esperaria mais reconhecimento e também uma vida mais desafogada. E conta que quando no estrangeiro lhe perguntavam quanto ganhava com os seus escritos, via-se obrigada a mentir para defesa da honra do seu país, multiplicando as quantias até atingirem uma soma decente. Alice Pestana (Caiel), nasceu em 1860, também dentro de uma família burguesa. Aprendeu francês, inglês e piano. Este tipo de educação não a satisfez, porque não queria frequentar salões e precisava de se sustentar e auxiliar a família. Assim, com o auxílio financeiro de uma avó, continuou os estudos, matriculando-se no ensino secundário, ao mesmo tempo que dava lições. Em 1877, iniciou a sua carreira como jornalista de mérito. Usou um pseudónimo, masculino, CAIEL, como estratégia de legitimação. Além do jornalismo, escreveu livros, contos, novelas e peças de teatro. Foi grande defensora da educação feminina e encarregada de uma visita de estudo ao estrangeiro para analisar as condições de instrução feminina noutros países. Fundou, em 1899, a Liga Portuguesa da Paz, de que foi presidente, tendo como outros fundadores, homens ligados ao movimento republicano ou à maçonaria, como Magalhães Lima, Teófilo Braga, Consiglieri Pedroso e Teixeira Bastos. Tendo casado, em 1901 com um professor espanhol, passou a residir em Madrid. Continuou, porém, a escrever, a estudar e a dar lições, tendo sido professora em prestigiadas instituições espanholas. Domitila da Carvalho, nasceu em 1871. Frequentou a Universidade de Coimbra em 1891, tendo sido a primeira mulher a fazê-lo. A sua inscrição teve que ser autorizada ministerialmente, a pedido do Reitor, por não haver nenhum precedente. Entrou para o curso de matemática. Mas não ficou por aqui. Em 1899, inscreveu-se também em medicina, juntamente com Sofia Júlia Dias, sendo as duas primeiras mulheres a frequentar este curso. Além de matemática e medicina, obteve ainda a licenciatura em filosofia, tendo alcançado altas classificações em todos os cursos. Contrariamente a outras mulheres que aderiram às ideias republicanas, esta mulher era monárquica e católica, tendo mantido com a rainha D. Amélia assídua correspondência. O seu percurso político levou-a, mais tarde, a pertencer ao grupo de três primeiras deputadas do Estado Novo. Abraçou a causa do pacifismo, defendeu a educação das mulheres, mas não defendeu o sufrágio feminino. Foi professora e reitora do Liceu Maria Pia, o primeiro Liceu feminino em Portugal. Carolina Michaëlis de Vasconcelos nasceu em 1851, de origem alemã. Casada com um português, ficou na história como primeira mulher nomeada, em 1911, para o cargo de professor ordinário de Filologia germânica da Faculdade de Letras de Lisboa, onde não chegou a leccionar por ter sido, entretanto, transferida para Coimbra. Até à sua morte, em 1925, foi a única mulher a pertencer ao corpo docente de Coimbra. Era especialista em várias línguas. Recebeu várias distinções honoríficas tendo sido considerada a mulher mais erudita do seu tempo. Publicou várias obras, resultado das suas investigações literárias, abrangendo escritores antigos e, também seus contemporâneos. Por curiosidade, anota-se que segundo Joaquim Ferreira Gomes, até ao fim de 1910, tinham-se matriculado na Universidade de Coimbra 23 mulheres e, até 1926, frequentaram essa Universidade 280 mulheres, mais 257 inscritas. Regina Quintanilha de Vasconcelos nasceu em 1893 e, em 1910, com 17 anos, foi a primeira mulher a frequentar o curso de direito, até então proibido às mulheres. Como estávamos no auge da revolução republicana, Regina Quintanilha foi recebida em festa pela Academia. Os seus colegas estenderam-lhe as capas para lhe dar as boas vindas. Foi colega de homens ilustres como Manuel de Arriaga, nomeado presidente da República. Com o advento da República, muitas alterações se verificaram, a nível académico – os alunos não eram obrigados a comparecer a todas as aulas e podiam escolher o seu plano de estudos com cadeiras de qualquer ano. Foi, assim que Regina Quintanilha frequentou, simultaneamente, o curso de Direito e o curso de Letras recém-criado pela República. Em 1913, Quintanilha requereu autorização para advogar ao Supremo Tribunal de Justiça, autorização que foi concedida transformando-se esta primeira licenciada em Direito na primeira advogada portuguesa. Este facto causou grande impacto na imprensa e no público que acorreu ao primeiro julgamento que ela fez na Boa-Hora. Regina Quintanilha foi ainda notária e conservadora do Registo Predial e professora no Liceu Maria Pia. Militou no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e foi presidente da Assembleia Geral deste Conselho, em 1917. Esteve ainda ligada à Cruzada das Mulheres Portuguesas. As conquistas de Regina Quintanilha foram marcantes para a época, pois não era fácil frequentar o mundo do direito, eminentemente masculino. Também não foi fácil o acesso a outras profissões liberais, apesar da luta renhida das feministas contra o preconceito da inferioridade intelectual das mulheres e da “masculinização” que certas actividades provocavam. Bem clamou Elina Guimarães uma ilustre jurista, escritora e feminista, falecida há não muitos anos, dizendo que conhecia muitas intelectuais que eram todas excelentes mães de família, com vários filhos. Angelina Vidal nasceu em 1853, numa família da média burguesia. Foi uma voz forte da corrente progressista, empenhada na questão social e do operariado. Viveu com imensas dificuldades, inclusive, a nível familiar. Angelina era uma republicana socializante e o pai um arreigado monárquico o que provocava grandes discórdias familiares. Casou cedo, mas cedo se separou do marido que, pouco depois, viria a morrer. Neste quadro, sofreu muitas privações e foi alvo da reprovação dirigida às mulheres separadas, naquela época. Com uma aguda consciência das dificuldades da classe operária, ela associou o seu feminismo a formas mais amplas de luta. No meio das suas dificuldades, valeu-lhe a solidariedade ocorrida no âmbito da “Voz do Operário” com a criação de um subsídio mensal, já que lhe fora negada uma pensão a que tinha direito, por virtude da sua actividade política. Foi jornalista, tradutora e professora, sendo de recordar a sua actividade de escritora – poesia e prosa – e a publicação de peças de teatro. Recebeu prémios internacionais e fez parte da Associação da Imprensa Portuguesa. Angelina criticou a monarquia, o clericalismo e o sistema económico e social de então. Ela foi a voz dos desfavorecidos. Adelaide Cabete nasceu em 1867, numa família ligada ao mundo do trabalho fabril. Começou a trabalhar jovem, após a morte do pai. Dotada de uma enorme força de vontade, estudou e formou-se em medicina. Foi uma mulher empenhada no movimento feminista e na política e uma republicana convicta. Casou-se ainda jovem com um homem mais velho que, contrariamente à generalidade dos homens de então, não pôs obstáculos à continuação dos estudos da sua mulher. Ele investiu mesmo na formação dela, tendo vendido bens para a custear. Adelaide fez a instrução primária com 22 anos e concluiu o curso dos liceus cinco anos depois. Em 1896 matriculou-se na Escola Médica de Lisboa e teve professores ilustres, como Alfredo Costa, Miguel Bombarda e Ricardo Jorge. Formou-se em 1900. Defendeu como tese “A protecção das mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento físico das novas gerações”. É frequente encontrar como preocupação comum a várias destas mulheres a associação entre a condição feminina e as crianças. Escolheu como área de actividade a ginecologia, considerada uma boa escolha, para mulheres, já que a privacidade do corpo feminino tornava mais fácil o recurso a uma médica. Daí, os homens terem defendido, na época, que as mulheres cursassem medicina, apesar de se oporem à educação e ao trabalho independente daquelas. Mas além de médica, Adelaide Cabete foi também professora, tendo leccionado higiene e puericultura. Nos princípios do século XX, publicou vários artigos, nomeadamente sobre a condição feminina, versando, muitas vezes, a ligação mãe-criança e o alcoolismo. A luta contra a prostituição foi, igualmente, um tema que lhe mereceu a maior atenção. A par da actividade profissional, Adelaide Cabete foi um membro muito activo do movimento feminista português. Republicana, era tolerante nas suas ideias mas não sacrificando nunca à ideologia a marcha da conquista da emancipação da mulher. Em 1907, Adelaide é iniciada na maçonaria, na Loja feminina Humanidade (Loja de Adopção). Depois de terem sido concedidos direitos iguais à Loja Feminina, Adelaide cria a maçonaria mista que durou apenas três anos, chegando a ser a primeira venerável desta Loja. Aliás, viria a fundar Lojas em Lisboa, Alcobaça e Portalegre. Em 1909 foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ao lado de Ana de Castro Osório. A título de curiosidade e pelo seu simbolismo, anota-se que a Adelaide Cabete e a Carolina Beatriz Ângelo, outra feminista ilustre, coube a honra de costurar as bandeiras asteadas no 5 de Outubro, o que revela a confiança que os revolucionários depositavam nestas duas mulheres. Em 1914, Adelaide Cabete fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas que, desde logo, se associou a organizações internacionais. Este Conselho deveria, segundo os seus estatutos, ser apartidário, sem linha de orientação política ou religiosa, o que não foi fácil, considerando que há sempre uma marca política na luta pelos direitos das mulheres. O número de mulheres aderentes ao Conselho era muito baixo, à volta de 500, enquanto que, no estrangeiro, em organizações congéneres, as participantes contavam-se por muitos milhares. O Conselho organizou dois Congressos Feministas, em 1924 e em 1928. Adelaide Cabete deslocou-se a congressos internacionais e, na qualidade de representante do governo português, foi ao Congresso de Roma, em 1923. Ana de Castro Osório, nasceu em 1872 e cresceu num ambiente culto e aberto, numa família que não a privou do contacto com novas ideias. Estreou-se na vida literária em 1894 e casou em 1898 com um escritor, propagandista e activista republicano. Em 1911, Ana de Castro Osório acompanhou o marido para S. Paulo, no Brasil, continuando, porém, o seu trabalho como republicana e feminista. Voltou a Portugal depois da morte do marido, mas, nos anos vinte, foi convidada pelas autoridades brasileiras para realizar um ciclo de conferências. Esta mulher foi uma das mais importantes feministas portuguesas, não radical. Foi ainda escritora, editora, pedagoga, publicista, conferencista e republicana. Era vista como mulher de princípios e convicções, mas tendo uma visão gradualista da transformação social, foi alvo de duras críticas. É considerada uma das fundadoras da literatura infantil em Portugal, tendo feito uma vasta recolha da tradição popular oral do conto infantil. Não se limitando a esta área da escrita, Ana Castro Osório escreveu ficção para outros públicos. Aderiu à maçonaria em 1907, tal como Adelaide Cabete, e esteve no início da fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Com o prestígio que possuía, Ana de Castro Osório colaborou com o Ministro da Justiça, Afonso Costa, na modificação de situações de desigualdade na condição feminina. Pretendia-se a alteração do Código Civil de 1867 que estabelecia direitos desiguais para homens e mulheres, subalternizando estas. Depois de voltar do Brasil, Ana de Castro Osório funda uma loja maçónica com o nome da primeira mulher que votou em Portugal – Carolina Beatriz Ângelo. Durante a Primeira Guerra Mundial, Ana Osório defendeu o intervencionismo, tendo sido uma das mais importantes propagandistas da participação de Portugal naquele conflito. Esteve na organização da Comissão Feminina pela Pátria e entre o Grupo Fundador da Cruzada das Mulheres Portuguesas, em 1916 que deveria ser visto como uma instituição patriótica e humanitária e não como uma organização de assistência. Fez ainda parte do grupo restrito das mulheres que tiveram cargos no funcionalismo público, ocupando o lugar de inspectora do trabalho e de vogal do Conselho Central da Federação dos Amigos das Crianças, tutelado pelo Ministro da Justiça e Cultos. Carolina Beatriz Ângelo nasceu em 1877, frequentou o Liceu na Guarda e veio para Lisboa cursar medicina cujos estudos terminou em 1902. Pioneira na prática das intervenções cirúrgicas, foi a primeira médica que operou no hospital de São José, acabando por se dedicar à ginecologia, como Adelaide Cabete. Pertenceu a vários grupos femininos e feministas. Foi maçon e chegou a aceder ao grau de venerável. Defendeu o sufrágio feminino e em face das divergências existentes no seio da Liga Portuguesa, afastou-se desta organização e assumiu a direcção da Associação de Propaganda Feminista que não teve, porém, grande sucesso entre as mulheres. Esta mulher ficou na história, não só como ilustre feminista e republicana, mas por ter sido a primeira mulher a votar nas primeiras eleições da República, em 28 de Maio de 1911. Ela reunia as condições legais: era cidadã portuguesa com mais de 21 anos, sabia ler e escrever e era chefe de família. Mas a República recém-formada não permitia que as mulheres votassem. Precisaram de esperar sessenta anos para verem instituído o sufrágio sem restrições, já depois do 25 de Abril de 1974. A revista “Alma Feminina” explica como Beatriz Ângelo conseguiu votar. Ao tentar inscrever-se no recenseamento, o funcionário administrativo indeferiu-lhe o requerimento. Tendo reclamado, o Ministério tutelado pelo republicano António José de Almeida negou-lhe o pedido. Recorreu para os tribunais e ganhou a causa. O Juiz concedeu-lhe o direito de se recensear e votar. Estava em causa a interpretação da expressão da Lei – “cidadãos portugueses” que, no entender dos homens republicanos, não abrangia as mulheres. Em 1913, o governo, para evitar dúvidas, alterou a Lei Eleitoral e especificou que o eleitor tinha que pertencer ao sexo masculino. As mulheres tinham servido para levantar a República mas já não eram necessárias nos trabalhos de ressurgimento nacional. Beatriz morreu em Outubro de 1911, com trinta e quatro anos. Maria Veleda nasceu em 1871, em Faro. Republicana, livre-pensadora e professora, Veleda pertenceu à Associação do Registo Civil e a outras organizações femininas. Antes da implantação da República, ansiava pela revolução, pela liberdade, pelo bem, pela justiça e pela redenção. Foi considerada uma das mais importantes representantes do feminismo proletário, mas demasiado vermelha, segundo a opinião de alguns republicanos (António José de Almeida). Foi uma brilhante conferencista que, devido às suas ideias sobre a emancipação da mulher e sobre a necessidade de melhorar a situação das operárias e dos mais desprotegidos, era convidada para discursar em vários locais e escutada com muito interesse. Estas são, algumas, quiçá as mais representativas mulheres que precederam e ajudaram a construir a efémera primeira República. Algumas outras poderão não ter sido referenciadas. A todas, porém, quero cobrir com a mesma homenagem e gratidão por terem desbravado o deserto de direitos cívicos e políticos em que as mulheres viveram confinadas e construindo um pequeno oásis de liberdade e de valorização dos seus direitos. Oásis de curta duração é certo. Mas ele lá ficou encoberto por poeira para o podermos descobrir, como viemos a fazer